“O ato de escrever é sofrido”, diz Ruy Espinheira Filho

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06.10.2017, 22:48:00
Atualizado: 06.10.2017, 22:51:51

“O ato de escrever é sofrido”, diz Ruy Espinheira Filho

Homenageado pela Flica nesta sexta (6), escritor baiano conversou sobre temas como criação literária e infância

“O ato de escrever é sofrido”, disse o escritor baiano Ruy Espinheira Filho, 74 anos, durante sua participação na Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), na noite de ontem. “Nada é confortável, porque a escrita é, de certa forma, sempre angustiante”, completou o homenageado da sétima edição do evento, que recitou poemas e conversou sobre temas como a criação, a infância, os estilos literários e a influência paterna.

Homenageado com uma escultura do artista plástico Doidão Bahia, presenteada pelo curador da Flica, Tom Correia, e pelo coordenador geral do evento, Emmanuel Mirdad, Ruy agradeceu a homenagem. “Estou me sentindo muito honrado, porque a Flica é um evento importantíssimo. E sendo um evento de literatura é algo cuja importância é maior ainda, porque dá oportunidade para essa arte que tantas vezes é silenciosa”, agradeceu o autor, acresscentando que “ser chamado para participar como homenageado de uma festa dessa é algo que a gente não pode se esquecer nunca mais”.

Durante a mesa A Poesia em suas Infinitas Estações, mediada por Mônica Menezes, realizada no Convento do Claustro, Ruy também falou sobre sua infância na cidade de Poções, “a primeira referência poderosa de poesia da minha vida”, a importância da leitura - “não vale a pena ficar lendo bobagem” – e a influência do pai no seu gosto por literatura.

O autor contou que herdou do pai, que foi um grande leitor de filosofia, sociologia, história e poesia, o gosto pelos livros. Espinheira também falou sobre a importância da crônica e ressaltou que arte é a vida.

“O que foi minha vida, está na minha arte”, justificou. “A literatura brasileira talvez seja a maior do mundo, em termos de cronistas”, destacou Ruy. O escritor alertou, por outro lado, que existe uma falta de sensibilidade no Brasil, hoje, que precisa ser reconquistada. “Estamos vivendo uma triste época da cultura em nosso país. Mas vamos resistir”, garantiu, otimista.

Ruy Espinheira é autor de livros de poemas como Heléboro (1974) e Sob o Céu de Samarcanda (2009), indicado ao Prêmio Portugal Telecom. Mas ele também escreveu romances como Ângelo Sobral Desce aos Infernos (1986) e Um Rio Corre na Lua (2007), entre várias outras obras, sempre num diálogo criativo entre a prosa e a poesia. No total, são 26 publicações.