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Agência Einstein
Publicado em 4 de junho de 2026 às 13:55
Náuseas, vômitos e intolerância a determinados cheiros e alimentos são comuns na gravidez e podem ter um papel protetivo para o desenvolvimento do bebê. É o que sugere um estudo de universidades nos Estados Unidos e na Austrália, publicado recentemente no periódico Evolution, Medicine, and Public Health. >
O trabalho acompanhou 58 gestantes saudáveis no sul da Califórnia (EUA), com idades entre 20 e 42 anos. A maioria apresentava sobrepeso antes da gravidez. Ao longo da gestação, elas responderam a questionários sobre náuseas, vômitos, aversões alimentares e sensibilidade a odores. >
Espirros na grávidez nem sempre indicam riscos
Além disso, amostras de plasma sanguíneo foram coletadas entre a quinta e a 17ª semanas de gestação, abrangendo o primeiro e parte do segundo trimestre. Os pesquisadores analisaram os níveis de citocinas pró-inflamatórias — moléculas que regulam a resposta do sistema imunológico e influenciam áreas do sistema nervoso central relacionadas ao apetite, à percepção de odores e à sensação de náusea.>
Os resultados sugerem associação entre níveis mais elevados dessas citocinas e maior ocorrência de náuseas e vômitos. Isso corrobora a hipótese de que as aversões olfativas e alimentares típicas da gestação podem representar uma adaptação biológica destinada a reduzir a exposição do feto a substâncias potencialmente nocivas.>
Contudo, mais evidências são necessárias. “Trata-se de um estudo observacional, com amostra relativamente pequena e população específica, o que faz com que os resultados gerem hipóteses biológicas relevantes, mas que ainda não permitem afirmar causalidade nem generalizar suas conclusões para todas as gestantes”, afirma o ginecologista e obstetra Nélio Veiga Junior, pesquisador de pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo.>
Outras particularidades do trabalho merecem um olhar cauteloso. “Além de ter uma quantidade muito pequena de voluntárias, todas hispânicas e com tendência à obesidade, as questões ligadas a náuseas na gestação são bem particulares e, muitas vezes, ligadas a fatores psicológicos”, afirma o ginecologista e obstetra Corival Lisboa Alves de Castro, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.>
Como lidar com os enjoos>
Embora a ciência ainda busque entender se o mal-estar típico da gestação desempenha alguma função, fato é que ele merece atenção. Até porque, se os enjoos e vômitos forem muito intensos, podem desencadear desnutrição e desidratação, o que iria contra os achados da pesquisa. >
Entre as medidas que podem ajudar a reduzir o desconforto e melhorar a qualidade de vida da gestante estão fracionar as refeições ao longo do dia, evitar ingerir líquidos e sólidos ao mesmo tempo, não permanecer longos períodos em jejum e, pela manhã, preferir alimentos secos. >
Também é importante manter a hidratação em pequenos volumes, evitar cheiros que possam desencadear mal-estar, reduzir o consumo de alimentos gordurosos ou muito condimentados e adaptar a dieta de acordo com os itens mais bem tolerados pela mulher. “O uso de substâncias antieméticas também pode ser necessário, assim como o de medicamentos destinados a questões psicológicas, como ansiedade e depressão, sempre com a indicação e acompanhamento do médico”, orienta Corival Castro.>