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Nauan Sacramento
Publicado em 1 de abril de 2026 às 06:00
É na Páscoa que todo chocólatra tem uma desculpa para sair do armário, é onde os ovos se tornam o doce número um nas prateleiras. Mas, o que você não sabe é que o chocolate pode ser um aliado estratégico na prevenção de doenças cardiovasculares graves. Um estudo publicado na revista científica Nature comprova que a versão amarga do alimento possui propriedades vasodilatadoras que auxiliam na função vascular e reduzem a pressão arterial. Além disso, a alta concentração de cacau atua impedindo que as plaquetas sanguíneas se agrupem, prevenindo a formação de coágulos e o risco de trombose. >
De acordo com a nutricionista Lidiane Oliveira, os benefícios estão diretamente ligados à presença de flavonoides, substâncias com potente ação antioxidante. No entanto, ela alerta que a escolha do produto é determinante para a saúde. "Quanto maior o teor de cacau, maior a quantidade de compostos benéficos e menor o teor de açúcar. Por isso, os chocolates com 70% de cacau ou mais são os mais indicados", explica a especialista. Oliveira ressalta que versões ao leite ou brancas são desaconselhadas por possuírem mais açúcar e gordura, sendo que o chocolate branco "não contém massa de cacau, o que reduz significativamente seu valor nutricional".>
Chocolate
Além da proteção do coração, o chocolate amargo é fonte de minerais como magnésio e ferro. O alimento tem sido utilizado até em estratégias para melhora do sono e do humor, já que o cacau estimula a produção de serotonina. "Na prática clínica, a gente consegue utilizar o chocolate 70% de forma estratégica. Eu utilizo em algumas fórmulas voltadas para o sono, porque ele contém compostos que participam do relaxamento", pontua Lidiane. Segundo ela, o efeito no humor existe, mas "não deve ser visto como uma solução isolada".>
Para quem deseja incluir a iguaria na dieta sem comprometer o peso, a recomendação é de 20 a 30 gramas por dia. A nutricionista reforça que o chocolate não precisa ser excluído, mesmo em dietas restritivas. "Quando bem orientado, ele pode ser um aliado, ajudando na adesão ao plano alimentar e evitando episódios de compulsão", afirma. Contudo, o segredo está na leitura atenta do rótulo no supermercado: "O ideal é que o primeiro ingrediente seja cacau ou massa de cacau. Deve-se evitar produtos com excesso de açúcar e gorduras vegetais hidrogenadas".>
As recomendações devem ser individualizadas, especialmente para idosos e crianças. Enquanto os mais velhos podem se beneficiar da proteção cardiovascular, o consumo deve ser ajustado em casos de diabetes ou uso de medicamentos. Já para os pequenos, o cuidado deve ser redobrado. "Crianças precisam de mais cuidado devido à presença de compostos estimulantes e ao impacto no paladar", adverte a nutricionista. Em todos os casos, a pureza do ingrediente é a chave para transformar o doce em um agente de saúde.>