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Aprovação de caneta emagrecedora brasileira após fim da patente do Ozempic pode derrubar preços no Brasil? Saiba mais

Especialista alerta que movimento pode intensificar a concorrência e pressionar preços em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica global

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 27 de maio de 2026 às 12:31

Canetas emagrecedoras
Canetas emagrecedoras Crédito: Reprodução

A aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, de uma caneta emagrecedora desenvolvida no Brasil após o fim da patente do Ozempic marca um novo momento no mercado de medicamentos à base de GLP-1. O movimento pode intensificar a concorrência e pressionar preços em um dos segmentos mais disputados da indústria farmacêutica global.

Sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Concorrencial e Propriedade Intelectual, Fernando Canutto avalia que o fim da patente do Ozempic não significa entrada imediata e automática de concorrentes no mercado. "Ainda existem barreiras regulatórias importantes, especialmente relacionadas ao registro sanitário perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, à comprovação de bioequivalência, estabilidade e segurança do produto, além da validação da mecânica das próprias canetas aplicadoras, que envolvem tecnologia mais sofisticada do que um medicamento tradicional, tanto que, dos aproximadamente 20 pedidos. apenas 1 foi aprovado”.

Uso indiscriminado das canetas emagrecedoras tem preocupado especialistas por Reprodução

Mesmo com o avanço de empresas nacionais, o ambiente regulatório ainda funciona como principal filtro de entrada. Isso significa que a concorrência tende a se expandir de forma gradual, condicionada à capacidade técnica e regulatória das empresas interessadas em operar no segmento.

Mudanças no mercado farmacêutico

O especialista destaca que a a entrada de farmacêuticas brasileiras no mercado de GLP-1 tende a alterar significativamente a dinâmica concorrencial na disputa um mercado bilionário que, até então, era praticamente concentrado em grupos internacionais. "Isso aumenta a pressão competitiva sobre preços, distribuição e acesso ao tratamento. Além disso, a produção local pode reduzir dependência externa e acelerar estratégias comerciais mais agressivas, forçando as multinacionais a reverem políticas de preço e até acordos de licenciamento ou parcerias industriais no Brasil”.

Na avaliação dele, o cenário também pode redefinir a estratégia global das big pharmas no país. “Esse tipo de movimento tende a forçar uma reprecificação estratégica do mercado, porque o que está em jogo não é apenas a perda de exclusividade, mas a entrada de novos modelos de produção e distribuição que alteram toda a cadeia de valor do setor farmacêutico”, conclui Canutto