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Mariana Rios
Publicado em 14 de maio de 2026 às 09:57
O sequenciamento genético do hantavírus associado ao surto no navio de expedição MV Hondius apontou a cidade argentina de San Martín de los Andes, na Patagônia, como provável local do primeiro contágio da doença. A descoberta foi feita após cientistas compararem o material genético coletado de seis pacientes infectados com bancos internacionais de dados sobre o vírus. >
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou até agora 11 casos ligados ao surto, distribuídos em sete países, além de três mortes. Segundo o médico geneticista Salmo Raskin, diretor científico da Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica, as análises foram conduzidas por centros de pesquisa da Suíça e permitiram rastrear o que seria o “ponto zero” da infecção. As informações são do jornal O Globo.>
Os pesquisadores identificaram que o vírus pertence ao chamado “clado 3” do hantavírus andino — o mesmo encontrado em dois casos registrados em 2018 em San Martín de Los Andes. Segundo Raskin, isso reforça a hipótese de que um casal de holandeses, os primeiros passageiros a apresentarem sintomas, tenha sido infectado durante atividades de observação de aves na região argentina antes de embarcar no cruzeiro.>
"Agora conseguimos concluir que o vírus é extremamente parecido com o clado 3 encontrado em San Martín de Los Andes. Isso dá uma pista muito forte sobre onde provavelmente aconteceu a infecção inicial", afirmou o geneticista.>
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As análises também mostraram que as seis amostras sequenciadas possuem praticamente o mesmo RNA viral, indicando transmissão em cadeia dentro da embarcação. O hantavírus andino é um dos poucos tipos conhecidos capazes de transmissão entre humanos.>
O caso vinha sendo comparado ao famoso surto de hantavírus ocorrido em Epuyén, no sul da Argentina, em 2018, quando uma festa de aniversário terminou com 34 infectados e 11 mortos. Na ocasião, cientistas comprovaram pela primeira vez a transmissão do vírus entre pessoas.>
Agora, porém, o sequenciamento revelou que o vírus atual pertence a um subtipo diferente. Enquanto o surto de Epuyén envolvia o “clado 2”, o encontrado no navio pertence ao “clado 3”.>
"Eles são muito parecidos, mas não iguais. Ainda sabemos muito pouco sobre o clado 3", explicou Raskin.>