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Perla Ribeiro
Publicado em 6 de maio de 2026 às 12:59
Sentir as pernas pesadas no fim do dia é uma queixa frequente e muitas vezes negligenciada. Seja após horas em pé, longos períodos sentado ou uma rotina intensa, o desconforto costuma ser tratado como algo natural. No entanto, quando esses sintomas se tornam recorrentes, com uma piora aparentemente sem causa que justifique, ou vêm acompanhados de outros sinais como o inchaço, veias mais visíveis, vermelhidão, podem indicar alterações na circulação que merecem uma investigação mais aprofundada.
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Segundo a cirurgiã vascular e angiologista do Ceparh, Túlia Brasil, é fundamental observar o padrão dos sintomas. “O corpo sinaliza. No início, pode ser apenas um desconforto leve. O cansaço considerado ‘normal’ costuma aparecer após esforço prolongado e melhora com repouso, elevação das pernas ou uma noite de sono adequada. Porém, com o tempo, surgem inchaço, dor, sensação de queimação e até alterações visíveis na pele. Esses sinais são um pedido de ajuda do nosso organismo. Ignorar essa evolução pode atrasar diagnósticos e tratamentos importantes”, explica.>
Varizes e trombose
“Um ponto importante é a unilateralidade. Quando o inchaço ou a dor ocorre em apenas uma perna, o sinal de alerta deve ser ainda maior, pois pode indicar uma complicação muito temida e muitas vezes evitável: a trombose”, destaca a médica.>
“As mudanças no estilo de vida moderno, com longos períodos em frente ao computador e baixa movimentação, têm contribuído para o aumento desses quadros, inclusive em pessoas mais jovens”, ressalta Dra. Túlia.>
Por que as mulheres são mais afetadas?>
As mulheres estão entre as principais pacientes com queixas vasculares. A explicação está, principalmente, na influência hormonal. “O estrogênio e a progesterona têm impacto direto na elasticidade das veias. Isso, somado a fatores como gravidez e uso de anticoncepcionais, aumenta a predisposição feminina para desenvolver varizes e insuficiência venosa”, explica a especialista.>
Diagnóstico>
Ao perceber sintomas persistentes, a recomendação é procurar um angiologista ou cirurgião vascular. Além da avaliação do histórico de saúde e do exame físico, temos o ultrassom Doppler, que é o exame inicial de escolha para avaliação da circulação e permite visualizar o fluxo sanguíneo e identificar alterações nas veias.>
“O diagnóstico precoce é essencial para evitar a progressão da doença e indicar o tratamento mais adequado, que pode ir desde medidas clínicas até procedimentos minimamente invasivos”, afirma.>
Automedicação: riscos silenciosos>
Muitas pessoas recorrem a pomadas, massagens ou medicamentos sem orientação médica. Embora possam aliviar temporariamente os sintomas, essas práticas não tratam a causa do problema.>
“O maior risco é mascarar sinais importantes e retardar o diagnóstico de condições mais graves. Em casos de trombose, por exemplo, o tempo de resposta é crucial”, alerta Dra. Túlia.>
Prevenção: hábitos simples fazem diferença real>
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Quando não tratar pode virar algo sério>
Sem acompanhamento adequado, doenças vasculares podem evoluir para complicações como:>
“Cuidar da saúde vascular é cuidar da qualidade de vida. Sintomas que parecem simples podem ser o início de algo mais complexo. Quanto mais cedo o paciente busca orientação, maiores são as chances de um tratamento eficaz e menos invasivo”, finaliza a Dra. Túlia Brasil.>