O Camaleão David Bowie e as memórias de Marrom, um fã frustrado da Bahia

entretenimento
08.01.2022, 06:34:00
Atualizado: 08.01.2022, 07:37:48
David Bowie na capa do disco aladdin sane (Divulgação)

O Camaleão David Bowie e as memórias de Marrom, um fã frustrado da Bahia

Artista que influenciou toda uma geração e morreu em 2016 completaria 75 anos esta semana

Um dos mais completos artistas de sua geração, o inglês David Bowie nascido em 8 de janeiro de 1947 estaria completando neste sábado, 75 anos. Ele morreu no dia 10 de janeiro de 2016, dois dias depois de ter completado 69 anos. Um dos primeiros a assumir a androginia no rock, Bowie também se destacou como compositor, ator de filmes como Labirinto, Fome de Viver, O Homem que Vendeu a Terra, Furyo, em nome da Honra entre muitos. Sem falar em participações marcantes como no filme Just a Gigolo quando contracena com a diva Marlene Dietrich ou na Última Tentação de Cristo de Martin Scorsese.

No teatro ele deixou sua marca no espetáculo O Homem Elefante. Totalmente de cara limpa ele surpreendeu os críticos ao interpretar na Broadway o personagem Joseph Merrich um jovem com uma doença genética que deformou seu corpo com o passar dos anos. No cinema a história foi contada pelo diretor David Lynch e interpretado por  John Hurt.

Como costumam afirmar os críticos, David Bowie foi brilhante em tudo que fez. Seus shows eram verdadeiros espetáculos visuais. Seus figurinos eram um espanto. E ele ainda nasceu com um olho verde e outro azul. Foi casado com Angie (que ganhou uma linda música em sua homenagem feita pelos Rolling Stones) e por último com a modelo Somália Iman Bowie.

E na parte musical ele deixou sucessos como Starman (que no Brasil foi gravada pelo Nenum de Nós como O Homem de Mármore), Let´s Dance, Rebel Rebel, Ashes to Ashes, The man who sold the world (que foi regravada pelo Nirvana), Heroes, Space Oddity, China Girl entre muitas outras.

David Bowie como o Homem Elefante na Broadway (Foto: Divulgação)

Por essa introdução já deu para perceber o quanto eu sou fã de Bowie. Sou tão apaixonado pelo trabalho do artista que nem pensei duas vezes em pegar um avião e ir até São Paulo, em 2014, para ver a exposição que foi instalada no MIS vindo diretamente do Victoria and Albert Museum (V&A) de Londres, justamente dois anos antes de sua morte.

Confesso que tinha uma frustração por nunca ter assistido um show do artista. Nas vezes em que ele esteve no Brasil, por algum motivo eu não puder ir. E coincidentemente nas minhas viagens a Europa, quando eu chegava num pais ele já tinha passado com sua turnê ou ia passar algum tempo depois. Por isso fui correndo. E valeu a pena.

Todo o arquivo tinha sido liberado pelo próprio David Bowie para essa exposição que percorreu pouquíssimos países, incluindo o Brasil e o Canadá. Me senti, como se diz na Bahia, “que nem pinto no lixo”. Além de set lists, letras de músicas, manuscritos, instrumentos e desenhos, a mostra brasileira incluiu 47 figurinos, trechos de filmes e shows ao vivo, videoclipes e fotografias.

David Bowie com alguns dos seus personagens (Foto: Divulgação)

Até para quem não conhecia a obra do artista, a exposição funcionava como um manual no qual a gente ia passeando pelos personagens marcantes que ele criou, suas atuações magistrais nas telas e nos palcos e suas experiências com a música eletrônica da Alemanha e até o teatro Kabuki. Cada espaço percorrido era um deslumbramento atrás do outro.

O quesito fotografia também era outra atração. Tinha a foto promocional feita para a banda The Kon-rads, quando Bowie tinha apenas 16 anos; uma colagem feita por Bowie a partir de stills do longa The Man Who Fell to Earth; e outra imagem dele com o escritor William Burroughs, fotografados por Terry O’Neill, e que Bowie coloriu manualmente.

Além de se deleitar com todo material disponibilizado pelo astro também foi lançado e estava à venda o livro David Bowie feito pelo V&A, quando da exposição em Londres. É claro que eu comprei um exemplar para mim e outro presenteei uma amiga.

Fartamente ilustrado o livro traça a carreira do artista desde a sua juventude nos subúrbios londrinos, suas influências e decisões, as descobertas durante as gravações dos primeiros álbuns, até tornar-se figura mundialmente aclamada. Este é o primeiro livro produzido com acesso irrestrito ao The David Bowie Archive, o arquivo pessoal de Bowie com letras originais.

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