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Perla Ribeiro
Publicado em 20 de maio de 2026 às 16:46
O Acidente Vascular Cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame, continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade no Brasil e no mundo. Mas um movimento tem chamado a atenção de especialistas nos últimos anos: o aumento de casos em pacientes mais jovens e a demora no reconhecimento dos sintomas, mesmo diante de sinais clássicos da doença.
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A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) faz um alerta para a importância da conscientização sobre os fatores de risco e, principalmente, sobre os primeiros sintomas do AVC, já que o tempo entre o início dos sinais e o atendimento médico pode ser decisivo para reduzir sequelas e salvar vidas.>
AVC: reconheça os sinais antes que seja tarde
Dados divulgados pela Agência Brasil, com base em levantamentos nacionais de saúde, mostram que uma pessoa morre por AVC a cada seis minutos no país. Entre 2019 e 2024, o Brasil registrou mais de 85 mil internações relacionadas à doença, com custos hospitalares superiores a R$910 milhões.>
Além do impacto sobre idosos, médicos observaram um crescimento preocupante entre adultos jovens. Informações do Ministério da Saúde apontam que as internações por AVC em pessoas com até 39 anos cresceram cerca de 59% na última década. Segundo especialistas, fatores como hipertensão arterial, obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse crônico, má alimentação, diabetes, colesterol elevado e uso de álcool e drogas têm contribuído diretamente para esse cenário. >
“O AVC ainda é muito associado ao envelhecimento, e isso faz com que muitos sinais sejam ignorados em pacientes jovens. Hoje, vemos pessoas de 30, 40 anos chegando aos hospitais com quadros graves, muitas vezes após demorarem para procurar atendimento por não imaginarem que poderiam estar sofrendo um AVC”, afirma a Diretora de Comunicação da SBN e neurocirurgiã, Vanessa Milanese.>
A especialista explica ainda que existem dois tipos principais da doença: o AVC isquêmico, causado pela obstrução de vasos sanguíneos no cérebro e responsável pela maior parte dos casos, e o AVC hemorrágico, provocado pelo rompimento de vasos cerebrais, geralmente associado a quadros mais graves.>
Nos pacientes mais idosos, o AVC costuma estar relacionado ao envelhecimento vascular e ao acúmulo de doenças crônicas ao longo da vida. Já entre os mais jovens, os médicos observam maior influência de hábitos de vida inadequados, hipertensão não diagnosticada, uso de substâncias ilícitas, cigarros eletrônicos e altos níveis de estresse.>
“Existe uma falsa sensação de proteção entre pessoas mais jovens. Muitas pessoas convivem com pressão alta, diabetes ou alterações cardiovasculares sem qualquer acompanhamento médico. Em alguns casos, o AVC acaba sendo o primeiro grande sinal de que havia um problema silencioso acontecendo”, alerta a neurocirurgiã.>
A SBN destaca que o reconhecimento rápido dos sintomas continua sendo um dos maiores desafios no combate à doença. Fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender frases, assimetria facial, perda repentina da visão, tontura, dificuldade de equilíbrio e dores de cabeça súbitas e intensas estão entre os principais sinais de alerta. Ainda assim, muitos pacientes demoram para procurar atendimento por acreditarem que os sintomas são passageiros ou pouco graves.>
“O AVC é uma emergência médica. Existe uma janela de tempo extremamente importante para iniciar o tratamento e reduzir danos cerebrais. Quanto mais rápido o paciente chega ao hospital, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas permanentes”, explica Vanessa Milanese.>
Além das consequências físicas, especialistas também chamam atenção para os impactos emocionais, sociais e financeiros provocados pela doença. Muitos pacientes passam a conviver com limitações motoras, dificuldades cognitivas e afastamento das atividades profissionais, exigindo longos períodos de reabilitação.>
Dados nacionais mostram ainda crescimento constante dos custos hospitalares relacionados ao AVC, acompanhando o aumento das internações nos últimos anos. Para a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, ampliar a informação sobre prevenção e diagnóstico precoce é essencial diante do avanço da doença em diferentes faixas etárias.>
“A população precisa entender que o AVC não escolhe idade. A informação salva vidas. Reconhecer os sintomas rapidamente e buscar atendimento imediato pode mudar completamente o prognóstico do paciente”, finaliza a especialista. A entidade reforça que a prevenção continua sendo a melhor estratégia. Controlar pressão arterial, diabetes e colesterol, praticar atividade física regularmente, manter alimentação equilibrada, evitar cigarro e consumo excessivo de álcool, além de realizar acompanhamento médico periódico, são medidas fundamentais para reduzir os riscos.>