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Perla Ribeiro
Publicado em 6 de maio de 2026 às 14:29
Acordar cansado, mesmo depois de várias horas na cama, é um sinal que costuma ser ignorado até começar a interferir na rotina. A sensação pode aparecer como peso no corpo, dificuldade de concentração, irritabilidade logo pela manhã, sonolência durante o dia ou falta de energia para iniciar tarefas simples. Em muitos casos, o problema não está apenas na quantidade de horas dormidas, mas na qualidade do sono, na tensão emocional acumulada e na incapacidade do organismo de alcançar um descanso realmente reparador. >
Doutora em Enfermagem Líder em Aromaterapia e Práticas Integrativas, Talita Pavarini explica que a aromaterapia pode ser uma ferramenta complementar nesse processo por atuar sobre vias sensoriais diretamente ligadas ao relaxamento. Com experiência em protocolos clínicos de óleos essenciais, ela defende o uso técnico da prática, sempre associado à avaliação individual e a hábitos consistentes de saúde.>
Insônia - como ter um sono melhor
A relação entre aromaterapia, sono e fadiga tem sido investigada pela ciência. Um ensaio clínico publicado em 2025 na revista Supportive Care in Cancer avaliou pacientes com malignidades hematológicas em tratamento quimioterápico e mostrou que a inalação de óleo essencial de lavanda por 20 minutos antes de dormir, durante cinco noites consecutivas, melhorou significativamente a qualidade do sono e reduziu os níveis de fadiga em comparação ao grupo controle. >
Embora o estudo tenha sido realizado com uma população específica, os achados reforçam o potencial da aromaterapia como intervenção complementar em quadros nos quais sono ruim e cansaço persistente caminham juntos. Estresse crônico, excesso de telas à noite, ansiedade, alimentação inadequada, dor, apneia do sono, alterações hormonais e uso de determinados medicamentos estão entre os fatores mais comuns para acordarmos cansados.>
Por isso, a aromaterapia não deve ser apresentada como solução isolada, mas como parte de uma estratégia de regulação do corpo. Óleos como lavanda (Lavandula angustifolia), bergamota, camomila-romana e manjerona são frequentemente associados a estados de calma, desaceleração mental e relaxamento muscular.>
“O sono reparador depende de um organismo capaz de sair do estado de alerta. A aromaterapia pode ajudar nessa transição, especialmente quando o aroma é usado dentro de uma rotina noturna estruturada, com dose adequada, via segura e escolha correta do óleo essencial”, afirma Talita.>
O mecanismo envolve o sistema olfativo. Ao inalar um óleo essencial, compostos voláteis estimulam receptores nas vias nasais e enviam sinais para áreas cerebrais relacionadas às emoções, à memória e à resposta ao estresse. Essa conexão explica por que determinados aromas podem favorecer a sensação de segurança, reduzir a tensão e preparar o corpo para o descanso. O efeito não depende apenas do cheiro agradável, mas da composição química do óleo, do contexto de uso e da resposta individual.>
Na prática, a aromaterapia pode ser aplicada de diferentes formas para quem acorda cansado. Difusores usados por tempo limitado antes de dormir, inaladores pessoais, escalda-pés aromáticos e massagens com óleos diluídos são alternativas comuns. A lavanda (Lavandula angustifolia) costuma ser indicada para relaxamento, enquanto a laranja-doce pode auxiliar na sensação de acolhimento emocional. Pela manhã, óleos mais estimulantes, como hortelã-pimenta e alecrim, podem ser utilizados com cautela para promover clareza mental, desde que não haja contraindicações.>
A regularidade é um ponto central. Usar um aroma apenas uma vez tende a produzir efeito limitado. Quando incorporado a uma rotina de higiene do sono, com redução de luz artificial, menor exposição ao celular, horário mais estável para dormir e ambiente adequado, o estímulo olfativo passa a funcionar como um sinal para o cérebro desacelerar. Esse tipo de ritual ajuda o corpo a reconhecer o período de repouso e facilita a construção de um padrão mais saudável.>