A Grande Chance de Armandinho Macêdo, aos 14, no programa de Flávio Cavalcanti

entretenimento
28.08.2021, 09:00:00

A Grande Chance de Armandinho Macêdo, aos 14, no programa de Flávio Cavalcanti

Conheça história do menino prodígio no bandolim e guitarra que conquistou o Brasil: 'Foram três minutos de aplausos. Eu chorei muito'

Armandinho Macêdo no programa de Flávio Cavalcanti em 1968 (Foto: Acervo pessoal)

Sempre fazendo parte de qualquer lista dos melhores guitarristas do Brasil (quiçá do mundo), Armando Macêdo (ou apenas Armandinho) sempre foi um virtuoso quer tocando o chorinho, os frevos e galopes com sua guitarra baiana.

Primeiro ao lado de seu pai, o grande Osmar Macedo, que, ao lado de Dodô, criou essa invenção genial chamada Trio Elétrico; depois com os irmãos André, Aroldo e Betinho com a banda Armandinho Dodô e Osmar ou com a Cor do Som, com Ary Dias (percussão), Dadi Carvalho (baixo), Gustavo Schroeter (bateria) e Mú Carvalho (teclados).

Antes da fama, Armandinho formou o grupo de frevo Trio Elétrico Mirim, em 1962, e em 1967 a banda de rock Hell's Angels.

É lugar comum entre os músicos o comentário que se tivesse nascido nos Estados Unidos ou Inglaterra, Armandinho teria o dobro de reconhecimento que tem em terras tropicais. Mas ele não liga muito para isso. Sabe que tem o carinho, o respeito e admiração do público e de seus pares, e vai tocando a vida com aquele jeito bem baiano.

Um dos responsáveis por modernizar a música de Carnaval com seu inseparável parceiro Moraes Moreira, morto em 2020, Armandinho sempre circulou com desenvoltura entre grandes nomes da MPB como outros conterrâneos a exemplo de Caetano Veloso, Gilberto Gil e a turma dos Novos Baianos.

Armandinho, Aroldo, André, Betinho e Osmar Macêdo (Acervo Pessoal Armandinho, Dodô e Osmar)

Aos 68 anos, mas com o vigor de um jovem, Armandinho, a exemplo do que diz a música de Zeca Pagodinho, deixa a vida lhe levar. E tem sido assim desde os idos anos de 1968 quando, aos 14 anos, assombrou o Brasil ao se apresentar no programa de Flávio Cavalcanti, A Grande Chance, como Armandinho do Bandolim.

Até hoje, ele sempre é instado a falar daquele sucesso e de como sua carreira deslanchou há 53 anos.

Flávio Cavalcanti era o grande nome da TV brasileira na época e seu programa, A Grande Chance, apresentado na extinta TV Tupi, era um fenômeno de audiência. E seu talento ficou tão evidenciado que o apresentador o "adotou como afilhado".

Na época, o baiano fenomenal ficou em segundo lugar, perdendo o concurso para o cantor Emilio Santiago, outro grande artista que nos deixou há alguns anos.

Em conversa com o Baú do Marrom, Armandinho voltou ao passado e contou um pouco de sua história, a partir da imagem que abre essa coluna.

"Essa foto aí representa muita coisa para mim, apesar de que eu com 10 anos de idade já tocava no trio mirim que meu pai fez pra mim. Nas ruas no Carnaval. Com 14 para 15 anos vem esse programa, A Caminho da Grande Chance, e meu primo Papau me pega pelo braço e me inscreve no programa. Eu fiz aqui e ganhei em Salvador e Flávio Cavalcanti me levou para o Rio de Janeiro", inicia Armandinho.

"Foi lá que eu fiz a final, que não é essa foto aí. A grande final foi no Teatro Municipal do Rio, completamente lotado. No júri estavam o filho de Jacob do Bandolim, Maestro Erlon Chaves, Nelson Motta, Mariozinho Rocha", menciona.

Três minutos de aplausos
E mais prossegue Armandinho: "Quando eu toquei o pout pourri d'A Grande Chance, a plateia veio abaixo. Foram três minutos de aplausos. Eu chorei muito. Mas aí eu começo a minha vida profissional porque essa apresentação foi gravada ao vivo. Eu tenho o áudio, só não tenho o vídeo. Minha vida discográfica deslancha e eu fiquei conhecido em todo o Brasil. Fiquei famoso como eu conto no show dos Irmãos Macedo".

Ainda relembrando, Armandinho faz questão de pontuar que ele foi acompanhado do grande violonista Dino Sete Cordas, que tocava com Jacob do andolim.

Atualmente enfrentando como todos brasileiros a pandemia da covid-19, Armandinho vai se virando como pode. Torcendo para voltar às ruas da velha São Salvador.

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