Só fórmulas? Esqueça! Enem também cobra atualidades na prova de Ciências da Natureza

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18.09.2019, 05:20:00
Professor de Biologia, Sérgio Magalhães alerta para a importância de se informar e se atualizar para fazer uma boa prova (Arisson Marinho/CORREIO)

Só fórmulas? Esqueça! Enem também cobra atualidades na prova de Ciências da Natureza

Assuntos atuais aparecem como contextualização das questões de Biologia, Física e Química

Quem pensa que abordar temas atuais é característica apenas das questões de Ciências Humanas, no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), está muito enganado. Para fazer uma boa prova de Ciências da Natureza e Suas Tecnologias, os estudantes também devem estar por dentro do que acontece no Brasil e no Mundo, e como os temas se relacionam com Química, Física e Biologia. 

Os professores da área apontam que os fatos atuais aparecem como uma forma de contextualizar um assunto mais específico. Por exemplo, é possível citar o rompimento da barragem de Brumadinho (MG), que aconteceu em janeiro deste ano, em uma questão sobre expressão de concentração sobre metais pesados, conforme explica o professor de Química Victor Benevides.

Também professor da disciplina, Luiz Alberto Amorim concorda. Ele acrescenta ainda que o exame tem essa característica de cobrar temas do cotidiano por ter como objetivo testar as habilidades e competências dos candidatos. “O Enem tem os conteúdos específicos dentro de um contexto atualizado. Muitas vezes, o estudante tem dificuldade de interpretar questões por não saber o contexto, o que se passa no mundo ao seu redor”, alerta.

Quando o assunto é Biologia, o professor da disciplina, Sérgio Magalhães, diz que o raciocínio não muda.

“O Enem está sempre conectado com aspectos da atualidade. Nós, professores, ficamos muito ligados para ver o que pode ser cobrado”, diz ele.

O professor, que considera “muito simples” elaborar uma prova de Biologia com temas atuais, explica que muitos assuntos podem fazer um “link” com a disciplina. “O Enem melhorou muito em qualidade nas questões de Biologia. Se você reparar, tudo que vivemos pode estar relacionado com a Biologia”, completou.

Com a Física, a premissa é quase a mesma. “As provas de Física são bem complexas em termos de cobrança de conteúdo, e não envolvem somente uma leitura de texto. O aluno tem que ter bagagem do assunto e uma facilidade de compreensão de gráficos e tabelas”, explicou o professor Humberto Prates.

Ele indica ainda que, apesar dos enunciados trazerem assuntos atuais, o comando da questão costuma aparecer apenas no final do texto. “Na Física, os textos são mais figurantes, o que é pedido está mesmo no final. Só que não é por isso que o aluno deve ignorá-los. Eles podem conter uma informação importante para ajudar a entender o caminho para resolver a questão”, afirmou.

Como o discurso é unânime, os alunos já foram alertados pelos seus docentes para a importância de estarem ligados no que acontece no Brasil e no Mundo. Carolina Pereira, 18 anos, é uma delas.

A jovem, que vai tentar uma vaga no curso de Medicina, já pegou a dica e sabe que não basta praticar e fazer exercícios para se preparar para a prova.

“Eu faço as questões, mas não pode deixar a interpretação de lado de forma alguma, porque o Enem tenta contextualizar tudo. Raramente tem uma questão muito direta. Exercício e interpretação estão sempre ligados”, contou.

Temas
Apesar das disciplinas serem diferentes, os professores da área das Ciências Naturais apontam o Meio Ambiente como o principal assunto atual a ser cobrado no exame. A temática pode ser cobrada nas três matérias que compõem a prova.

A relação entre a Biologia com o Meio Ambiente passa por assuntos como sustentabilidade, preservação dos ecossistemas e dos vegetais, efeito estufa, poluição ambiental, ecologia e impactos ambientais, segundo apontam os professores Sérgio Magalhães e Ivan Guimarães. “Impactos ambientais nunca estão fora de moda”, pontuou Magalhães.

A vacinação também é um tema de aposta para cair na prova. No cenário atual, onde algumas pessoas duvidam da eficácia e apontam até malefícios da prevenção, o assunto pode aparecer relacionado com o estudo da imunização pela Biologia, aponta o professor Sérgio Magalhães. Ele também aposta em questões com os temas de citologia, genética e fisiologia com uma relação com o efeito dos medicamentos, o melhoramento genético e a alimentação, respectivamente.

Em emergência no estado, as arboviroses (dengue, zika e chikungunya) também podem ser tema de questões, assim como tuberculose e Sífilis. “Essas duas bacterioses estão ressurgindo. Temos uma grande quantidade de casos”, afirmou o professor Ivan Guimarães. 

Nestes casos, os assuntos têm relação com os temas endemias e virologia. Por fim, o professor também acredita que a prova terá questões sobre o vírus do HIV.

Já na prova de Física, o professor Humberto Prates aposta nas questões ambientais como uma das únicas capazes de aparecer na prova da matéria, além de assuntos ligados à energia. “A relação (com o atual) só deve e pode aparecer na prova com a questão do Meio Ambiente. É uma questão forte, que tem sido debatida exaustivamente, e pode ser que aconteça de cair”, avaliou.

No âmbito da energia, Prates acredita que o assunto tem grande relação com assuntos específicos da disciplina. Nessa parte da prova, devem ser cobrados assuntos como ondas, conservação de energia, termodinâmica, circuitos elétrico e geração de energia elétrica. “O texto do enunciado pode tentar fazer a relação com o cotidiano. Em um  problema de ondulatória, pode falar sobre o radar. Seria um tema atual, com relação ao Efeito Doppler”, disse, citando outro exemplo.

A prova de Física é apontada como um exame técnico pelo professor Wladimir Fernandes Bezerra. “De dois anos para cá, a prova tem tido essa característica”, afirmou. Por isso, ele acredita que a avaliação pode abordar alguma descoberta científica nova, com uma adaptação para a linguagem do Enem.

Outra prova que trata dos temas ambientais é a de Química. Para Luiz Alberto Amorim, para se sair bem na disciplina, o aluno deve conhecer a função óxido para saber responder às questões sobre chuva ácida e aquecimento global. Nestes casos, os óxidos de carbono, nitrogênio e enxofre devem ser estudados. Outra aposta de Amorim é a poluição das águas e as estações de tratamento de água. “Abordando um acidente ecológico, é possível trazer essa questão”, alerta.

Os combustíveis também são apontados pelo professor como um possível tema atual a ser utilizado para contextualizar questões de termoquímica, cálculos estequiométricos, hidrocarbonetos e estequiometria. Ele ressalta que é importante reconhecer como o uso destes combustíveis impactam o meio ambiente. Por fim, ele afirma que é necessário compreender o estudo das soluções para saber determinar a concentração de certas substâncias, como poluentes.

Atualidades não tão atuais
Como a prova do Enem é preparada no começo do ano, por volta do mês de maio, questões muito recentes, como os incêndios na Amazônia, não devem entrar no exame. Por isso, o diretor de ensino e inovações educacionais do SAS plataforma de educação, Ademar Celedônio, pontua que os fatos atuais citados no teste, não são tão atuais assim. 

“Precisa testar e leva tempo para fazer isso. No Enem, só os temas que foram atualidade em cerca de um ano antes da prova devem entrar, porque é preciso montar a questão e ela tem que passar por um teste com pelo menos 1,2 mil alunos. As atualidades do ano anterior podem ser mais promissoras”, informou Celedônio.

O professor de química Victor Hugo Benevides concorda com o diretor. De acordo com ele, não dá tempo de questões muito recentes ingressarem na prova. “A gente tem que analisar o período que foi feito a prova. Para coisas muito atuais, não há tempo hábil de a banca fazer questões sobre isso”, afirmou.

Em meio às polêmicas sobre uma possível modificação na prova do Enem, Celedônio aponta que o exame não deve sofrer muitas alterações neste ano, em especial nas Ciências Naturais. “A prova do Enem utiliza o método da teoria da resposta ao item (TRI). Com isso, os itens devem ser testados antes de ir para a prova, para pegar os parâmetros desse pré-teste. O banco de questões estava lá antes do governo e a prova tem que conversar com o modelo aplicado desde 2009 para garantir o TRI”, explicou.

O educador Sérgio Magalhães acredita que esta edição da prova deve parecer com a do ano passado. “Em Naturais, a prova já vem com um aspecto mais específico, mais conceitual. É uma prova muito bem feita, inteligente”, afirmou.

Já o professor de Física Wladimir Fernandes Bezerra acredita que o exame deve ser extremamente técnico.

“Eu não acredito que assuntos polêmicos e políticos devem cair. A prova deve vir com uma linguagem mais coerente com a Física em si”, ponderou.

Já Celedônio informa que, para ser feita uma grande mudança no Enem, é necessário começar do zero um novo Banco de Questões. “Precisaria fazer uma encomenda de questões seguidos certos parâmetros. Isso poderia afetar apenas os próximos anos”, disse.

Assuntos mais cobrados
Levantamento do SAS Plataforma de Educação aponta quais assuntos são mais recorrentes no Enem em cada área do conhecimento. De acordo com o diretor de ensino e inovações do SAS plataforma de educação, Ademar Celedônio, o levantamento foi feito com as duas aplicações da prova do Enem desde 2009.

Todos os anos, a prova é aplicada duas etapas. A segunda aplicação ocorre após a primeira e é destinada para estudantes que tiveram problemas logísticos, como, falta de energia elétrica, e para adolescentes em privação de liberdade e presos. 
 
Ranking dos assuntos mais cobrados de 2009 a 2018 (1ª e 2ª aplicações)

Física
1º Mecânica 80 questões
2º Eletricidade e energia 69 questões
3º Ondulatória 53 questões
4º Termologia 42 questões
5º Óptica 22 questões

Química
1º Físico-química 90 questões
2º Química geral 81 questões
3º Química orgânica 64 questões
4º Meio ambiente 39 questões
5º Energia 26 questões

Biologia
1º Humanidade e ambiente 60 questões
2º Citologia 41 questões
3º Histologia e fisiologia 38 questões
4º Biotecnologia 27 questões
5º Fundamentos da ecologia 25 questões

*Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro


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