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Tabagismo e coração: como o cigarro aumenta o risco de infarto e outras doenças cardiovasculares

Estima-se que o tabaco cause mais de 8 milhões de mortes ao ano no mundo, sendo uma das principais causas evitáveis de morte prematura

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 26 de maio de 2026 às 17:37

Pessoa fumando cigarro
Pessoa fumando cigarro Crédito: Shutterstock

Celebrado em 31 de maio, o Dia Mundial de Combate ao Tabagismo faz um alerta importante sobre uma das principais causas evitáveis de morte prematura. Estima-se que o tabaco seja responsável por mais de 8 milhões de mortes ao ano no mundo, além de estar associado a diversos tipos de câncer, doenças respiratórias crônicas e comprometimento do sistema imunológico, impactando diretamente a qualidade e a longevidade da vida.

Além disso, fumar é um dos maiores fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares1. “A dependência da nicotina causa alterações na circulação sanguínea, favorecendo a formação de placas de gordura nas artérias e aumentando o risco de infarto e AVC”, explica o cardiologista Jairo Lins Borges, médio consultor da Libbs.

Cigarro tradicional: A combustão do tabaco libera fumaça com milhares de substâncias químicas, incluindo alcatrão e monóxido de carbono. O cigarro convencional segue sendo associado às maiores taxas de doenças ligadas ao tabagismo por Reprodução/IA generativa

O cigarro é composto por mais de 7 mil substâncias químicas, incluindo nicotina, monóxido de carbono e agentes tóxicos que provocam alterações no organismo. Essas substâncias contribuem para o estreitamento dos vasos sanguíneos, aumentam a inflamação e favorecem o surgimento de placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose.

Relação entre tabagismo e infarto

O infarto ocorre quando o fluxo de sangue para o coração é interrompido, geralmente devido à obstrução súbita de uma artéria coronária. O tabagismo é um dos principais fatores de risco para esse problema, estando associado a cerca de 25% dos casos de infarto agudo do miocárdio.

A nicotina presente no cigarro provoca aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, além de estimular a liberação de substâncias que causam vasoconstrição, ou seja, o estreitamento dos vasos sanguíneos. Esse processo dificulta a circulação e aumenta o esforço do coração para bombear o sangue.

“O risco de infarto não está relacionado apenas à quantidade de cigarros fumados por dia, mas também ao tempo de exposição ao tabaco. Quanto mais cedo ocorre a interrupção do hábito, maiores são os benefícios para o coração”, afirma Borges.

Fumar também aumenta o risco de AVC

O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo de sangue para o cérebro, podendo causar sequelas permanentes e até levar à morte. O tabagismo pode aumentar de duas a quatro vezes a probabilidade de ocorrência do problema em comparação a pessoas não fumantes.

Estudos indicam que o risco de recorrência de AVC também é maior em indivíduos que continuam fumando após o primeiro episódio. Além disso, existe uma relação entre a quantidade de cigarros consumidos e o aumento do risco, que pode ser até duas vezes maior em pessoas que fumam a partir de 20 cigarros por dia.

Cigarro eletrônico também traz riscos ao coração

Apesar de muitas vezes serem vistos como alternativas supostamente menos prejudiciais, os cigarros eletrônicos também apresentam impactos negativos sobre o sistema cardiovascular. Pesquisas apontam que a presença de nicotina nesses dispositivos está associada ao aumento da pressão arterial, da frequência cardíaca e do estresse oxidativo.

O uso regular de dispositivos eletrônicos para fumar também está relacionado à inflamação dos vasos sanguíneos e desenvolvimento de aterosclerose. Para se ter uma ideia, usuários desses dispositivos têm uma probabilidade quase duas vezes maior de sofrer infarto em comparação com quem não fuma.

Parar de fumar reduz os riscos para o coração

Diante dos riscos, fica claro que interromper o tabagismo traz impactos importantes para a saúde cardiovascular. Poucos minutos após o último cigarro, já ocorre redução da frequência cardíaca e melhora da circulação sanguínea.

Com o passar do tempo, o risco de doenças cardiovasculares diminui progressivamente. Após um ano sem fumar, o risco pode cair pela metade; após cerca de 10 a 15 anos, torna-se similar ao de pessoas que nunca fumaram.

De acordo com Borges, parar de fumar é uma das medidas mais eficazes para proteger o coração. “Mesmo quem fumou por muitos anos pode obter benefícios significativos ao abandonar o hábito”, finalizou.