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Da Redação
Publicado em 26 de outubro de 2009 às 08:58
- Atualizado há 3 anos
Vai demorar para a pequena Maiquely, 4 anos, voltar a ser a criança alegre de antes. Ela foi baleada duas vezes na perna direita ao se colocar na frente do pai, o ambulante Amiltom Sales São José, 32, fuzilado no início da manhã de domingo (25), no bairro de Fazenda Grande II. >
Pelo menos dez homens entraram na casa situada na Rua Lucélia Teles e abriram fogo contra Amiltom. Assustada, a menina se livrou dos braços da mãe e correu em direção ao pai, numa ingênua tentativa de salvar sua vida. Acabou, então, sendo atingida. O crime, presenciado também pelo filho do casal de 2 anos, pode ter sido mais uma tragédia provocada pela proliferação do crack. De acordo com a família e a polícia, o ambulante era viciado na droga. >
A menina recebeu os primeiros socorros no Hospital Eládio Lasserre, em Cajazeiras II, antes de ser transferida ao Hospital Geral do Estado (HGE). Ela não corre risco de morte. A mãe, Ana Bárbara da Fonseca, 19 anos, não desgrudava da filha, que, em estado de choque, não podia falar. >
UsuárioA mãe da criança confirmou que Amiltom, com quem convivia há cerca de seis anos, era usuário de crack desde que passaram a morar juntos. Ela, porém, não soube explicar o motivo da execução. “Ele era muito reservado”, comentou. >
Ainda segundo a sobrevivente, os assassinos chegaram por volta das 5h. Ela, o marido - que passou a noite vendendo cachorro-quente, cerveja e refrigerante em uma festa no bairro - e as crianças dormiam no único quarto da casa, quando perceberam que havia gente rondando o imóvel. Os criminosos derrubaram o portão de madeira e depois ordenaram que o casal abrisse a porta da casa. >
DesesperoOs primeiros disparos ocorreram logo depois que Amilton atendeu ao chamado. Nesse momento, a mãe, apavorada, correu com as crianças para o banheiro, mas Maiquely se soltou dela e foi em direção ao pai, que ainda era alvejado. “Somente quando foram embora, percebi que ele (Amiltom) estava morto e minha filha tinha sido baleada”, contou, emocionada, Ana Bárbara. >
Desesperada, ela correu com a filha nos braços até o Loteamento Jaguaribe I (a 200m do local do crime), onde foi ajudada por populares para levar a filha ao hospital. Para a sorte da menina, as balas não ficaram alojadas no corpo. O ambulante tinha perfurações na cabeça, no tórax, nas pernas e nos braços. No local do crime, foram encontradas cápsulas de diversos calibres, entre elas de pistolas calibres ponto 45 e 380. Nada da vítima foi levado. >
HipótesesO caso está sendo investigado pela 13ª DP (Cajazeira XI). Para o delegado Carlos Henrique Coelho Santos, além da possibilidade de o crime estar relacionado com o tráfico, há outras duas hipóteses. Amiltom teria sido morto porque abrigava uma ssaltante. “Populares disseram que os bandidos chegaram procurando por um rapaz que a vítima tinha abrigado em sua casa recentemente.Como não o encontraram, mataram o ambulante”. >
A terceira hipótese é vingança. “A família disse que houve um desentendimento há pouco tempo entre o ambulante e o rapaz que hospedava na casa”, contou Santos, que deve ouvir nesta semana testemunhas, familiares e moradores da região. >
Tragédias do crack 12 de julho - Jovem mata pai e mãe. Sob efeito de crack, Diogo Bispo de Jesus, 23 anos, matou o pai, Diógenes Bispo de Jesus, 59 , e a mãe, Solange Bispo de Jesus, 41, a facadas e manteve os corpos dentro de casa durante três dias. Ele seguiu a rotina, como se nada tivesse acontecido, mas em uma breve saída de Diogo, os policiais do 18º BPM arrombaram o quarto e constataram o crime. >
16 de julho - Mãe denuncia filha. O medo fez a viúva Ana Maria de Cerqueira, 49, denunciar a filha, viciada em crack, para a polícia, depois que traficantes invadiram sua casa, na Boa Vista de São Caetano, para receber dívida de R$180 contraída pela jovem, Ana Luzia, 21, em uma boca-de-fumo do bairro. Ela, então, buscou ajuda na 4ª Delegacia. No dia seguinte, a filha, que estava desaparecida, voltou para casa. >
24 de outubro - Disputa por ponto acaba em morte. Suspeito de tráfico, Edson Neri dos Santos, o “Gafanha”, 33, foi morto a tiros em Madre de Deus, região metropolitana de Salvador. Segundo a polícia, ele teria sido executado por rivais que disputam a venda de crack em Madre de Deus e São Francisco do Conde >
No Rio, viciado de classe média mata namorada de 18 anos A estudante Bárbara Calazans, 18 anos, foi morta na manhã de sábado pelo namorado Bruno Kligierman de Melo, 26, viciado em crack desde os 20. A moça foi estrangulada no apartamento onde Bruno vivia sozinho, no Flamengo, bairro de classe média da zona sul carioca, depois de uma discussão. A mãe da vítima, Carmen Calazans, acredita que a filha tenha subido ao apartamento para chamar Bruno. Eles iriam juntos fazer um teste na Rede Globo. Os dois moravam na mesma rua. >
Bruno foi preso por PMs chamados pelo pai do assassino, o produtor cultural Luiz Fernando Prôa Melo. Às 16h de sábado, Luiz Fernando recebeu um telefonema do filho, que contou sobre o crime e ameaçou se suicidar. Bruno disse que usou crack antes de discutir com Bárbara. Afirmou que adormeceu e, ao acordar, viu o corpo.>
(Notícia publicada na edição impressa do dia 26/10/2009 do CORREIO)>