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Carol Neves
Publicado em 7 de abril de 2026 às 09:46
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, ao se referir ao Irã diante do prazo final imposto por Washington para que o país feche um acordo e reabra o Estreito de Ormuz. >
A declaração foi feita em uma publicação na rede Truth Social. “Uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. [...] Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!”, escreveu.>
Trump estabeleceu como limite as 20h desta terça-feira no horário do leste dos Estados Unidos (21h em Brasília e 3h30 de quarta-feira em Teerã). Caso não haja acordo, o presidente ameaça bombardear alvos estratégicos iranianos e já chegou a falar em “inferno” contra o país.>
Donald Trump
Apesar da firmeza do ultimato, o republicano já havia definido prazos semelhantes nas últimas semanas e posteriormente os adiou, o que gerou questionamentos sobre a efetividade das ameaças. Além disso, especialistas apontam que ataques contra infraestrutura civil podem configurar crime de guerra.>
Relembre as ameaças feitas por Trump>
O prazo mais recente foi reforçado no domingo (5), quando Trump publicou nova mensagem com linguagem agressiva reiterando a exigência de que Teerã reabra o Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global de energia.>
Na segunda-feira (6), o presidente voltou a subir o tom e afirmou que os Estados Unidos têm condições de destruir todas as pontes e usinas de energia do país até a meia-noite desta terça-feira. “Quero dizer, demolição completa até meia-noite”, declarou.>
Além dessas estruturas, Trump também mencionou possíveis ataques contra poços de petróleo e usinas de dessalinização.>
Resposta do Irã>
Autoridades iranianas reagiram publicamente às ameaças com críticas. Um comandante militar classificou as declarações de Trump como “infundadas” e “delirantes”.>
“Se os ataques contra alvos não civis se repetirem, nossa resposta retaliatória será muito mais enérgica e em uma escala muito maior”, afirmou Ebrahim Zolfaqari, porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya.>
Também na segunda-feira (6), um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano pediu que a população dos Estados Unidos responsabilize o próprio governo pelo que descreveu como uma “guerra injusta e agressiva”.>
Como estão as negociações>
Apesar da escalada de tensão, Trump afirmou na segunda-feira (6) que o Irã segue como um “participante ativo e disposto” nas conversas para encerrar o conflito e disse que as negociações indiretas “estão indo bem”.>
Segundo informações divulgadas anteriormente pela CNN, Paquistão, Egito e Turquia atuam como mediadores entre os dois países. No entanto, as negociações indiretas foram interrompidas na semana passada e a possibilidade de uma reunião presencial perdeu força.>
Uma proposta emergencial de cessar-fogo de 45 dias, acompanhada da reabertura do Estreito de Ormuz, também não avançou. Trump classificou o plano como um “passo significativo”, mas afirmou que “não é suficiente” e acrescentou que apenas ele pode decidir sobre uma trégua.>
O Irã rejeitou a proposta e argumentou que uma pausa temporária permitiria que os adversários se reorganizassem para prolongar o conflito.>
De acordo com a mídia estatal iraniana, Teerã apresentou uma resposta com dez pontos defendendo o encerramento definitivo da guerra “de acordo com as considerações do Irã”.>