Confira o que aconteceu no segundo dia do júri de Kátia Vargas

salvador
06.12.2017, 06:44:24
Atualizado: 07.12.2017, 11:16:18
Salão do Júri do Fórum Ruy Barbosa no segundo dia do julgamento de Kátia Vargas (Foto: TJ-BA/Divulgação)

Confira o que aconteceu no segundo dia do júri de Kátia Vargas

Médica foi inocentada pela morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes

Dois dias após o início do julgamento pela morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, a médica Kátia Vargas Leal Pereira foi absolvida nesta quarta-feira (6). A decisão do júri popular foi de 4 votos a favor da absolvição e um contrário. O acidente aconteceu em 11 de outubro de 2013, no bairro de Ondina, em Salvador. 

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VEJA NOSSA COBERTURA EM TEMPO REAL DO SEGUNDO DIA DO JULGAMENTO

20h43
O fotógrafo do CORREIO Betto Jr. flagrou a saída de Kátia Vargas do Fórum Ruy Barbosa. Ao lado dela, a filha, Carol. No banco do carona, o advogado de defesa, José Luis de Oliveira Lima.

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Confira a íntegra da sentença da juíza Gelzi Maria Almeida Souza que absolve Kátia Vargas, após decisão de jurados.

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‘Terá recurso e terá luta’, diz Marinúbia após absolvição de Kátia Vargas

20h15
O advogado da defesa de Kátia Vargas, José Luis de Oliveira Lima, comemorou o resultado do julgamento. 

“Eu pedi pela justiça. É lógico que eu saio satisfeito com o resultado”, disse o advogado da médica, ao deixar fórum. 

Sobre a intenção da acusação de recorrer da decisão, comentou: “Faz parte do debate jurídico. Respeito a decisão do Ministério Público, mas o que cabe aqui é que, nesse momento, Kátia foi absolvida pelo plenário do Tribunal do Júri”.

Salão do Júri vazio, após julgamento. Kátia Vargas ouviu veredicto de inocência sentada na cadeira do meio (Foto: Alexandre Lyrio/CORREIO)

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Daniel Keller, advogado assistente da acusação, criticou a decisão dos jurados, e falou também que o processo ainda não acabou.

“Nós estamos apenas na primeira instância. Como eu disse no momento em que cheguei ao júri, hoje, independente do resultado, cabe recurso de ambas as partes. Nesse caso, houve uma condenação apenas por um voto, ou seja, uma votação apertada e cabe recurso. Estamos apenas na primeira instância. Nós vamos apelar ao Tribunal de Justiça contra essa decisão e, a depender do caso, pode ser que o tribunal anule esse júri”, afirmou.

Batalha perdida - Ao reforçar a decisão de recorrer do júri, Keller comparou o processo a uma guerra. "Vamos apelar e pedir a reforma dessa decisão. Ainda cabe recurso ao tribunal, ao STJ e ao STF. A família vê isso como uma espécie de guerra. Isso foi só uma batalha. Nós vínhamos vencendo todas as batalhas até aqui. Foi uma luta de quatro anos para chegar até aqui. Tivemos o revés, tivemos uma derrota, perdemos uma batalha, mas a guerra ainda não acabou", comentou.

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20h
A repercussão do caso continua na saída do Fórum. "Ela vai dormir sabendo que tirou a vida de dois irmãos. Ela nunca vai ter paz", diz Vanessa Lima, amiga da família de Emanuel e Emanuelle.

Mércia Gomes, tia das vítimas, revoltada com absolvição.

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Familiares ensaiam coro de justiça. 

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Daniel Keller, advogado assistente de acusação, comenta decisão dos jurados:

"O jurado não precisa dizer a razão pela qual ele condena ou absolve. Os jurados entenderam que ela não bateu na moto, que não houve impacto. Ela não foi condenada por homicídio culposo, não houve o entendimento de que ela não tinha intenção de matar. Não. A decisão foi no sentido de que não houve impacto, de que a moto caiu sozinha. Foi assim que o júri entendeu. Por que? Não sei. Não sei o que se passou na cabeça dos jurados."

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Estudantes de Direito que acompanharam julgamento comentam veredicto:

"Eu assisti os dois dias do júri e assisti todas as testemunhas. Acredito que Kátia Vargas não seja a pior pessoa no mundo, mas ela não podia sair ilesa disso porque dá para ver claramente nos vídeos, nos depoimentos, em todos os lugares, que não foi um acidente. Não foi uma coisa que aconteceu por acaso. Ela foi atrás deles, então ela causou - mesmo que ela não tivesse o objetivo - a morte deles. Tinha que ter sido no mínimo um homicídio culposo. Ela causou o acidente que matou eles, então no mínimo isso." (Caroline Simões)

"Foi mais um momento que desanimou a gente de continuar lutando para o nosso país. A gente vê que o que o que estamos estudando não é respeitado pelos profissionais da área. Acho que deveria ser pelo menos um homicídio culposo. Qualquer pena deveria ter sido dada pelo menos para ela não sair impune." (Maria Clara Teixeira)

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Mãe de Emanuel e Emanuelle comenta resultado do júri

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Parentes de Emanuel e Emanuelle se revoltam com absolvição: 'Vou matar Kátia Vargas'

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Demitila Santos, advogada que acompanhou o júri diz que a defesa fez um trabalho brilhante. "Se ateve aos atos, aos fatos que tavam nos autos e fizeram um trabalho técnico perfeito. Me decpcionaram o Ministério Público, me decepcionou o advogado Daniel Keller. Achei infantil a atitude deles de berrar, de gritar... Faltou técnica, faltou ser advogado naquele momento. E que justiça é essa? A gente passou dois dias acompanhando o caso e a gente soube pela mídia o resultado. Antes de ser proferida a sentença, a mídia já sabia o resultado, inclusive com números. Que justiça é essa? Estou falando da seriedade da nossa justiça. Pelo que vi ali, concordo plenamente com o resultado", comentou.

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Apesar do resultado ter sido divulgado pelos representantes do MP, a juíza ainda está nos salão do júri para proferir a sentença. 

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"Lutei quatro anos pelo júri popular e agradeço a Deus hoje por ter conseguido o que várias pessoas não conseguem. Ela foi inocentada. Ninguém sabe como. Cabe recurso. Vamos recorrer. Deus está no controle. É normal o descontrole de Mércia [irmã dela que gritou que mataria Kátia Vargas] porque Emanuel é como um filho. É uma dor muito grande. Eu vou recorrer através do Ministério Público, dos meus advogados e eu não lutei quatro anos para nada. Vou continuar lutando. Continuarei lutando. A luta continua. A justiça não foi feita. Continuo acreditando na justiça. Não vai ficar impune. Eu já fui avisada por Deus. Eu já esperava que ela fosse condenada ou inocentada. Eu já esperava por isso", disse Marinúbia Gomes. 

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Decisão manifestamente contrária à prova dos autos. Cabe recurso. Nós vamos interpor e esperar que seja acolhido pelo Tribunal de Justiça. (Luciano Assis, promotor) 

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"Indignação, porque quatro pessoas sem compromisso com a justiça sentaram ali pré-determinadas a absolver uma pessoa que cometeu um crime bárbaro. Ou seja, elas votaram em uma coisa que nem a defesa pediu, elas negaram. Ou seja, é como se dissessem que aqueles dois jovens tivessem se matado, que ela não estava ali. absurdo. eu hoje como baiano me sinto envergonhado com quatro pessoas irresponsáveis e sem compromisso nenhum com a justiça. a justiça nesse país é para negro e para pobre", declara Davi Gallo. 

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Nós vamos recorrer com certeza. A gente não confia, infelizmente, na decisão da justiça e nem a população lá dentro. Todo mundo tinha certeza da condenação. Ela não apresentou nenhuma testemunha além da testemunha paga. Nem o (Ricardo)  Molina pode vir porque foi processado. (Maria do Carmo, amiga de Marinúbia)

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19h15

"Vou matar Kátia Vargas pessoalmente", grita revoltada Mércia Gomes, irmã de Marinúbia, após o resultado. 

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19h13
Juiza pede para plenário se retirar. 

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19h10

"Assassina, assassina! Sua mãe é uma assassina infeliz", grita Mayane Gomes, prima de Emanuel e Emanuelle no meio do júri

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19h08
Marinúbia volta para o salão do júri com Daniel Keller, assistente de acusação. 

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Não adianta clamor, não adianta gritar. São os autos, gritou um advogado na plateia sobre o resultado

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Depois que foi chamada pela assistente de acusação Marinúbia e a prima dos irmãos Emanuel e Emanuelle não voltaram para o salão do júri. 

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Hoje eu sinto vergonha de ser baiano. Era um júri predisposto a absolver (Davi Gallo após resultado do júri)

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18h55
QUATRO ANOS APÓS MORTE DE IRMÃOS, KÁTIA VARGAS É ABSOLVIDA
A informação foi confirmada ao CORREIO pelo promotor Davi Gallo. Foram 4 votos a 1, mas o Ministério Público vai recorrer da decisão. Apesar de terem sete jurados, apenas cinco votaram pois bastava atingir a maioria para encerrar a votação.

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18h55
Uma assistente da acusação chama Marinúbia e prima de irmãos mortos para entrar na parte atrás do júri.


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18h51
Ansiosa, plateia aguarda o anúncio da decisão dos jurados. 

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18h48
Juíza volta para o salão do júri

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18h43
Filha da médica não para de beijar e abraçar o pai. 

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18h42
Keller retorna para a parte de trás do salão do júri. 

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18h40
Assistente de acusação Daniel Keller sai da ala restrita e chama a prima de Emanuel e Emanuelle além da mãe dos jovens. 

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Policiais se posicionam no corredor do meio de acesso ao salão do júri perto da família de Kátia Vargas.

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18h35
Família de Kátia Vargas está chorando no salão do júri. Família de Marinúbia está 'estática' esperando o resultado.

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Os jurados ainda estão na sala secreta.

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Advogados de defesa començam a comemorar. Marido da ré abraça advogados. Ainda não tem resultado divulgado. 

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A juíza Gelzi Maria Almeida Souza é quem definirá a sentença de acordo com as respostas dos jurados.

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Em instantes sairá o resultado da decisão dos jurados. 

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Juíza convida os jurados para a sala secreta. Eles terão que responder os seguintes questionamentos para formar a definição da sentença da ré: 

1 - Materialidade do Fato/Existência do Fato - o fato ocorreu? 
2 - Autoria: a ré arremessou o veículo em alta velocidade contra o fundo da moto projetando vítimas contra o poste? MP defende que SIM e defesa que NÃO
3 - A conduta da ré decorreu de imprudência da ultrapassagem? MP diz que NÃO pois houve a intenção e defesa que SIM
4 - Obrigatório em todos julgamentos: o jurado absolve a ré?
5 - Qualificadora: a ré agiu por motivo fútil? - MP diz que SIM e defesa que NÃO
6 - Qualificadora:  Teve incapacidade de defesa das vítimas? - MP diz que SIM e defesa que NÃO
7 - Qualificadora: Houve perigo comum, por estar na rua e poder ferir outras pessoas? - MP diz que SIM e defesa que NÃO


Os jurados terão que dizer sim ou não para cada uma das respostas tanto pra Emmanuel como pra Emanuelle. 

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Juíza começa a ler os requisitos - perguntas - que os jurados terão que responder para dizer se Kátia será considerada culpada ou inocente. 

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18h10
"Senhores jurados estão habilitados a julgar", pergunta a juiza ao fim da exposição do advogado de defesa. Agora, jurados definirão a vida de Kátia Vargas. Nesse momento, Marinúbia Gomes volta para o salão do júri.

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Condição do processo no início não foi feita de maneira adequada, defende defesa
"Não viemos aqui para brincar. Viemos aqui para falar de direito penal. De prova. Ela não é homicida. Ela não perdeu a cabeça. Não acordou e falou que iria matar duas pessoas. Quem fala são os autos. Não é uma mulher revoltada. Foi de manhã. Não teve dia exaustivo. Não podemos condenar uma pessoa para dar uma resposta", afirma José Luis, que lidera o time de advogados. 

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Defesa diz que Kátia Vargas deve responder por homicídio culposo - por conta da manobra irregular no trânsito que gerou o acidente - e não como homicídio doloso como pede a acusação.

Ela fala dos remédios que ela estava tomando no depoimento. Ela faz uma manobra imprudente. Ela deve responder por homicídio culposo. Por causa da manobra (José Luis)

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A testemunha que a acusação diz que a principal troca 5 por 100. Ele que foi desmascarado aqui. Isso aqui não é brincadeira, não é teatro. Esse acidente é uma tragédia que acabou com a vida de duas pessoas (José Luis).

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Não existe nenhum documento taxativo que mostra que Kátia Vargas tocou na moto. Não teve colisão no fundo. Não há como se condenar. As testemunhas disseram que não viram a colisão no fundo (José Luis)

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Defesa começa a exibir novamente vídeo de matéria da TV Band com matéria do dia do acidente que diz que o momento exato da batida foi gravado em vídeo. "Cadê o vídeo?", pergunta José Luis.  


Não estamos falando que as testemunhas mentiram. O que a defesa está dizendo é que diante do massacre que foi feito pela imprensa pode ter influenciado..aí condena Kátia a 30 anos de prisão. É pena de morte. Ela não vai sobreviver. Se os depoimentos não mostrassem dúvidas Kátia teria que ser condenada. 

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"O que falarem nós vamos rebater com provas e não com discursinhos. Eu ouvi aqui que ela (Kátia) estava chateada e irritada. Quem disse isso, ela? Nenhuma testemunha disse isso dela. Ela foi para uma aula de dança. Estava tranquila", afirma José Luis.

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Advogado de defesa diz que laudo do DPT é imprestável
"Precisa ser profissional para dizer que o laudo é imprestável? Apesar de ser oficial é imprestável. Não considerou Emanuelle. Não considerou baú (da moto). Não é possível. Parece que estamos em outro lugar, Rodrigo (advogado de defesa). Estamos em um julgamento", afirma José Luis. O laudo pericial da reconstituição do acidente que deixou Emanuel e Emanuelle Gomes Dias mortos concluiu que a médica Kátia Vargas perseguia os dois irmãos em alta velocidade.

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Duas vidas não têm preço. Independente da pena, não há preço. Não vai (pagar) com uma condenação ilegal, sem prova. Vocês têm que esquecer que as pessoas estão aqui. As pessoas não existem. Vocês estão julgando o processo. (José Luis)  

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"Eu também ouvi aqui "se colar, colou (...)  Se colar, colou é o que a acusação está fazendo aqui. Se bateu no fundo, do lado, na ponta, ok". Isso é se colar, colou", fala José Luis sobre declarações da acusação. 

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Advogado José Luis contesta que Kátia teria narrado briga para perito no dia do acidente.

Não é depoimento porque não tem assinatura de Kátia Vargas. Não tem aspas nenhuma (José Luis)  

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O advogado está contestando o fato de a acusação ter dito que eles mudaram a tese. Leu trecho do processo que mostra que os primeiros advogados de Kátia assumiam a culpabilidade, mas não o dolo. Em 2013, segundo José Luis, a outra defesa pediu para ser homicídio culposo.

Eu ouvi falar em paixão pela justiça. Eu também tenho. Mas tenho mais por prova. Por depoimento sério, coerente", argumentou (José Luis)  

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Outro defensor, José Luis rebate acusação e diz que não é 'uma farsa. Um estelionatário, um sedutor. Pouco me importa se sou negro, pobre. O protagonismo não é da defesa, não é do MP. O protagonismo é das provas. Basta ler o processo. Não é teatro. É lei.', disse.

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A acusação é desprovida de prova, diz defesa

A pena que promotoria citou, de 2 a 4 anos... São duas pessoas, então seriam 4 a 8. Quem decide é a juíza. Ela pode ir para cadeia sim. Não há condição mínima de ter certeza (Rodrigo Dall'Acqua)

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Marinúbia ainda segue fora do salão do júri. 

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Para dizer que Kátia arremessou o carro e colidiu com a moto, é preciso acreditar que um carro violento que colide com a parte de trás da moto não deixou nenhuma marca na moto. Se tivesse batido teria deixado marcas. A prova principal seria a perícia com essa marca. Isso não foi dito ( Rodrigo Dall'Acqua)

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Enquanto Dall'Acqua lê novamente a denúncia para o plenário Kátia Vargas segue olhando para o chão.

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Se houver dúvida, a pessoa tem que estar aqui no julgamento. É preciso ter certeza que Kátia Vargas saiu com carro, que deu uma fechada na moto. Não há o nome de uma testemunha que fale da fechada. É possível condenar sem certeza? Vossas excelências têm que ter certeza. Mesmo diante de testemunhos absolutamente contraditórios.  Tem três versões diferentes  (Rodrigo Dall'Acqua)

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Família de Kátia se entreolha surpresa quando vê o advogado Dall'Acqua chorando. Defensor enxuga as lágrimas. 

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Hoje eu vi um orador que honra a história. A maior certeza que se tem nesse processo é o que foi mostrado por Gallo. A maior certeza é a dor de dona Marinúbia, que perdeu seus filhos. Meu filho de 16 anos era forte que nem Emanuel. Apesar do tamanho, nunca se envolveu em uma briga. Minha filha Mariana, de 10 anos, tem exatamente a mesmo personalidade de Emanuelle, pelo que vi no depoimento de Marinúbia, diz Dall'Acqua com a voz embargada. 

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Defesa da médica começa a tréplica com o advogado Rodrigo Dall'Acqua. 

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Marido de Kátia se levanta e vai falar com advogados. Filha da médica fala com o advogado de defesa da mãe em tom de indignação. A família de Marinúbia está chorando. Na platéia as pessoas repercutem em apoio a declaração do promotor Davi Gallo que a Justiça é 'só para preto e pobre'.

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Agora, a defesa terá mais uma hora para a tréplica. Na sequência, o júri irá se reunir.

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17h07
Davi Gallo afirmou, no encerramento de sua fala, que o 'sistema foi feito para punir preto e pobre, e não branco e abastado'.

Não se trata disso aqui. Se trata de um crime bárbaro. Por respeito às leis, façam justiça. Condenem essa mulher por esse crime bárbaro que ela cometeu. Dona Marinúbia, eu fiz minha parte. Está feita

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A responsabilidade de vocês é grande. O que se espera de vocês é justiça. Façam com que seus conterrâneos se orgulhem de vocês. Não se pede que façam mais do que justiça (Davi Gallo)

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Gallo afirma ainda, olhando para os jurados, que 'é duro ver os netos que você não terá' referindo-se à Maribúbia. "Os domingos que não te visitarão. Por mais que Kátia seja condenada, ela terá tudo isso. Até para cadeia nesse momento ela não irá. A lei infelizmente só vale para negro e pobre. E aqui hoje eu vim pedir para vocês que sejam justos", destaca Gallo.

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Senti a mão de Cristo. Estou aqui clamando por justiça. Vocês (jurados) representam todos que não estão aqui, nossa capital. Não é vingança. É sede e fome de justiça. Desejo ver a verdade prevalecer (Davi Gallo)

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A voz do promotor começa a falhar. Kátia segue olhando para o chão fixamente. 

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Promotor Davi Gallo joga provas no chão
"Isso é prova (joga os autos no chão). Peritos. Prova testemunhal. Ninguém a conhecia, ninguém tinha nada contra ela. Infelizmente nesse país abastados não devem ser condenados. Dizem aqui para você que ela foi imprudente. Ela não foi imprudente, ela foi homicida. Ela quis matar e matou os dois", afirma. 

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Ninguém aqui é ruim, meu Deus do céu. Não somos monstros. Esse crime... Não tentem culpar a imprensa, não. Divulgou muita coisa, pode ter errado... Passaram quatro anos e ninguém esquece a forma brutal que esse crime foi cometido. Coisa fútil, uma simples discussão de trânsito. Orgulho ferido, desrespeito, desejo de matar para satisfazer. Tentaram denegrir a imagem dos seus filhos (para Marinúbia). Você beijou os filhos e não sabia que estava beijando pela última vez. É a destruição de uma família. Quatro anos e não cessa. (Davi Gallo)

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O perito (contratado pela defesa) não respondeu porque não aferiu as velocidades, argumenta Gallo. "Nós só queremos a verdade. Os autos têm 10 volumes. Será que todos os órgãos se uniram contra a senhora? Será que todo mundo está contra ela? Naquele dia, os meninos deram beijo na mãe, pegaram marmita, porque vendiam ticket para pagar livros. Pediram a bênção - nunca mais eles vão pedir. Os tesouros da sua vida foram arrancados de você (falando para Marinúbia, que chora). O pior que é que você morre a cada dia", explica o promotor.

Quatro anos e só hoje admitir que matou seus filhos e em desculpa vem falar que ela é uma pessoa maravilhosa. São provas tecnicas, testemunhais. (Davi Gallo)

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Gallo diz que ficou impressionado com a defesa. "Primeiro diz que não houve choque. O segundo diz que foi homicídio culposo, que houve choque. O advogado (de defesa) é considerado o melhor orador do país. Gritamos muito na Bahia quando gente vê injustiça. Grito, ficou rouco e vou continuar gritando.Nessa fileira aí está faltando uma pessoa que morreu há dois ou três meses. O pai. Morreu de saudade. É difícil mensurar a dor? Não. Olhem para aquela mulher (aponta Marinúbia). Eu vi os corpos. Eram dois jovens, que poderiam ser filhos de vocês. As duas delegadas quem execrou no processo foi o perito (Ricardo Molina), condenado por difamação. O que vi aqui foi diminuírem as nossas instituições. Subestimarem a inteligência de vocês",afirma o promotor.

 Estou aqui por um crime que sempre me revoltou. Não é só porque sou promotor que não tenho direito de me indignar. A imprensa erra. Todos erram. Mas é ela a responsável por levar a notícia para a população. Foi ela que levou esses fatos. Que tinha tudo para virar mais um engavetamento de delegacia. Porque quem morreu foram dois jovens. Gente, eles foram trabalhar. Ela estava em uma academia dançando - nada contra. Quando eu chego na delegacia, o clima está armado. O advogado já está divulgando que foi um assalto. Daí que não foi assalto. (Davi Gallo) 

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Agora, promotor Davi Gallo assume a fala nesse momento de debate dizendo que será rápido. "Estou aqui por um crime que sempre me revoltou. Não é só porque sou promotor que não tenho direito de me indignar. A imprensa erra. Todos erram. Mas é ela a responsável por levar a notícia para a população. Foi ela que levou esses fatos que tinha tudo para virar mais um engavetamento de delegacia. Porque quem morreu foram dois jovens. Gente, eles foram trabalhar. Ela estava em uma academia dançando - nada contra. Quando eu chego na delegacia, o clima está armado. O advogado já está divulgando que foi um assalto. Daí que não foi assalto", afirma Gallo.

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No final do processo dizer que teve uma manobra. E essa manobra deu no que? Ela não explica como a manobra foi parar no poste. Quer nos fazer de idiotas. As testemunhas que falaram aqui estão todas em harmonia. O que elas disseram? Que viram a perseguição. Detalham o emparelhamento. O toque. E o arremesso da moto. Seria uma alucinação coletiva exigir precisão cirúrgica. Pense nas pessoas que vossas excelências mais amam. Pensaram? Essa pessoa morreu. Um enterro para ir. Essa pessoa foi tirada abruptamente. Só tem a lembrança em fotografia (Luciano Assis, promotor)

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Durante argumentação a defesa alega que Kátia Vargas estava dopada no primeiro depoimento para a Justiça

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Quanto vale a vida de Emanuel e Emanuelle? Dois anos? É isso que a defesa quer. Despedaçou o corpo da sua filha, degolando seu filho. Foi o vento que jogou a moto no poste, Kátia Vargas? É subestimar demais a inteligência das vossas excelências (Luciano Assis, promotor)

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Promotor Luciano Assis fala aos jurados:
Sabe o que a defesa quer? Um artigo 302 do Código Nacional de Trânsito [Praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor]. Ela quer pena de 2 a 4 anos para Kátia. Quanto vale a vida dos filhos? Dois anos? Para ser convertida em pena alternativa? Ela matou. Gritar é nosso estilo. Não podemos ficar anestesiados

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Fala agora promotor Luciano Assis, sem usar o microfone, em tom baixo.

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A consequência direta desse impacto, diz Keller, foi a morte das pessoas que estão ali. "No caso da culpa, ela estaria dirigindo normalmente, faz uma barbeiragem e sem querer acertaria a moto, causando o acidente. Não é culposo", destaca.

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Com desejar. Ela tem algo em mente que deseja praticar e vai atrás daquilo. Dolo é querer. É desejar o resultado. No momento em que ela bate, ela move a vontade dela ao resultado. Ela quer o choque. Quer interceptá-lo. Quer bater o carro contra a moto. E quem tem esse objetivo tem o que? Vontade de matar (Daniel Keller) 

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No momento que Emanuel bate no carro dela, segundo Keller, ela perde a cabeça. "Ela fica louca de raiva, ela olha para a moto e vai em direção... O laudo diz que ela estava a 100 km/h. Denilson, testemunha, estava ao lado e diz que ela estava em alta velocidade. Não só ele como também Felipe. No momento em que ela, irritada e chateada com o que aconteceu, olha para a moto e se direciona a ela, se constitui em duas coisas: motivo fútil e dolo. Cuidado porque vocês que são leigos podem achar que o conceito de dolo se confunde com o de premeditação. O dolo se dá com querer", argumenta Kelller. 

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Keller critica a fala da defesa de afirmar que não houve perseguição. "O perito contratado é o único que diz isso. Advogado José diz que o assistente de acusação atacou a pessoa do assistente técnico e não trouxe matéria técnica. Eu não sou perito. Quem tem que refutar são os seis peritos da Bahia", disse Daniel Keller.

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Eles mudam de tese de acordo com a defesa dela. Não vai colar, vão tentar empurrar tese de homicídio culposo para ver se os senhores comprariam a história. E isso eles fazem menosprezando os senhores. A acusação não muda a versão desde o início da história. O advogado de defesa fez o milagre da Justiça hoje. Ele diz que ela agiu com negligência e praticou homicídio culposo. Todas as testemunhas que estavam aqui contaram com convicção e certeza do que aconteceu. Maria Antônio e Alvaro confirmam que teve discussão. São duas testemunhas em pontos completamente diferentes. Ângulos diferentes (Daniel Keller)

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A sua cliente mentiu baixinho aqui para gente, diz Keller

(O público ri e juíza pede silêncio)

"Ela negou perseguição. Não confunda o tom da minha voz com teatro. Eu falo assim porque tenho convicção. Por paixão à Justiça. E amor à causa. Porque quando Marinúbia me procurou, eu trabalho desde a tarde do crime, acompanhei tudo. Acompanhamos o trabalho da perícia desde o primeiro dia. O troca-troca de advogados de Kátia, mudou várias vezes. Advogados tentaram desesperadamente criar tese que justifique o injustificável. A história dela muda. Eu li as declarações do perito que a ouviu dias depois do fato. Esse perito atua imparcialmente todo dia e ele fala que ela estava com capacidade, ela não estava dopada. E ela fala que se envolveu em uma discussão de trânsito. Ela narra a discussão. Ela ainda não tinha contato com esses advogados. Por isso que ela inventou isso, para cada advogado ela muda a tese", argumenta Keller. 

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Keller afirma para os jurados que a defesa tenta fazer inversão e colocar Kátia como vítima do caso. "Ela que foi perseguida por todos, DPT, imprensa, advogados. Ele fala quietinho, manso, elogia advogado. Diz que é um dos melhores do Brasil", fala Keller.

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Ele tem empatia, conta história, como se ele fosse uma pessoa tranquila, depois que ele conta, ele vai e começa a contar outro caso que ele trabalhou. No caso ele absolveu e está plantando a ideia de que em casos como esse foi possível absolvição. Não passa de mera estratégia de um bom orador. Doutor Rodrigo apresentou provas e argumentos atacando provas. Mas José Luiz passou 30 minutos tentando convecer vocês. Ele não falou nenhuma prova. Buscando empatia dos senhores, tentando vitimizar Kátia Vargas (Daniel Keller, assistente de acusação) 

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Daniel Keller, assistente de acusação, é o primeiro a falar e diz que a defesa tenta manobrar o júri
"Estava sentando acompanhando e quero dizer que vocês acompanharam um dos maiores advogados criminalistas do Brasil. Que eloquência na forma com que ele trata vocês, que forma inteligente de falar. Cada uma das palavras que ele disse, toda forma dele lidar, não passa de uma estratégia de oratória. Cuidado para não cair em uma manobra de um advogado que com muita inteligência consegue dominar a eloquência, que utiliza do carisma para conquistar a confiança dos senhores".

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16h07
Recomeça o julgamento com o debate entre defesa e acusação. 

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15h48
Acaba fase de argumentação da defesa. Juíza dá cinco minutos de intervalo. 

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 A defesa não pede a absolvição de Kátia porque ela é boa pessoa, boa esposa, boa mãe. A defesa pede a absolvição de Kátia Vargas porque ela é inocente. Porque as testemunhas demonstram que ela não praticou o crime. E a condenação de uma Kátia por homicídio doloso não vai trazer a vida de ninguém. Não é a condenação pelo crime de homicídio doloso, o crime que ela não cometeu, que vai tirar essa dor. (José Luis)

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Advogado defende que Kátia Vargas não praticou crime de homicídio doloso. "Kátia quando foi interrogada hoje disse portanto que não teve discussão, perseguição, nem contato. E quem fala isso são as provas. As inúmeras testemunhas. As provas. O depoimento do professor (perito) que é espetacular. Kátia diz que ela ultrapassa em velocidade a motocicleta", explicou o advogado.

Kátia Vargas foi imprudente, sim, nessa manobra. Significa que ela quis matar as vítimas? Não. Significa que ela tem que ser responsabilizada? Ela não deve ser condenada. Se for condenada é por homicídio culposo. Naquele dia ela não teve intenção de praticar homicídio. (José Luis de Oliveira Lima)

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José Luis critica depoimento de testemunha
"Aliás, é inacreditável o que essa testemunha (Felipe Martins) falou: 'bate no fundo da moto e bate de novo'. Como é isso? É inacreditável. Onde tem a marca no Kia? Ensaio de compatibilidade do instituto de criminalística. Esse trabalho é bem feito? Tinha uma pessoa na moto, mas o senhor que é vendido. O senhor tinha alguma dúvida de que existiam duas pessoas na moto? Eu trabalho dentro da lei. Dentro dos preceitos éticos. Ele foi inquirido de forma desrespeitosa. O respeito que a defesa teve pelas testemunhas que vieram aqui, o protagonista não é da doutora, nem do MP... O protagonismo aqui é do processo", afirma. 

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Defensor de Kátia Vargas fala sobre perito, testemunha de defesa criaticada pela promotoria
"Eu poderia ter ficado aqui gritando com as testemunhas de acusação, mas não faço em respeito aos senhores. Isso aqui é coisa séria. A vida dela está em jogo. O professor (perito) foi esculhambado. É lógico que ele foi contratado pela defesa. Quando você não tem argumento técnico factual você vai atacar a pessoa. Não vi na fala da acusação nenhum argumento técnico. 'Não, o senhor é comprado, quem pagou seu hotel, quem pagou sua passagem?'. Só falou falar: ' o senhor é vendido'. Não vi na fala da acusação nenhuma fala técnica. E aí não é questão de atacar perito baiano, não é isso. Estou falando de uma pessoa. Ele falou com mais absoluto respeito aos peritos baianos", explica José Luis. 

Errar, todo mundo erra. Não ouvi na fala do MP uma justificativa.

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Destino de Kátia 
Há a possibilidade de que um segundo júri popular seja feito, caso a médica oftalmologista Kátia Vargas seja condenada pelo júri popular. Com a condenação, ainda cabe recurso da defesa de Kátia. É o que explica o advogado criminalista Yuri Carneiro. Ele explica que caso Kátia seja condenada, o primeiro recurso poderá ser remetido ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), que pode determinar que um outro júri seja feito.  A assessoria do TJ-BA explicou que um outro júri só será feito se a defesa identificar alguma irregularidade no júri realizado nesta terça e quarta-feira. “Os jurados não podem conversar entre si, por exemplo. Caso a defesa comprove que houve alguma troca entre eles, pode haver a determinação de um outro júri”, explicou a assessoria. Cerqueira ainda explicou que se houver recurso da defesa, Kátia só pode ser presa depois do trânsito em julgado. Ou seja, depois da determinação pelo Tribunal de Justiça.

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"Porque em 11 de outubro de 2013 a imprensa diz que Kátia fez isso. Aqui se falou do atentado de Nice. Um atentado terrorista. Não é um acidente de trânsito. É um atentado terrorista. As testemunhas aqui falaram o que quiseram. Cinco metros para 114 m virou um assunto periférico. A acusação esculhambou o professor (perito)", afirma José Luis referindo-se aos argumentos da acusação. 

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Advogado pede vídeo que comprove a batida
Durante algum tempo meu processo com Kátia foi para que ela conseguisse ficar de pé. Para que ela conseguisse chegar ao conselho de sentença e mostrar aos senhores e senhoras que ela é inocente dessa acusação infundada criada pelo Ministério Público. Kátia disse claramente o que aconteceu aqui. Ela respondeu todas as perguntas. Ela esclareceu que não houve impacto, que não houve perseguição.

"Cadê o vídeo que mostra o impacto? Cadê o vídeo que mostra que Kátia perseguiu a moto? E todas as testemunhas aqui assistiram várias matérias sobre o caso. Matérias corretas, né? Claro. Isentas", ironizou.

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Defesa diz que vai 'falar com base em provas' e que foi 'desmontada a tese da acusação'

Eu pego um avião, venho a Salvador falar com Kátia. Conheço os filhos. Mas pedi para ficar sozinho com ela. Dava para identificar claramente que ela toma antidepressivos. Perguntei como ela estava vivendo, se estava fazendo alguma coisa. E estou dizendo que é incomparável a tragédia das duas famílias. A defesa tem clareza disso. Eu disse: 'Kátia, o que você está fazendo?'. Nada. Parou de trabalhar. 'Você sai?' 'Só saio para ir ao psicólogo e ao psiquiatra'. 'Kátia, você assistiu ao vídeo?'. Ela disse que não que não. 'Você quer assistir comigo?' 'Quero'. Paulo pegou o computador e trouxe. Depois eu pedi para ele sair. Ela pegou em meu braço e falou: 'doutor, acredita em mim. Eu sou inocente. Eu não bati em ninguém. Não discuti com ninguém. Sou inocente'. Esse foi meu primeiro contato com Kátia.(José Luis de Oliveira Lima)

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José Luis fala sobre as famílias de Marinúbia e Kátia Vargas
Ela (Marinúbia) perdeu dois filhos. É uma tragédia devastadora, sim. É uma desgraça, ninguém aqui tem dúvida disso. Mas tem uma segunda tragédia. Menor, porque os filhos dela estão aqui. Mas há uma tragéida de uma segunda família. Essa mulher é uma morta viva. Não vou ficar aqui falando, olhem os filhos. Olhem a mãe.

Uma segunda tragédia aconteceu, sim, com a família de Kátia. E pode acontecer outra tragédia. Que é condenar uma inocente. Não se pode colocar uma inocente na cadeia dessa forma.

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Advogado diz que imprensa foi irresponsável na cobertura do caso

Poucas vezes eu vi uma cobertura de um caso tão ruim, tão leviana e tão desleal como foi feito no caso Kátia Vargas. É de uma irresponsabilidade. O que é interessante é que ninguém viu... Não encontrei nenhuma matéria na imprensa que falasse que testemunha fala que Kátia bateu no fundo da moto. Não teve uma matéria de jornalista que fosse questionar o que está errado. O que mostra que a prova que foi produzida pelas testemunhas ouvidas aqui é imprestável. Ela é pó. 

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José Luis de Oliveira Lima alfineta a acusação 

A defesa não tem medo. Não vou berrar nem fazer discurso teatral. O que (Rodrigo  Dall'Acqua)  fez aqui foi falar de prova. Sem teatro. 

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Advogado segue refletindo sobre a cobertura da mídia

 Não se pode condenar uma pessoa com uma tese de jornal, com matéria irresponsável. Não é um privilégio daqui a imprensa irresponsável. Outra matéria: 'médica Kátia Vargas perseguiu Emanuel e Emanuelle'. Qualquer coisa era motivo para esculhambar o monstro Kátia Vargas. (José Luis de Oliveira Lima)

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José Luis de Oliveira Lima diz: 'Você não é um monstro, Kátia!'

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Kátia nunca teve nenhum problema na vida. Infelizmente o magistrado que presidiu a primeira fase não foi a doutora Gelzi. Olha o que a imprensa coloca: 'médica está livre, leve e solta'. Ou seja: qualquer olhar favorável a Kátia era ridicularizado. Olha a repercussão que teve esse caso (José Luis de Oliveira Lima)

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Defensor de Kátia Vargas segue analisando a cobertura da imprensa sobre o caso
"Tem um caso famoso em São Paulo da Escola Base, que os donos foram acusados de molestar crianças. Essa escola foi destruída. Esse e o caso daquela médica do Paraná chamada na imprensa de 'médica monstro', acusada de desligar aparelhos. Essa imprensa tem que ser livre. Mas o que a imprensa fez na cobertura desse caso é inacreditável. Rodrigo (advogado de defesa) colocou aqui uma matéria que afirmou categoricamente que a polícia tem vídeo que mostra o choque. Cadê esse vídeo que mostra o impacto? Esse vídeo não existe, mas ficou. Eu separei algumas matérias. Uma matéria retrospectiva 2013: 'médica se transforma em monstro'. A matéria afirma que ela é um monstro. Ela não foi condenada, mas é um monstro. Essa afirmação é absurda", destaca José.

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José Luis ainda falou diretamente para sua cliente e critica a imprensa
Me orgulho de você ter escolhido nosso escritório. Você abriu seu coração, permitiu que eu conhecesse sua família. Quando ele (promotor) falava aos senhores jurados para não julgar aquela mulher de hoje, mas a de 11 de outubro de 2013... Kátia, você não mudou (...) Mas aquela mulher que a imprensa diz de outubro de 2013... Se era um monstro, se era o Fernandinho Beira Mar. A vitória é que as pessoas viram aqui hoje que você não é um monstro. Não é possível que alguém pode achar que o depoimento daquele senhor (perito) que veio aqui ontem era armado. Portanto você já sai vitoriosa. Porque você não é um monstro. Você é uma pessoa que se envolveu em um acidente trágico e que merece respeito, como qualquer pessoa.

E qualquer um que está aqui pode ser acusado de um crime e gostaria de ter direito de defesa, e não gostariam de ser achincalhados pela imprensa. Tenho um grande amigo baiano, Paulo Abud. Ele me ligou e disse que eu precisava defender a comadre dele. Porque ela estava sendo massacrada em Salvador. Foi massacrada muito tempo pela imprensa em Salvador. E ele falava: 'Zé, essa mulher é inocente. Essa mulher é correta'. Eu assisti aquele vídeo, que circulou na imprensa. E comecei a ler as matérias sobre o caso. E me assustei com o massacre que foi feito contra Kátia. Não era Kátia Vargas suspeita de um crime de homicídio doloso. As entrevistas veiculadas eram 'assassina, monstro, criminosa, matou, perseguiu'. A cobertura que foi feita nesse caso é um escândalo. Os senhores sabem que a imprensa joga no ar e acusa.

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"Ela (Kátia) respondeu todas as perguntas, inclusive as que o MP queria fazer. Ela só precisa ser tratada com respeito, assim todas as outras testemunhas, que apresentaram versões e versões. Quero aqui registrar o quanto eu respeito o tribunal do júri. E nesse momento eu, que advogo já há 26 anos, queria cumprimentar minha cliente Kátia Vargas. Kátia, olha para mim (ela levanta o olhar). Eu me sinto honrado de você ter confiado em mim nesses três anos. Quero dizer que nesses três anos que conheço você, seu marido Paulo, sua filha Carol e suas amigas, quero dizer que confio em você. Confio no que você falou. Você respondeu todas as perguntas, e não estava dopada como no outro depoimento. (No outro) você estava completamente dopada. Você não tinha condições", diz José Luis de Oliveira Lima.

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Eu passei minha infância em João Pessoa. Meu bisavô tinha uma casa e eu me lembro uma vez que fiz uma bobagem e meu pai me deu uma bronca, eu comecei a chorar. Quando terminou, meu pai saiu e meu bisavô me chamou e disse: 'a gente só berra quando a gente não tem razão'. É óbvio que algum momento posso falar mais alto. Posso me emocionar. Mas não estou no teatro. Aqui é prova, aqui são documentos. Não vamos fugir da prova, vamos enfrentar a prova. (José Luis de Oliveira Lima)

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Advogado José Luis defende que não há provas contra sua cliente. "Absolutamente nada."  Ele ainda se refere aos seus colegas defensores: " Fiquei tocado por sua fala tão objetiva e tão transparente. Você não ficou no lado periférico, ficou no coração da prova. Demonstrou que não teve discussão. Demonstrou que não teve toque".

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Saio da cidade de Salvador e desse júri com a sensação de que conheci uma juíza exemplar. A senhora terá um profundo admirador. Agora o MP. Fiquei muito feliz de debater com a acusação. Se não fossem os policiais e os oficiais de Justiça, esse julgamento não poderia ter ocorrido, mesmo presidido pela senhora com maestria. Meus colegas Daniel e Rodrigo, mais uma vez num tribunal comigo. Rodrigo, você reduziu a acusação a pó, de maneira clara e objetiva, com provas. Você mostrou depoimentos, mostrou vídeos. (José Luis de Oliveira Lima)

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Agora falará o advogado de defesa José Luis de Oliveira Lima - com microfone ao contrário do defensor anterior, Rodrigo Dall'Acqua, que falava sem microfone. Ele cumprimenta a juíza e diz que é um 'prazer imenso participar de um júri presidido por ela'. 

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"Existe vídeo que prove o momento que Kátia tocou na moto? Existe esse vídeo?" (Rodrigo Dall'Acqua, advogado de defesa)

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Defesa mostra imagens do carro de Kátia Vargas na grade Ondina Apart Hotel momentos depois do acidente que matou os irmãos Emanuel e Emanuelle em 11 de outubro de 2013. 

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Defensor mostra fotos da reconstituição que mostram o ângulo da testemunha que estava dentro do carro e o ângulo que mostra o Sorento passando pela frente do utilitário de Arivaldo. 

A pergunta que faço é: Kátia Vargas jogou o carro no fundo da moto? (Rodrigo Dall'Acqua )

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Enquanto a defesa se pronuncia,  Kátia faz cara de choro. 

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Promotoria lavou minha alma, diz padrasto de Emanuel e Emanuelle
"Ontem eu estava muito preocupado mas hoje a promotoria lavou a minha alma. Os três fizeram um trabalho muito bom de encerramento e demonstraram que havia uma coerência muito grande entre os testemunhos, o resultado das perícias e o registrado no processo. É muito difícil conseguir derrubar um negócio desses. A defesa fez o trabalho dela, que eu achei profundamente fantasioso. Mas a promotoria foi muito clara. Tem certas coisas que não dá para negar. A defesa pode dizer que a testemunha estava a 10 metros, mas estava a 20,  que a moto não estava perto do meio fio, que estava mais para o meio, mas  são detalhes que não comprometem o fato de quatro pessoas que não se conheciam entre si, nem nos conhecia, viram o carro colidir a moto e atirar a moto no poste, além da perseguição, que ficou clara", argumenta o marido de Marinúbia Gomes.

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Defensor da médica, Rodrigo Dall'Acqua não usa microfone. Público presente reclama pois não é possível ouví-lo com definição. 

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Marinúbia deixa a sala do júri mais uma vez enquanto a defesa faz seus argumentos. Ela está acompanhada de alguns familiares.

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Enquanto o advogado fala o marido de Kátia balança a cabeça concordando com o que ele diz. 

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"O tapa nunca existiu." (Rodrigo Dall'Acqua, referindo-se ao momento em que Emanuel teria batido no vidro do carro de Kátia).

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"A denúncia é de que Kátia Vargas saiu com seu carro da Rua Morro do Escravo Miguel. Esse é o primeiro ponto da denúncia que já está errado. Está provado que ela saiu da Rua Rochid. E que ela teria ao sair da rua dado uma 'fechada'. E o motociclista deu um tapa. Em razão desse tapa, Kátia teria jogado seu carro no fundo da moto", explica Rodrigo Dall'Acqua, defesa de Kátia.

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14h19
Agora é a hora da defesa fazer suas manifestações sobre a ré. Rodrigo Dall'Acqua começa a falar em nome da defesa. 

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14h18 - Juíza retoma julgamento. Jurados, Kátia Vargas e advogados voltam. 

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A defesa está negando o que não dá para negar. Eles podem mudar ou alterar a tese (Luciano Assis, promotor)

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No nosso pensar foi produtivo. Os jurados entenderam a nossa mensagem de que foi homicídio de duas pessoas. Vamos ver a tese que a defesa vai apresentar. Foi um direito dela não responder ou selecionar algumas perguntas. Nós sabíamos que isso ia acontecer. A defesa já deu mostras do que quer fazer. Eles querem negar a autoria, o que fica evidente nos laudos, explica Daniel Keller avaliando o depoimento da médica. 

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'Nunca trisquei naquela moto', diz Kátia Vargas. Clique aqui e leia trechos do depoimento.

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Já ultrapassando o tempo do intervalo determinado pela juíza (de 40 minutos) público ainda forma filas para entrar no salão do júri. 

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12h57
Davi Gallo encerra sua argumentação, e juíza faz pausa de 40 minutos no júri para o almoço. No turno da tarde está prevista a argumentação da defesa da médica, debate entre defesa e acusação, decisão dos jurados e provavelmente a sentença.

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Com todo respeito à defesa, mas parece que disseram que seus filhos (de Marinúbia) se mataram. Parece que foi suicídio. Impacto é física. Cinemática. Hoje eu digo a vocês que é a oportunidade de fazer justiça. Eu poderia ter visto Emanuelle como vi Daniel Keller, como estudante. Mas não vou ver. A doutora Kátia tem muito dinheiro. Muitos recursos. Sabe-se lá quando ela vai pra cadeia. Natal ela vai passar com os filhos. Na casa de praia com os amigos (Davi Gallo)

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Promotor Davi Gallo lembra da situação ocorrida na França, em 2016, quando mais de 80 pessoas foram mortas depois que um caminhão invadiu uma feira:

Na cidade de Nice (França), o indivíduo pega o caminhão e atropela dezenas de pessoas e mata. Isso aqui jamais foi um acidente. Ela matou aqueles jovens com um carro porque naquele momento ela não tinha um revólver.

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Promotor Davi Gallo fala para os jurados:

O fruto do seu útero foi covardemente subtraído (falando para Marinúbia). Senhoras e senhores do júri, os filhos daquela mulher tinham acabado de ser friamente assassinados... Queria botar fotos de seus filhos vivos. Sabe como eles acordavam ela? Beijando. Eu fiquei vendo hoje a famosa SCC: 'se colar, colou'. Há alguma dúvida que aquela senhora que ali está e que hoje perante vocês se mostra humilde... Fechem os olhos e imaginem ela a 100 km/h. É a vontade de matar.

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Daniel Keller encerra sua fala e, agora, promotor Davi Gallo encerra argumentos da acusação da médica Kátia Vargas. 

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Keller diz que está claro o impacto
"Todas as pessoas falam que teve. E existem duas qualificadoras além do motivo fútil. O meio que impossibilitou a defesa da vítima fica claro no depoimento de Denilson (testemunha). Ele (Emanuel) foi pego de surpresa. Ele não sentiu a maldade dela. O perito oficial também diz isso. Ele não teve condições de se defender. A última (qualificadora) é o perigo comum porque foi praticado em via pública. Qualquer pessoa que estava ao redor podia ser atingida. O próprio Arivaldo (testemunha) fala isso. Por isso eu encerro clamando a vossas excelências pela condenação", ressalta o advogado de acusação. 

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Keller critica contratação, por parte da defesa, de uma perícia
"Os senhores acham mesmo que ela ia contratar um especialista que fosse contra ela? Que ela ia pagar esse sujeito para dizer o contrário? Ele foi pago para produzir o laudo que os advogados pediram. Eu tenho coragem para dizer que esse laudo foi contratado pela defesa. Eu podia ter contratado também. Dona Marinúbia perguntou porque não contratar o nosso? Mas eu disse que não precisávamos de um homem parcial. Temos seis imparciais. Que interesse essas pessoas têm de conspirar contra Katia?", argumenta Keller. 

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Assistente de acusação fala para os jurados e reafirma que houve o choque a partir do depoimento das testemunhas e do laudo produzido por seis peritos: 

A pergunta que faço é: todo mundo já se irritou com algum motociclista, mas algum de vocês já matou ele? Essa é a diferença entre vocês e ela. O depoimento de Denilson (testemunha) mostra claramente a perseguição em alta velocidade. Denílson narra claramente a perseguição. A mesma coisa Felipe (testemunha), que se assustou com o barulho. O laudo pericial diz que ela estava a 100 km/h. Ela devia estar muito apressada para ir a essa papelaria. Ela estava em perseguição. Ela não ficou em ziguezague com a moto. Isso é manobra da defesa. Os peritos são pessoas isentas e imparciais. A única pessoa que nega a perseguição é o assistente técnico que ela contratou.

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Keller explica diferença de premeditação e dolo eventual
"Dolo não é vontade de praticar um crime, mas a vontade de produzir um resultado. Não é querer um crime necessariamente. No momento que ela tem uma discussão no trânsito, o dolo é na hora que ela provavelmente perdeu a cabeça e deseja um resultado. Isso é dolo. E ela faz isso por uma mera discussão. Por isso o motivo fútil", explica o advogado assistente de acusação. 

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Keller critica o fato da médica ter dito que não teve o tapa de Emanuel no carro.

Essa discussão vai motivar todo o desenrolar dos fatos. Ela disse em juízo que houve tapa e hoje ela nega. E a partir desse tapa que a boa médica, a mãe exemplar, a pessoa maravilhosa que é Kátia Vargas se transforma na homicida Kátia Vargas.

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Houve uma discussão. Um conflito. Óbvio que nunca vamos saber como se deu esse conflito. O que é importante para a prova do processo penal é o núcleo. Esse fato ocorreu em segundos. Óbvio que a percepção do observador vai se focar no que é nuclear. Ontem vocês lembram que eu tive uma indisposição com o assistente técnico, o perito. Todo mundo lembra disso. Mas alguém lembra onde Davi Gallo estava sentado? Fazia sol no dia? (Daniel Keller) 

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O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) informou, através da assessoria de comunicação, que a juíza prevê terminar o júri até o início da noite de hoje. 

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"E tem mais. O mesmo perito, analisando o relatório médico, que ela não apresentava nenhum transtorno. Do doutor Marcos Gusmão. Estava lúcida. Ele continua dizendo que ela estava lúcida e orientada, com humor deprimido. O próprio médico particular disse que ela estava lúcida", completa assistente de acusação sobre a fala de Kátia Vargas. 

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Assistente de acusação diz que médica mente: 
"Eu vou começar essa discussão: Houve uma contenda? Um mal estar? Onde estão as provas nos autos? Porque ela nega. Mas é interessante voltarmos para o dia 15 de outubro. Quando ela tinha outro advogado, doutor Vivaldo Amaral. Ela declarou que o perito que a examinou, um perito do estado e imparcial... Ele está dizendo que 'alega a pericianda ser vítima de um acidente automobilístico após uma discussão de trânsito'. Ela disse ao perito do estado, público e imparcial... Aí ela mudou de advogado e ele diz que ela tem que mudar isso. E ela diz aqui que não estava bem no dia. No laudo diz que ela apresentava-se lúcida, orientada no tempo  e colaborando com a perícia. Ela mentiu aqui quando disse que não tinha condições", afirma Keller. 

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Keller destaca que há três fatores que fazem entender o processo e justifica a condenação da médica: "Para que eu possa como advogado demonstrar a simplicidade desse processo basta que os senhores entendam que toda decisão depende de três fatores. Os três pontos são: houve uma discussão, uma contenda. Dessa contenda, houve uma perseguição. E dessa perseguição houve um impacto. Demonstrado esses três elementos, ela deve ser condenada pela prática que o MP incide a ela"

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Assistente de acusação diz que defesa da médica mudou de versão pela terceira vez:

Está muito claro que a defesa está apresentando hoje uma terceira versão desde que o processo se iniciou. E eu me perguntou por que a senhora Kátia Vargas altera seu depoimento três vezes. E por que ela mudou de advogados três vezes. Isso fica muito claro nos autos, é um processo muito simples, apesar de tudo que a defesa traz. É o processo de uma senhora pronunciada por duplo homicídio qualificado. Motivo fútil. A qualificadora do meio que impossibilitou defesa das vítimas. E a qualificadora do perigo comum. (Daniel Keller)

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Asistente de acusação começa a falar e pedirá a condenação da acusada: "Estou hoje aqui como advogado contratado pela família das vítimas. Não sou membro do MP, mas sou advogado criminalista há 10 anos e minha percepção como advogado é um pouco distinta. Até porque a maior parte de minha carreira estive mais como advogado de defesa. E nós conseguimos perceber exatamente as manobras do colega do lado", diz Keller. 

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Marinúbia está apoiada no ombro da irmã, abraçando.

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 Luciano Assis pede a condenação da ré e finaliza sua fala. Agora, Daniel Keller (assistente de acusação) vai começar sua fala

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Promotor Luciano Assis frisa que 'se existe uma dor do lado da família da ré, existe uma dor muito mais devastadora da família das vítimas. Uma dor que não passa. A dor de uma mãe que há quatro anos peregrina pelos corredores judiciais'

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Homicida e mentirosa, diz promotor sobre Kátia Vargas.

Vossas excelências conseguem ver essas imagens compatíveis com a versão apresentada? Com a versão de quem diz que tomou um susto? De quem diz que não tocou na moto? Não tem como não dizer que a homicida não é mentirosa (Luciano Assis, promotor).

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Promotor exibe vídeos com imagens de câmeras de segurança e se direciona para os jurados: "Conseguem imaginar? São esses momentos, em determinado ponto do vídeo, 8h19 da manhã, essa imagem... Nesse mesmo ponto, Arivaldo, nossa testemunha, passa e um pouco mais à frente Emanuel passa. Mais à frente é perseguido", diz. 

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O Kia Sorento passa um segundo após a moto. Vossas excelências conseguem imaginar essa diferença de fração de segundo? A diferença de três segundos em um ponto na passagem de um veículo para outro e de um segundo em outro? Vossas excelências conseguem imaginar o que é um veículo de duas toneladas a 100 km/h? Era alguém que estava em perseguição a algo. (Luciano Assis, promotor)

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Ouvindo o promotor, Kátia Vargas chora e tenta se comunicar visualmente com os familiares, que estão sentados no salão do júri, mas estão distantes.

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Paulo Henrique Brito, marido de Kátia fica de cabeça baixa em alguns momentos, enquanto ouve o promotor Luciano Assis. Kátia Vargas permanece de cabeça baixa.

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Promotor Luciano Assis fala sobre perito que foi testemunha de defesa, que ontem disse que todos os outros seis peritos erraram. "Com interesse na causa. Eu perguntei a ele se ele sabia a cor do capacete de Emanuel, e a cor da mancha que está na lateral direita do carro de Kátia Vargas", destacou.

Seu perito, o senhor sabe que cor é essa mancha? O senhor tem como me explicar com essa certeza que essa mancha vermelha não é o capacete de Emanuel?'. E ele diz: 'Não sei. O senhor que está dizendo que todos erraram, tem como me explicar isso? O senhor tem como explicar por que a perícia do estado está errada?'. Ele disse que foi da grade. 'Mas o senhor sabe se na grade tinha alguma pintura vermelha?'. Não sabe. 'Então, explica, senhor perito: como no carro de Kátia tinha a mesma cor do capacete de Emanuel?'.

Promotor Luciano completa: Doutor Davi, o que foi que eu lhe disse? O processo está parado. Eu ouvi isso de uma entrevista na mídia: 'o processo demorou porque o MP pediu a prova'. Essa mesma defesa que trouxe um perito aqui, ontem, que disse que todos os nossos peritos erraram, essa mesma defesa disse que o laudo de reprodução simulada era crucial. Indispensável. Que teria quer ser feita para determinar o que aconteceu no dia 11 de outubro. Fizemos. Esse laudo está nos autos. A que ponto chega a defesa? A defesa teve o despautério de desentranhamento do laudo que eles chamaram de crucial e depois pedem para retirar? Os peritos não são meros reprodutores.

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Promotor não vai reexibir para a platéia as cenas de Emanuel e Emanuelle mortos
O promotor Luciano Assis diz que, em respeito aos familiares da vítima, não vai exibir as imagens no telão. A televisão está virada apenas para os jurados.

Fico a me perguntar: 'o que causou isso?', 'Foi o vento que jogou a moto contra aquele poste?'.  Aquele menino vinha em velocidade constante, nada havia naquele trecho que pudesse, de alguma forma, ter contribuído para a queda da moto. A violência dessas lesões, a natureza dessas lesões... elas não teriam ocorrido se não tivesse havido a violência que houve, a conduta criminosa que houve. Conseguem imaginar uma queda sozinha da moto? Conseguem imaginar essas lesões de outra forma?

Luciano completa: o carro passou por ele [Arivaldo, testemunha]. Ele disse que teve que frear. Arivaldo viu o emparelhamento. Arivaldo viu o choque. Arivaldo foi influenciado pela mídia? Denilson [outra testemunha de acusação ouvida ontem] disse aqui que estava em ponto de inércia. Estava parado na sinaleira. Denilson disse que também viu o emparelhamento. 

"O que despertou atenção de Felipe [testemunha de acusação] foi aquele carro vindo em sua direção, de velocidade progressiva. Ele também viu o emparelhamento. Ele disse isso na reprodução simulada, e assim como Denilson e Arivaldo, ele disse aqui ontem que depois de ver, ligou para a mãe e disse que 'acabou de presenciar um duplo assassinato'. Na delegacia, ele disse também que aquilo não foi acidente, foi um duplo assassinato. Por que disseram a forma como aconteceu? Com tantos detalhes e tantas nuances? Como elas diriam, se não estivessem lá? Se não tivessem presenciado?", ressalta o promotor. 

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Luciano Assis destaca ainda: "através desse politraumatismo, desse pescoço degolado de Emanuel... eles estão depondo, eles estão falando que não teriam como estar assim se Kátia Vargas não tivesse jogado o carro em cima deles. Esse poste foi movido cinco centímetros de sua base. O que moveu esse poste de sua base? Foi a violência. Isso aqui também fala".

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A pedagoga Zenilda Fonseca saiu para ir ao banheiro e comentou sobre o depoimento da médica Kátia Vargas. Para ela, a médica vai ser condenada por homicídio culposo. "Quando não há a intenção de matar. Pelo que vi até agora, é isso", pontuou ela, que também é estudante de Direito.

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Padrastro de Emanuel e Emanuelle, Otto Malta desabafa: "Eu cheguei à conclusão de que é mais fácil enganar as pessoas do que mostrar que elas estão enganadas". Veja vídeo:

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Família de Emanuel e Emanuelle fala sobre depoimento de Kátia Vargas

"Não temos mais dúvida. Ela nega tudo e nós nos recusamos a assistir ao depoimento delas. Nos retiramos. Eu e minha tia", contou Mayane Torres, prima das vítimas ao CORREIO.

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Promotor segue na argumentação pela culpa de Kátia Vargas 
"Gostaria de começar mostrando o processo dessa conduta criminosa da ré, que começou com apuração policial. Ainda durante a investigação policial. Os três primeiros agentes de Polícia Civil que chegaram e disseram que populares informaram que houve uma discussão de trânsito por uma manobra realizada pela motorista. Populares comentaram com bastante firmeza que teria acontecido uma discussão entre os dois, que teria causado descontentamento do piloto da motocicleta. As testemunhas que aqui foram ouvidas. O que disse aqui ontem aquela primeira testemunha está em perfeita sintonia com o que disse na delegacia. Ele diz que a moto foi, e o carro arrancou bruscamente em perseguição.

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Luciano Assis: essa reflexão é feita na instrução. Doutor Moacyr (Pitta Lima, juíz da audiência de instrução) perguntou a ela se ela consegue explicar por que aquelas testemunhas disseram que viram o que viram. 

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O promotor Luciano Assis se dirige exclusivamente aos jurados.

Vocês conseguem imaginar? Vossas excelências não iam esperar essa derradeira hora, esse derradeiro momento para trazer algo novo [se estivessem no lugar dela]? Vossas excelências não esperariam quatro anos para falar depois de serem ouvidas duas vezes?

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Promotor Luciano Assis disse que o foi dito pelas testemunhas não poderia ser dito por quem não estivesse lá, naquele dia, porque aquelas testemunhas estavam lá.

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Marinúbia Gomes não aguentou assistir todo depoimento da médica Kátia Vargas, que acontece na manhã desta quarta-feira (06) no Fórum Ruy Barbosa.

'Não pretendo e nem penso em perdoar Kátia Vargas', diz mãe de Emanuel e Emanuelle.

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Podia deixar os meninos continuar vivendo, mas decidiu exterminar. Aquilo que foi dito pelas testemunhas não poderia ser dito por quem não estivesse lá, naquele dia, porque aquelas testemunhas estavam lá. (Luciano Assis)

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Promotor Luciano Assis pede que jurados julguem 'a Kátia Vargas de 2013'

Um julgamento, para ser realizado de forma justa, tem que ser realizado lá no dia 11 de outubro de 2013, na Avenida Oceânica. Peço que façam o possível diante de tudo que já viram e ouviram. Conseguem ver a motocicleta de Emanuel passando por ela e dando sim um tapa no capô do carro? Conseguem ver a arrancada brusca do carro em direção à moto como leão que vai até sua presa? A ré que vai ser julgada aqui hoje é a Kátia Vargas de 11 de outubro de 2013.

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Acusação começa a argumentar pela condenação de Kátia Vargas
Promotor Luciano Assis
: não estamos aqui para angariar aplausos. Tenham a mais absoluta certeza de que esse promotor não transcede responsabilidade. Não que sejamos os donos da verdade, mas somos fiscais. Essas 3166 laudas do processo, estamos diante de um caso de duplo homicídio, de duplo assassinato. A ré é ela. Boa profissional e detentora de muitos outros atributos, mas acontece que naquele dia, a ré Kátia Vargas na condução de seu Kia Sorento, um possante veículo, de duas toneladas, discutiu no trânsito.

Ela conseguiu alcançar essa moto, e de forma deliberada, jogou, arremessou, fechou seu carro contra a moto. Ela agiu de forma pensada, de forma deliberada, com intenção criminosa, de forma dolosa.

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A sessão é retomada, e juíza Gelzi Souza informa que a acusação terá 1h30 para falar. 

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11h20
Chorando, Kátia se retira do salão do júri.

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Advogado de defesa Luís: Essa manobra era correta ou imprudente?

Kátia: Era imprudente.

Advogado de defesa Luís: Imprudência para você significa intenção de matar duas pessoas?

Kátia: Não.

Advogado de defesa Luís:  Você quis matar Emanuel e Emanuelle? 

Kátia: Não, de jeito nenhum. [Disse isso chorando muito]

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Advogado José Luis: A acusação disse que numa entrevista que a senhora concedeu ao jornal CORREIO disse que você pediria perdão para a família da vítima. Por quê? 

Kátia: Porque essa dor é uma dor que eu não consigo nem imaginar. Não consigo conceber. A dor dela é insuperável de perder os filhos. [Chorando muito]

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Advogado José Luis: E depois do acidente, como é sua vida?

Voltei a trabalhar na metade de 2014, não de forma normal: quatro turnos e meio por semana. Com a proporção que a coisa tomou, foi impossível ter contato com a família, pela forma que a coisa foi colocada na imprensa. Fui colocada como uma monstra que jogou o carro em cima da moto. (Kátia Vargas)

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Advogado José Luis: A senhora consegue se recordar do tempo do acidente?

Kátia: Não.

Advogado José Luis: Você se recorda de receber visitas enquanto estava presa?

Kátia: Meu marido, (além do) padre Paulo e de alguns amigos. Eu não lembro exatamente quem, nem os nomes de todos.

Advogado José Luis: Você se recorda de ter sido ouvida pela autoridade policial?

Kátia: Quando eu cheguei na penitenciária, me lembro de tudo. Uma revista íntima, lembro de muita confusão, e depois, de ser levada para a cela, mas não lembro de nenhum juiz. 

Advogado José Luis: Quando você prestou depoimento perante o juiz você estava presa?

Kátia: Estava.

Advogado José Luis: Você poderia afirmar que estava em pleno gozo de suas faculdades mentais?

Kátia: Não.

Advogado José Luis: Você descreve um barulho, que teria sido do condutor da moto. Você mantém essa afirmação? 

Kátia: Não. Depois de quatro anos pensando nesse acidente todos os dias, eu sei que não teria como ser o barulho de um murro em meu carro. Era muito maior, mais extremo. 

Advogado José Luis: Você diz na folha 3.077 [do processo] que houve um barulho e que remeteu a um murro, mas não viu. Por que naquele interrogatório você se recusou a olhar as imagens?

Kátia: Porque para mim era tão claro que eu tinha ultrapassado a moto, e achei que os vídeos não poderiam mostrar nada além do que tinha acontecido. Não me ajuda em nada.

Advogado José Luis: E você assistiu esses vídeos quando?

Kátia: Com você, em abril de 2014.

Advogado José Luis: Você voltou a dirigir?

Kátia: Não.

Advogado José Luis: Você foi a Aparecida do Norte pagar alguma promessa?

Kátia: Não.

Advogado José Luis: Antes do acidente, você tomava algum remédio psiquiátrico?

Kátia: Não.

***

Defesa sustenta que depoimento dado por Kátia Vargas foi comprometido pela medicação tomada por ela após o acidente

Rodrigo: no prontuário médico constam os remédios que os médicos estavam dando para você. Estava tomando na veia medicação contra náuseas e um analgésico, Tramal. Também estava tomando Rivotril e um ansiolítico, e ainda foi acrescentado Tilex, outro analgésico. E foi acrescentado um remédio para mudança de humor, e um remédio utilizado para transtorno do pânico, e um sétimo remédio indutor do sono. Nessas condições, quando a senhora saiu da penitenciária, para prestar depoimento, a senhora tinha condições de relatar exatamente o que aconteceu?

Kátia: Não.

Rodrigo: Como eram seus dias tomando essas medicações no sistema penitenciário? 

***

O advogado pergunta pela quarta vez se ela encostou o carro na moto, se bateu na moto. Kátia Vargas começa a chorar.

***

Rodrigo: Esse prontuário foi assinado por médicos que lhe atenderam no hospital. No prontuário, consta que a senhora foi ferida com histórico de concussão cerebral e que apresentava amnésia após um evento específico. 

Kátia: Não sou eu que estou falando. É o laudo médico.

***

Rodrigo pergunta: Kátia, o assistente de acusação questionou a respeito de um laudo de lesões corporais que está nos autos, feito quatro dias depois do acidente. O que você se recorda?

Kátia: Eu só me lembro de uma pessoa ir lá tirar fotografia e levantar minha roupa. Basicamente isso. 

Rodrigo: Fez alguma pergunta?

Kátia: Não lembro.

Rodrigo: Ele escreveu no laudo como se você tivesse dito isso para ele: Você disse para esse membro do IML que se envolveu em uma discussão de trânsito?

Kátia: Não.

Rodrigo: Você se envolveu?

Kátia: Não.

Rodrigo: As perguntas do MP e do assistente de acusação dizem que existem contradições entre um depoimento que a senhora prestou quatro anos atrás. No prontuário médico constam os remédios que os médicos estavam dando para você. Estava tomando na veia medicação contra náuseas e um analgésico, Tramal. Também estava tomando Rivotril e um ansiolítico.

Hoje tomo três antidepressivos, mais três medicações para dormir. Vivo por causa de meus filhos. Trabalhar é com custo. Tem dias que não consigo trabalhar. Tenho medo de sair, de enfrentar as pessoas. Sinto pânico. (Kátia Vargas)

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"Quando cheguei na penitenciária, lembro de ter revista íntima, ser levada para uma sala que tinha muita confusão e depois para uma cela."

Kátia diz que não lembra o tempo que ficou internada no hospital. Ela teve uma lesão no quadril. A médica lembrou dos momentos em que esteve presa. "Recebi visita do meu marido, padre Paulo Avelino, que me deu muita ajuda espiritual e alguns amigos. Eu não lembro de muitos detalhes do hospital, além de quem entrava e saía".

***

O advogado Rodrigo Dall'Acqua está fazendo as perguntas do Ministério Público e do assistente que foram feitas a Kátia e ela não respondeu. Ela diz ainda que nenhuma testemunha foi falar com ela enquanto ela estava no carro.

***

Advogado José Luis: Foi levada a qual hospital?
Kátia: Aliança, na ambulância.

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Quando eu retornei para a pista - e não lembro a ordem exata das coisas. Lembro que perdi o controle do carro. Teve um barulho. O carro rodou de um lado para o outro e fiquei desesperada. Lembro do carro batendo na grade, e eu batendo a cabeça no vidro do carro. Não lembro se eu freei antes ou freei depois, se o barulho veio antes ou depois. (Kátia Vargas) 

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Advogado José Luis: Você, em algum momento, tocou no fundo da moto?
Kátia: Não. 

Advogado José Luis: Na lateral?
Kátia: Não.

Advogado José Luis: Na roda dianteira?
Kátia: Não.

Advogado José Luis: Fechou seu carro na moto?
Kátia: Não.

Advogado José Luis: Você tem alguma dúvida do que está dizendo?
Kátia: Não.

Advogado José Luis: A primeira pessoa que falou com você?
Kátia: Um policial. 

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A médica não soube estimar quanto tempo ficou dentro do carro após o acidente. Ela diz ainda que nenhuma testemunha foi falar com ela enquanto ela estava no carro.

***

Advogado José Luis: O que você fez no dia dos fatos pela manhã?
Kátia: Eu acordei por volta de 15 para as sete, me despedi de minha filha que foi para a escola, troquei de roupa e fui para minha aula de dança, que começava às 7h. Era aula para o festival que teríamos no fim do ano. Por volta de 8h, a aula terminou e a professora me chamou para dar uma receita de medicação para a filha dela, que estava com um problema no olho. Fiz a receita, tomamos o suco, se não me engano, e saí da escola por volta de 8h20 da manhã.

Advogado José Luis: E depois?
Kátia: Entrei no carro e fui em direção à Avenida Oceânica. Olhei para ver se vinha algum carro, e não vinha nenhum. Saí e fui em direção à esquerda da pista e fui reduzindo para chegar no sinal, que estava fechado, para saber se vinha ou não. Como não abriu, eu segui em frente. Quando eu estava acelerando para sair do sinal, a moto me ultrapassou pela direita, gesticulando com o braço esquerdo, me ultrapassou e ficou na minha frente. Nunca tinha visto a moto antes. Seguimos. A moto em minha frente, e eu atrás. Eu acelerando mais que a moto. 

***

Advogado José Luis pergunta onde a médica nasceu e como foi a infância
Kátia
: Nasci em Salvador e tive a infância normal de classe média. Tenho três irmãs do primeiro casamento de meu pai. 

Advogado José Luis: Quando você decidiu fazer medicina?
Kátia: Sempre quis.

Advogado José Luis: Com quantos anos entrou [na faculdade] e qual [faculdade]?
Kátia: Dezenove anos, na Escola Bahiana de Medicina. Tive uma carreira, no início, como todos os médicos, bastante difícil. É comum na minha profissão. Hoje eu tenho uma clínica e trabalho em uma particular. Sou casada há 22 anos com Paulo. Tenho dois filhos, de 18 e 22, Ana Carolina e Paulo Henrique. Faço atividades sociais com a 'Corrente do Bem'. Vamos nas creches e fazemos atendimentos médicos e odontológicos. E fazemos a parte estrutural através de doação, e fizemos construção da creche.

Advogado José Luis: Há quanto tempo você faz?
Kátia: Há 10 anos

***

10h35
Kátia descreve o momento do acidente:

"Seguimos a moto em minha frente e eu atrás, eu acelerando mais que a moto. Chegou um ponto que eu queria ultrapassar a moto e tentei.  Dei sinal de luz, e a moto não abriu (passagem). Fiz uma menção de ir para a direita e ultrapassar a moto. Mas a moto também fez a mesma menção. Eu desisti e acelerei, acelerei mesmo, e ultrapassei a moto."

***

Kátia começa a ser questionada pelo advogado de defesa, José Luis. 

***

Assistente de acusação, Daniel Keller pergunta: Logo após o fato, a senhora foi submetida a um exame de lesões corporais. Ao ser submetida, a senhora foi examinada pelo perito Mário César Pontes. Quando ele examinou a senhora, no dia 15 de outubro, ele fez algumas perguntas. A senhora respondeu e ele fez constar. A senhora alega ter sido vítima de um acidente automobilístico após se envolver em uma discussão de trânsito. A senhora mentiu para o perito? Não houve discussão?

O advogado José Luis diz que, por orientação da defesa, Kátia não vai responder às perguntas do assistente. 

***

Promotor cita entrevista exclusiva de Kátia Vargas ao CORREIO
Davi Gallo pergunta:
recentemente a senhora deu uma entrevista a um veículo de comunicação, que saiu no último domingo. Nessa entrevista, a senhora diz que se tivesse encontrado a mãe das vítimas pediria perdão. Se hoje a senhora diz que não tocou, a senhora pediria perdão por quê?

O advogado José Luis diz que, por orientação da defesa, ela não vai responder. 

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Promotor Luciano questiona: A senhora estima a que velocidade a senhora dirigia na Avenida Oceânica? 

O advogado José Luis diz que, por orientação da defesa, ela não vai responder. 

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Promotor Luciano pergunta: "Quando a senhora foi ouvida na primeira fase do processo, o juiz perguntou. 'Foi nesse momento que houve o tapa?', e a senhora responde que foi. Houve ou não houve tapa? Se a senhora disse que houve tapa, por que a senhora nega agora?"

O advogado José Luis diz que, por orientação da defesa, ela não vai responder.

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Promotor Luciano pergunta: A senhora disse que a moto a ultrapassou e prostrou-se em sua frente e que a senhora tentou jogar sinal de luz. 

O advogado José Luis diz que, por orientação da defesa, ela não vai responder. 

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Kátia diz que é oftamologista e trabalha em clínica particular, que nunca foi presa ou processada em nenhuma outra vez. 

***

Juíza: Tem mais alguma coisa em sua defesa? 

Em momento algum eu tive a menor intenção de causar algum acidente naquele dia. Eu nunca trisquei naquela moto, eu ultrapassei completamente (Kátia Vargas)

***

Juíza: Apesar da questão de ordem, o Ministério Público pediu que constassem as perguntas.

Promotor Luciano: A senhora, quando foi ouvida em juízo na Justiça, na primeira fase do processo, o doutor Moacyr (Pitta Lima) perguntou de qual lado do carro a senhora ultrapassou a moto. Lá, a senhora disse pela esquerda. Aqui a senhora disse pela direita.

A pergunta não foi respondida.

***

Juíza: Esse barulho que a senhora diz que ouviu já tinha passado a sinaleira ou já tinha ultrapassado?
Kátia: Já tinha passado.

Juíza: Qual foi a sensação quando a moto passou gesticulando?
Kátia: Eu não entendi.

Juíza pergunta se ela chegou a ver o momento que a moto se chocou contra o poste. Ela disse que não. 

Juíza: Em algum momento a senhora acelerou o carro para alcançar a moto?
Kátia: Para alcançar não, para ultrapassar a moto

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Juíza: A senhora arremessou seu carro contra o fundo da moto?
Kátia: Não.

Juíza: A moto ficou imprensada entre seu carro e o poste?
Kátia: Em momento algum.

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Kátia diz ainda que não se recorda de nenhum outro veículo na pista de ida, mas que na pista contrária tinha outros carros. Ela responde que não conhecia as vítimas.

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Kátia Vargas nega que tenha havido discussão com Emanuel, e que ele tenha batido no carro dela.

Juíza: A motocicleta chegou a parar?
Kátia: Não, mas eu estava andando devagarzinho. 

Juíza: O condutor da moto chegou a bater no carro da senhora?
Kátia: Não.

***

Marinúbia Gomes, mãe de Emanuel e Emanuelle, chora durante o depoimento.

***

Kátia diz que não lembra o nome da rua que saiu, mas diz que é uma rua que fica próxima ao Salvador Praia Hotel. 

Juíza: Em que momento a senhora visualizou a motocicleta?

Kátia: No momento em que ela me ultrapassou gesticulando.

***

Kátia continua: quando eu saí tinha a intenção de ir pela pista de dentro, mas como estava fechado e engarrafado eu fui pela pista de fora.

Juíza: No momento que a senhora foi reduzindo, se recorda de outros carros? 
Kátia: Só o meu e a moto.

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Juíza: A senhora disse que estava indo para a papelaria?
Kátia: Eu tinha a intenção de ir, mas não sabia onde. 

10h32
Marinúbia Gomes deixa salão do júri. 

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A juíza pergunta se em algum momento Kátia teve a intenção de arremessar o carro contra a moto. "Em nenhum momento tive a intenção de arremessar, triscar ou tocar na moto. Em momento algum eu trisquei na moto", explica ela, afirmando que não ouviu o que Emanuel disse, não respondeu e não gesticulou de volta. 

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Juíza questiona se houve contato com a moto. Kátia responde: "Não houve contato nenhum"

**

Juíza pergunta se a médica perdeu a consciência. "Não perdi a consciência, mas fiquei bastante atordoada", responde Kátia. 

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"E quando voltei, eu perdi o controle do carro. Eu me lembro de um barulho. Me lembro de dirigir o carro de um lado para o outro, de [estar] tentando controlar o carro, sem conseguir. Me lembro do carro indo na contramão e eu tentando sair da contramão", relata Kátia Vargas

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"Não bati no fundo da moto, não bati na lateral, eu ultrapassei a moto", afirma médica 

"Quando eu estava começando a sair do sinal, a moto ultrapassou pela direita. O piloto gesticulava dessa forma como que aborrecido por alguma coisa. Eu não entendi o motivo de ele gesticular. "Por que ele está gesticulando comigo? Continuei atrás do carro da frente. Só que eu tentei ultrapassar a moto e fiz a menção de ir pra direita e ele fez a mesma menção de ir pra direita. Eu desisti. Joguei o carro para a direita, acelerei e fiz a ultrapassagem. Não bati no fundo da moto, não bati na lateral, eu ultrapassei a moto", completa Kátia Vargas a resposta dada para a primeira pergunta da juíza

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Juíza pergunta: conta que no dia 11 de outubro de 2013 nas imediações da avenida Oceânica a senhora estava conduzindo um Kia  Sorento em alta velocidade e arremessou seu veículo  contra o fundo da motocicleta Yamaha pilotada por Emanuel Gomes Dias que trazia na garupa sua irmã, Emanuelle Gomes Dias. É verdadeira a acusação?

Kátia responde: 
Doutora, mesmo hoje, quatro anos depois, eu não consigo lembrar de todos os detalhes daquele dia. Tenho lacunas do que aconteceu. Não sei se pelo acidente ou por medicação, não consigo lembrar de tudo. Mas lembro que na véspera normalmente estava com minha filha, me despedi de minha filha e saí em torno de 6h15. Troquei de roupa e saí.

Depois da aula da academia a professora me pediu uma receita de medicação. Eu fiz a receita e a gente ainda ficou conversando e tomando um suco, não tenho certeza. Ficamos conversando e fui em direção à Avenida Oceânica. 

***

Com a voz trêmula, Kátia Vargas começa a falar seu nome, estado civil e profissão. Plateia reage e juíza pede silêncio. 

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"O interrogatório ocorre com o direito constitucional de permanecer em silêncio mesmo que esse silêncio seja levado em conta", afirma a juíza diante do plenário

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Diante da estratégia da defesa, o Ministério Público através do promotor Luciano Assis diz que as perguntas do MP serão designadas em ata. 

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O advogado de defesa José Luis usa direito constitucional e disse que Kátia não responderá às perguntas do MP.


Tendo em vista que desde os dias dos fatos o Ministério Público teve uma postura agressiva e desperespeitosa, no entender da defesa, e tendo em vista a postura na data de ontem com uma testemunha de defesa ela só responderá as perguntas da juíza e dos jurados 

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Kátia Vargas só irá responder as perguntas feitas pela juíza e pelos jurados. 

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10h02
Kátia Vargas vai para o centro do júri e começará a falar. 


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9h52
Após 12 minutos voltam para o salão do júri a ré, seus advogados de defesa, os jurados e a juíza. Permaneram  no local parentes de Emanuel e Emanuelle e também a promotoria e o advogado de acusação. 

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Os promotores Luciano Assis e Davi Gallo, além do assistente de acusação Daniel Keller, seguem dentro do plenário do júri.

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Os jurados também saíram. O advogado de defesa José Luis está conversando com a juíza, que também deixou o salão do júri.

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9h40
Após exibição de vídeo com depoimento de Marinúbia Gomes, Kátia Vargas deixa o salão do júri acompanhada de duas policiais militares e de dois dos seus três advogados. 

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Marinúbia diz que o filho tinha sofrido outro acidente antes, na Avenida Paralela. Ela relata que não foi um acidente grave. Ela falou, no vídeo, que partiu uma peça da moto e ele teve que chamar o guincho. 

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Como o áudio do vídeo do depoimento de Marinúbia é ruim, os dois promotores se aproximaram da TV. 

'Me desculpe, eu não queria chorar mas não consegui', diz Marinúbia Gomes, em vídeo com seu depoimento prestado à Justiça. Ela relata que Emanuel era muito responsável com a casa e com as coisas da família. 

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A atenção está total dentro do salão do júri. No corredor do salão há pouco movimento. 

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Enquanto passa o depoimento de Marinúbia, em vídeo, Kátia Vargas se mantém de cabeça baixa. Ela chegou a colocar a mão no rosto, mas tirou em seguida. A mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle, que está no salão do júri, olha fixamente para a TV onde está sendo exibido seu depoimento. A qualidade do vídeo que é exibida é ruim e não permite que a platéia veja e ouça todos os trechos. 

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No vídeo, Marinúbia Gomes relata que a então namorada de Emanuel ligou para ela falando do acidente e que não conseguiu falar com ele. Tempos depois, ligaram para Marinúbia perguntando se ela estava sabendo do acidente. No vídeo, Marinúbia aparece chorando. 

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Mãe dos irmãos mortos soube de acidente pela TV
O vídeo é audível com qualidade para a platéia. Mas está sendo mostrado o depoimento de Marinúbia Gomes. Ela fala que Emanuelle trabalhava em uma empresa de importação na Pituba. Ela disse ainda que soube de manhã do acidente quando ligou a televisão e viu que tinha ocorrido o acidente de uma moto com um carro. 

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Após o fim da leitura do laudo, começa a ser  exibido o vídeo do depoimento de Marinúbia Gomes, mãe de Emanuel e Emanuelle, prestado em juízo. Uma TV foi colocada na frente do júri. 

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O laudo tem 125 fotografias que estão custodiadas no Departamento de Polícia Técnica. 

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Kátia Vargas, enquanto é lido o laudo, balbucia palavras em tom de oração.

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No instante do impacto do Sorento contra o meio fio, o Sorento se descola do seu centro de gravidade acelerando as suspensões da roda do lado direito. O laudo diz que essas ações evidenciam o 'claro descontrole do Sorento ao tempo que evidencia sua tentativa de retomada quando subiu o meio fio danificando a grade do apart hotel'. 

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Médica perseguiu moto de irmãos, diz laudo.

Já era caracterizada a perseguição do Sorento e o carro seguia no encalço da motocicleta.

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A velocidade do Sorento não permitiu que a moto evitasse o contato, diz o laudo. 

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Enquanto acontece a leitura do laudo Kátia Vargas olhou uma vez para sua família rapidamente. 

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Laudo exclui falha mecânica do carro da médica

A devida interpretação desses achados nos permite afirmar que a falta de controle do motorista do Sorento devido a manobra para a direita foi suficiente para a trágica ocorrência. De tudo que foi levantado, os dados analisados nos permitem excluir qualquer possibilidade de falta mecânica do Sorento ou até mesmo ausência de resposta do sistema nervoso do condutor ou do acometimento de algum mau súbito. O Sorento, tanto na fase pré-colisão, quanto na fase pós-colisão, quando procura restabelecer o controle da dirigibilidade ao retornar a via.

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Laudo aponta que houve toque do carro na moto 

O laudo aponta as evidências dos vestígios das marcas na carroceria do veículo que rebustecem o contato do carro com a motocicleta. As circunstâncias do fato não deixam dúvidas. (Descrição do laudo)

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Laudo
Em momento contemporâneo aos exames, a via encontrava-se com sinalização horizontal separando duas faixas de tráfego e que as condições da pista de rolamento eram assim descritas, não havendo assim justificativa para explicar o movimento imposto pelo motorista do Sorento. 

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O impacto da motocicleta pelo meio-fio foi relatado e ilustrado pela testemunha T5, segundo o laudo, indicando que o choque da roda dianteira produziu uma alavanca projetando-os ao poste.

Choque da roda: a colisão com o meio-fio ocorreu a três metros antes do poste. O impacto contra o poste reflete a absorção parcial de energia cinética na absorção do impacto que os corpos após serem lançados em movimento transformando essa energia em fatais. O lançamento tem uma deflexão a direita (trechos do laudo)

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De acordo com o laudo lido no salão do júri, o impacto do Sorento contra o meio-fio após o poste não foi indicado pelas testemunhas, mas a câmera de monitoramento do Stelecom (central da Secretaria da Segurança Pública) mostra desequilíbrio do veículo. Havia marcas de contato no meio-fio produzidas pela jante do Sorento.

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"Em momento contemporâneo aos exames, a via encontrava-se com sinalização horizontal separando duas faixas de tráfego e que as condições da pista de rolamento eram assim descritas, não havendo assim justificativa para explicar o movimento imposto pelo motorista do Sorento", afirma o laudo da perícia

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Laudo diz que médica perseguiu a moto dos irmãos 
Em instantes subsequentes os deslocamentos da motocicleta pela faixa de pedestres do Othon, diz o laudo, além de ser captada pela câmera é observada pela testemunha T4 que tem sua atenção despertada pela rápida passagem do Sorento, que desenvolvia alta velocidade e o chamou atenção compelido a acompanhar a trajetória.

"Nesse momento já configurava uma perseguição do Sorento à motocicleta. Reiterada a afirmação da testemunha T4 que o Sorento visualiza de forma estática as luzes dos freios. O Sorento tinha velocidade maior que a motocicleta e aciona os freios, atingindo a motocicleta. Foi unânime afirmar que nas duas faixas de tráfego só estavam trafegando a motocicleta e o Sorento", diz o trecho do laudo

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O laudo ainda diz que a motorista do Sorento vai no mesmo sentido da moto. "É possível ver a passagem da moticicleta em velocidade constante e em momento subsequente aparece o Sorento em velocidade crescente. É perceptível a diminuição da distância. Fato sustentado pela declaração das testemunhas e em consonância com as imagens das câmeras.  A passagem do veículo conduzido pela testemunha T3 (nome não divulgado) foi registrada pelas câmeras e passava atrás dos veículos envolvidos".

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No laudo diz que o veículo Kia Sorento estava  parado na via marginal que dá acesso à Avenida Oceânica quando a moto (guiada por Emanuel) se aproxima e dá um tapa no capô do carro e segue em direção ao Rio Vermelho. 

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A oficial de justiça começa a ler o resultado dos exames e do que foi exposto pelas cinco testemunhas que participaram da reprodução simulada do acidente. No laudo diz que uma equipe pericial trará o que aconteceu no dia 11 de outubro de 2013.

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O laudo, que está sendo lido no salão do júri, foi produzido pelo departamento de polícia técnica da Bahia e divulgado em maio. Nele, a perícia diz que Kátia Vargas estava em perseguição quando atingiu irmãos. 

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Juíza incia procedimentos com leitura do laudo da reprodução simulada. Uma oficial de justiça fará a leitura. 

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Vestida com uma blusa branca de manga longa entra no salão de júri Kátia Vargas. A fisionomia da ré está mais abatida do que ontem. 

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Juíza passa recomendações para a platéia. Ela afirma que ontem algumas pessoas estavam gravando - o que não é permitido - e que por conta disso não terão acesso hoje ao plenário. 

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Os sete jurados - cinco mulheres e dois homens - já estão posicionados. Eles foram escolhidos ontem. Eles não foram para casa e ficaram em um hotel (que não teve o nome divulgado). Eles não tiveram contato - nem mesmo entre eles. 

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8h54
Começou o segundo dia do júri

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A filha de Kátia Vargas, que havia saído do salão do júri, voltou agora com um terço na mão e um copo de água na outra. Uma mulher, que está ao lado dela, conversa com a adolescente dando beijo na testa como se estivesse confortando. 

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8h43
Vestida de toga, juíza Gelzi Maria Almeida Souza entra no salão do júri. Júri começará em instantes. 

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8h30
Antes de começar o júri, que já está meia hora atrasado, pessoas que chegam ao salão cumprimentam as famílias de Kátia Vargas e dos irmãos Emanuel e Emanuelle, que estão sentados em lugares opostos. 

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A estudante de Direito Waleska Mota, 30, falou sobre a ansiedade para este segundo dia. "Ansiedade é muita, para nós que somos da área, é realmente um aprendizado". Sobre a sentença, embora acredite na  condenação, Waleska defendeu que a pena deve ser ponderada. "A população clama por justiça, mas que seja proporcional ao ocorrido. Existe um crime, mas existe também o pós crime. É preciso entender e tentar ponderar as coisas".

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Mais dois homens sentaram agora na fileira reservada para os familiares de Kátia Vargas. 

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Hoje, a família de Kátia Vargas sentou em posição diferente no salão do júri. Ontem, eles estavam mais na ponta da fileira, no extremo direito. Hoje, estão no extremo direito da fileira. Cada família tem nove lugares. No lado de Kátia, até agora, tem quatro lugares ocupados. No da família de Emanuel e Emanuelle tem cinco ocupados. 

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Veja vídeo com os argumentos de Daniel Keller, assistente de acusação sobre o que deve acontecer nesse segundo dia  

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Antes de entrar no salão do júri, o assistente de acusação Daniel Keller falou que a médica Kátia Vargas pode mudar de versão hoje. 

"O júri vai votar quesitos. O júri vai votar apenas aquilo que a defesa, em plenário, sustentar. A defesa não alega que ela não cometeu dolo. A defesa diz que não houve crime. Ela nega a discussão de trânsito, ela nega a colisão, ela nega o crime. Mas hoje, no apagar das luzes, ela pode mudar de tese. Não faz o menor sentido uma pessoa dizer o tempo inteiro: 'eu não matei, eu não matei'. E no final, no apagar das luzes, ela dizer: 'eu matei, mas não foi por querer. Eles se apegam a fatos periféricos para tentar tirar a credibilidade das testemunhas. Elas narram a discussão, elas narram a perseguição, elas narram o impacto. E é disso que a Justiça precisa para condenar Kátia Vargas'", afirmou Keller.

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Kátia Vargas chega ao fórum Ruy Barbosa. Ela entrou em um veículo preto pela Rua do Carro, que dá acesso ao fórum. Seus advogados de defesa, José Luis de Oliveira Lima e Daniel Kignel já estão no salão do júri. O corpo de defesa ainda tem o advogado Rodrigo Dall'Acqua.

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8h06
Portões abertos para a entrada do público ao salão do júri

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Vestidos de branco, a família de Kátia Vargas acabou de chegar ao salão do júri. Esposo da ré, o médico oftalmologista Paulo Henrique Brito Pereira entrou no local com os dois filhos adolescentes e outras duas pessoas.

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O assistente de acusação Daniel Keller conversa, nesse momento, com Marinúbia Gomes e outras três mulheres que acompanham ela dentro do salão do júri. 

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Mãe dos irmãos Emanuel e Emanuelle, Marinúbia Gomes entrou no fórum chorando. 

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Faltam seis minutos para a abertura oficial... Olha a expectativa.

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Aguardando a abertura dos portões, o estudante Matheus Siletes, 24, acredita que a condenação da médica deve sair. Segundo ele, a condenação seria o justo para Kátia Vargas. "Eu notei que a defesa estava  tranquila. Mas não acho que isso seja negativo, pelo contrário, podem até ter cartas na manga. Ainda assim, acredito na condenação", conta. Ele afirmou, ainda, que o ponto alto do julgamento foi o momento em que o advogado da família das vítimas, Daniel Keller, se exaltou ao fazer questionamentos ao perito. "Ele se descontrolou e a juíza precisou intervir e interromper a sessão por cinco minutos".

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O estudante de Direito Murilo Maia, 26, disse que chegou certo da condenação mas já não apostaria. "Eu tinha dado como certa [a condenação], mas a defesa foi muito fria, agiu com tranquilidade. Eles vieram muito preparados e acredito que estão um passo à frente", relatou. Segundo ele, os advogados da médica conseguiram "balançar" a acusação.

"Deram uma desnorteada na coisa. Por isso, ainda não vou apostar minhas fichas, quero ver o que vão ter para hoje".

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Mãe dos jovens Emanuel e Emanuelle, Marinúbia Gomes acabou de chegar ao Fórum Ruy Barbosa, em Salvador.

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Segunda a chegar na fila, a artesã Maria Ângela Facchinetti, 66, resolveu se precaver e às 3h já estava no local. "Ontem vim mais tarde e peguei muito tumulto, hoje quero assistir mais tranquila", disse. A artesã comentou o que, para ela, foi o clímax do júri. "Os interrogatórios às testemunhas são incríveis. Fiquei convencida porque ninguém da acusação entrou em contradição", acredita. Ângela disse que tem como certa a condenação da médica.

"O acidente foi na porta de minha casa. Estou aqui enquanto mãe, que vi aquela coisa horrível. Acredito e espero a condenação", salientou.

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Culpada ou inocente?
Mesmo se o júri condenar a médica Kátia Vargas, ela não será presa ao fim do julgamento. A prisão só aconteceria após um eventual trânsito em julgado – ou seja, quando não houver nenhum outro recurso cabível ao processo. Decisão deve sair hoje no final do dia.

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Sem viaturas
Ao contrário do que aconteceu no primeiro dia do júri não há policiamento ostensivo aparente. Até o momento, às 7h30, não há viaturas em frente ao fórum. Ontem, eram pelo menos cinco. 

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Na fila do júri
O advogado Danilo Albuquerque, 29, demonstrou ansiedade nesses últimos minutos que antecedem a abertura dos portões. Para ele, não há como afirmar se a médica vai ou não ser condenada.

"Eu fiquei impressionado com a qualidade técnica da defesa. Eles trouxeram relatórios de todos os 25 jurados. Estudaram cada uma das testemunhas. A maioria das testemunhas foram contraditórias. Com base no que vi ontem, sinceramente, ainda não tenho juízo de valor", pontuou.

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Resumo do primeiro dia

  • Duração de 10 horas
  • Médica Kátia Vargas ficou boa parte do tempo de cabeça baixa. Ela chorou várias vezes durante júri
  • Mãe das vítimas, Marinúbia Gomes, saiu do tribunal durante a exibição das fotos do acidente. Pela primeira vez, ela viu fotos dos filhos mortos. 
  • Dois sorteados para júri de Kátia Vargas pediram dispensa por terem postado sobre caso em rede social
  • Cinco testemunhas de acusação foram ouvidas: depoimentos reafirmam que médica perseguiu e jogou carro na moto matando irmãos
  • Cinco testemunhas de defesa foram ouvidas: perito contratado  afirmou  que  acidente ocorreu após a moto cair em vala ao lado do meio-fio; outras testemunhas relataram bom caráter da médica

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6h58
A empresária Flávia Carvalho, 37, e a estudante de Direito Iara Santos, 30, chegaram na fila por volta de 7h para o segundo dia de júri. Ambas acreditam na condenação da médica. "É o meu primeiro júri. Ver na prática o que estudamos, mas além disso, principalmente para dar apoio à Mari [mãe dos irmãos]", afirmou Iara. Para a estudante, a defesa da médica deixou a desejar.

"Por ela já estar parcialmente condenada pela sociedade, achei a defesa muito doce. Fraca, esperava mais. A promotoria engoliu a defesa", avaliou a estudante de Direito Iara

Flávia e Iara acompanharam o primeiro dia do julgamento no Fórum Ruy Barbosa

6h40
O início da sessão está previsto para as 8h, mas uma fila já se forma na porta do Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré. O acesso é controlado por meio de senhas, que foram distribuídas na semana passada. Saiba quem são as pessoas que pegaram as senhas. 

Fila do segundo dia para acompanhar o júri popular da médica Kátia Vargas

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Entenda como vai ser o júri
A sessão começa com a leitura do memorial, uma recapitulação do que ocorreu na véspera. O interrogatório da médica será o primeiro passo - mas ela poderá optar por não falar. Caso decida dar depoimento, não há um limite de tempo para o interrogatório da ré.

Depois, o Ministério Público e a assistência da acusação terão 1h30 – dividida entre as duas partes. A defesa da médica também terá 1h30, podendo ser seguida de 1h de réplica da acusação. Se houver réplica, a defesa terá direito a uma hora de tréplica. Por fim, a juíza explicará os quesitos – que serão lidos por ela e deverão ser marcados por cada jurado em uma cédula de ‘sim’ ou ‘não’.

As cédulas são depositadas em uma urna que fica em uma sala secreta. Inicialmente, serão seis quesitos. Além desses, outros poderão ser adicionados a partir da tese da defesa.

No caso de Kátia, pelo menos três quesitos já são conhecidos: são os três qualificadores apresentados pela denúncia do Ministério Público estadual, quais sejam, motivo fútil, perigo comum e impossibilidade de defesa da vítima. A juíza fará a contagem dos votos até que ocorra a maioria – ou quatro “sim” ou quatro “não”.

Nenhuma votação é por unanimidade, justamente para preservar a escolha dos jurados. “Com base nessa votação, o juiz vai fazer a sentença”, disse a juíza Gelzi Maria Almeida Souza. Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a expectativa da magistrada é que a sentença saia ainda nesta quarta, mesmo que no final da noite.

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Primeiro dia do júri
Acompanhe aqui tudo o que aconteceu no primeiro dia do júri popular da médica Kátia Vargas, que aconteceu no salão do júri, no Fórum Ruy Barbosa, no bairro de Nazaré. 
 

Julgamento de Kátia Vargas começou nesta terça-feira (5)
(Foto: Divulgação/TJBA)