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Em que idade começa a doença de Alzheimer?

Detecção precoce pode dar mais tempo para planejar, acessar cuidados e se beneficiar de tratamentos que podem retardar a progressão

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 20 de maio de 2026 às 16:27

Alzheimer
Em que idade começa a doença de Alzheimer? Crédito: Shutterstock

Mudanças biológicas sutis associadas à doença de Alzheimer podem começar já no final dos 50 anos — décadas antes do aparecimento de perda de memória ou outros sintomas — de acordo com novas pesquisas da Mayo Clinic. O estudo, publicado em Alzheimer’s & Dementia: The Journal of the Alzheimer’s Association, mapeia quando as principais alterações cerebrais e sanguíneas tendem a se acelerar ao longo da vida, oferecendo novas informações sobre quando os esforços de detecção e prevenção podem ter o maior impacto.

A doença de Alzheimer, a forma mais comum de demência, afeta cerca de 6,9 milhões de pessoas nos Estados Unidos com 65 anos ou mais. Envolve alterações anormais em proteínas como amiloide e tau que podem começar anos antes dos sintomas, e está associada ao declínio cognitivo. Atualmente não há cura.

Rebecca Luna conta que experimentava uma série de lapsos de memória e desatenções por Reprodução

Pesquisadores da Mayo Clinic identificaram quando essas mudanças tendem a ocorrer ao longo da vida. A detecção mais precoce pode dar aos pacientes e às famílias mais tempo para planejar, acessar cuidados e se beneficiar de tratamentos que podem retardar a progressão.

Utilizando dados de 2.082 participantes do estudo de longa duração Estudo da Mayo Clinic sobre o envelhecimento, os pesquisadores analisaram uma ampla gama de medidas — incluindo biomarcadores sanguíneos, neuroimagem cerebral e desempenho cognitivo — para identificar quando começam a se acelerar as alterações relacionadas ao Alzheimer.

"Este estudo populacional fornece uma visão integrada dos padrões relacionados à idade em múltiplos biomarcadores do Alzheimer medidos no sangue e por imagem, além da cognição", afirma Mingzhao Hu, Ph.D., professor assistente no Departamento de Ciências Quantitativas da Saúde da Mayo Clinic e primeiro autor do estudo.

"Ao estimar as idades em que as mudanças nos marcadores de saúde se tornam mais perceptíveis, os resultados mostram que muitos desses deslocamentos tendem a ocorrer do final dos 50 aos primeiros 70 anos."

O futuro da detecção do Alzheimer

"À medida que a pesquisa sobre Alzheimer se volta para prevenção e tratamento mais precoce, os biomarcadores sanguíneos terão um papel central na identificação de quem está mais bem indicado para essas terapias”, afirma Jonathan Graff-Radford, M.D., chefe de Neurologia Comportamental da Mayo Clinic e autor sênior do estudo.

"Saber quando esses biomarcadores começam a mudar, e em que momento se relacionam com o comprometimento cognitivo, ajuda a indicar as idades em que o rastreamento preventivo pode ter o maior impacto". Os pesquisadores descobriram que muitos biomarcadores relacionados ao Alzheimer mostram que as mudanças começam a se acelerar em idades específicas.

Quedas mensuráveis no desempenho cognitivo foram observadas a partir do final dos 50 anos, seguidas por uma acumulação mais rápida de amiloide no cérebro em pessoas no início dos 60 anos — apontando para uma janela no início dos 60 anos em que as mudanças cognitivas e de amiloide se tornam mais pronunciadas. O acúmulo de proteínas beta-amiloide que se agregam formando placas no cérebro é uma das principais características da doença.

Entre o final dos 60 e o início dos 70 anos, biomarcadores de patologia tau e neurodegeneração mostram aumentos mais pronunciados. Vários marcadores sanguíneos — incluindo níveis plasmáticos de GFAP, NfL e p-tau — apresentam mudanças mais acentuadas entre aproximadamente 68 e 72 anos, juntamente com atrofia cerebral mais evidente, especialmente em regiões relacionadas à memória. Emergiram duas janelas amplas, por volta do início dos 60 anos para cognição e PET de amiloide, e por volta do final dos 60 ao início dos 70 anos para vários marcadores sanguíneos e de neurodegeneração, destacando esses períodos de transição no processo de envelhecimento.

Avanço em direção à detecção mais precoce

Compreender a linha do tempo da progressão da doença de Alzheimer pode ser fundamental para mudar o cuidado de tratamentos em fases tardias para detecção e prevenção mais precoces. Os pesquisadores ressaltam que os achados refletem tendências populacionais gerais, e não previsões precisas para cada indivíduo. No entanto, eles oferecem direcionamentos para pesquisas futuras, incluindo avaliar se esses "pontos de inflexão" podem prever declínio cognitivo, confirmar os resultados em populações mais diversas e acompanhar indivíduos ao longo do tempo para entender melhor como a doença progride.

Os resultados do estudo também reforçam o papel crescente dos exames de sangue na pesquisa e no cuidado do Alzheimer. Esses testes mostraram padrões semelhantes aos da neuroimagem, sugerindo que podem ser usados para monitorar mudanças relacionadas à doença ao longo do tempo e identificar pessoas em maior risco.

"Quando se pensa em rastreamento populacional, a questão crítica é o momento”, afirma o Dr. Graff-Radford. “Não se deve começar cedo demais, antes de os biomarcadores mudarem, e este trabalho ajuda a começar a abordar essa questão", acrescenta o Dr. Graff-Radford.

O trabalho também contribui para pesquisas em rastreamento e monitoramento ao identificar faixas etárias em que os exames de sangue podem ser mais informativos. Além disso, vários padrões de marcadores sanguíneos foram consistentes entre duas plataformas laboratoriais amplamente utilizadas, o que reforça que os achados não estão ligados a um único ensaio.

Esta pesquisa faz parte de um esforço mais amplo da Mayo Clinic conhecido como iniciativa Precure. Ela se concentra no desenvolvimento de ferramentas para ajudar os médicos a detectarem e tratarem alterações relacionadas à doença mais precocemente, antes que os sintomas apareçam ou as condições se tornem mais difíceis de tratar.