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Perla Ribeiro
Publicado em 6 de maio de 2026 às 14:57
O burnout nem sempre começa com um colapso emocional, mas sim como dor física silenciosa. No Brasil, os afastamentos por esgotamento cresceram 677% em cinco anos, saltando de 628 casos em 2019 para 4.880 em 2024, segundo a Fundacentro. Em meio a esse avanço, as novas diretrizes da NR-1, que entram em vigor a partir de 26 de maio, passam a exigir que empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais no trabalho, como o estresse crônico – justamente o gatilho por trás de sintomas como gastrite persistente, dores nas costas e insônia que ainda levam pacientes a buscar o diagnóstico nos consultórios errados. >
“O burnout é uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas relacionados ao estresse crônico no contexto profissional. Dentre as principais características estão a exaustão extrema, esgotamento físico, ansiedade, depressão, alteração de humor, negatividade e falta de interesse em realizar as atividades”, explica a psiquiatra Livia Beraldo de Lima, do Sírio-Libanês. >
Estresse provoca série de doenças que causam manchas vermelhas na pele
No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece o burnout como um distúrbio relacionado ao trabalho, associado à exaustão extrema, estresse e esgotamento físico, além de sintomas como dores no corpo, tontura e fadiga persistente. Do ponto de vista fisiológico, o impacto vai além da saúde mental. A condição provoca alterações no sistema nervoso autônomo, mantendo o organismo em um estado de "luta ou fuga" constante. >
Nessa dinâmica, o corpo perde a capacidade de retornar ao estado de descanso, elevando os níveis de cortisol – hormônio responsável pelo estresse - por períodos prolongados. “Os impactos do burnout não são apenas emocionais, mas também físicos, e podem incluir desde alterações no sono até prejuízos cognitivos importantes, como dificuldade de concentração e memória”, afirma a médica. >
Quando o excesso de dedicação mascara o problema >
A dificuldade em identificar o burnout precocemente muitas vezes reside na confusão com outra condição correlata, embora menos óbvia, o burnon. “O termo burnon tem sido utilizado para situações em que há dedicação excessiva ou obsessão pelo trabalho, com dificuldade de impor limites. A pessoa acredita que sua entrega nunca é suficiente e mantém níveis elevados de exigência pessoal”, diz Livia. >
Nesse padrão, o corpo também paga o preço. O estado de alerta constante mantém o cortisol elevado, o que pode impactar o sistema cardiovascular, aumentar o risco de hipertensão e comprometer a imunidade. Psicologicamente, surgem a ansiedade crônica, insônia e, com o tempo, o próprio burnout. Entre os sinais mais comuns estão a hiperatividade no trabalho, o perfeccionismo, a dificuldade de relaxar e a sensação persistente de estar sempre devendo mais. >
Mesmo cansada, a pessoa segue produzindo, muitas vezes mascarando sintomas físicos e emocionais. A especialista afirma que práticas simples, como respiração diafragmática e exercícios físicos regulares, ajudam o cérebro a reduzir a produção de hormônios do estresse. Em quadros mais graves, com perda de memória ou cansaço persistente mesmo após o repouso, a busca por ajuda profissional é indispensável. >
“Sinais como exaustão que não melhora, insônia persistente ou o uso de substâncias para ‘desligar’ indicam a necessidade de apoio especializado. Reconhecer que o trabalho não pode ser o único eixo da vida é o primeiro passo para uma produtividade sustentável e para a preservação da saúde mental”, finaliza Livia. >
Checklist: >
Você pode ter burnout se... Identificar o esgotamento antes do colapso total é fundamental. Se você se identifica com os pontos abaixo, é hora de acender o sinal amarelo e rever sua relação com o trabalho:
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Você pode ter burnon se... Diferente do burnout, o burnon é o esgotamento de quem continua produzindo a todo vapor, mas sob um estado de alerta constante que consome a saúde silenciosamente. Fique atento se: