Um mês antes de crime, suspeito se declarava em redes sociais: 'Obrigado por me fazer feliz'

salvador
12.07.2017, 22:09:00
Atualizado: 26.07.2017, 09:11:26

Um mês antes de crime, suspeito se declarava em redes sociais: 'Obrigado por me fazer feliz'

Jovem de 24 anos foi perseguida e assassinada pelo ex no bairro do Uruguai, diz polícia

Quase um mês antes da morte de Luana Fernandes Hungria, 24 anos, assassinada no bairro do Uruguai na terça-feira (11), o suspeito José Carlos Lopes Junior, 35 anos, se declarava para a jovem nas redes sociais. No dia 13 de junho, um dia após o Dia dos Namorados, a recepcionista postou uma foto do casal: "Para nós todo o amor do mundo". José Carlos foi um dos que comentaram: "Muito obrigado por você me fazer feliz e me proporcionar esse momento mágico... I love you".

Mensagem de José Carlos para Luana 
(Foto: Reprodução/Facebook)

Na web, os dois mostravam uma vida tranquila e família. Luana postava foto com sua filha, de 2 anos, fruto de outro relacionamento. José Carlos também compartilhava várias fotos do filho, também criança, a quem se refere como "razão da minha vida".

O namoro de cinco meses de Luana e José Carlos chegou ao fim há cerca de uma semana. Na sua conta no Facebook, o motorista já indicava que era "solteiro", mas segundo o delegado Jamal Amad, da 3ª Delegacia de Homicídios, testemunhas confirmaram que ele estava perseguindo Luana inconformado com o fim do relacionamento. 

De acordo com a polícia, no dia crime a perseguição continuou e Luana parou na casa do primo de Jose Carlos para pedir ajuda, mas ele a alcançou e atirou três vezes contra a jovem, que foi atingida no tórax e na boca. Uma amiga de Luana também foi baleada na mão.

“Desde que fomos informados do homicídio realizamos diligências para encontrá-lo, mas ainda não tivemos êxito, por isso representamos pela prisão temporária do autor, após ouvir as testemunhas”, contou o delegado. Qualquer informação sobre o paradeiro do suspeito pode ser repassada ao Disque-Denúncia, por meio do telefone 3235-0000.

Emoção na despedida
Emocionados, a mãe e o pai da jovem precisaram ser amparados durante o sepultamento. "Ela era a melhor pessoa do mundo e aquele monstro matou ela. Ele tirou ela de mim. Matou meu bebê", dizia a mãe durante o enterro. O corpo de Luana foi sepultado sob aplausos.

Enterro de Luana (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

Uma vizinha que conheceu Luana e o ex-namorado desde que os dois eram crianças contou que ele já estava interessado nela há anos. "Ele tentou namorá-la quando era mais moça, tinha uns 15 ou 16 anos, mas a família dela não deixou. Perceberam que ele não prestava. Depois que ela ficou maior de idade, a família já não podia fazer mais nada. Ela acabou se envolvendo com ele, mas foi rápido o namoro, coisa de alguns meses. Agora esse animal matou a menina", contou a mulher que pediu para não ser identificada.

O cemitério ficou lotado. No final, os balões brancos foram soltos no ar ao som dos aplausos. Algumas pessoas aproveitaram para dar um abraço no pai, na mãe e no único irmão de Luana. "Como ele pôde fazer essa maldade com minha filha? Não vou poder ver mais minha filha. Nunca mais", repetia o pai da jovem. A mãe dela precisou de ajuda para caminhar até a saída do cemitério. 

Ciúmes e morte
Luana terminou o relacionamento por medo do comportamento ciumento do namorado. Eles se conheceram ainda criança, cresceram na mesma rua e começaram a namorar havia cerca de cinco meses. Há cinco dias, Luana resolveu terminar o namoro, mas o motorista José Carlos queria reatar.

Na tarde desta terça-feira (11), a jovem saiu da clínica onde trabalhava por volta das 14h. Na ida para casa, resolveu encontrar com a amiga Janaína Aguiar Silva Bispo, 24, que também mora no Uruguai. As duas caminhavam juntas até a Rua José Geraldo Veloso Gordillho, onde a recepcionista morava, quando foram surpreendidas pelo ex, que chegou armado em uma moto Honda Fan preta. O irmão da vítima, Lázaro Hungria, 32, confirmou que Luana resolveu colocar um ponto final na relação depois que José Carlos passou a exceder no ciúme.

"Ele passou a proibir ela de ter amizades. Ele reclamava muito porque a minha irmã tinha muitas amizades com homens", diz. Ainda segundo ele, Luana e o motorista cresceram na mesma rua, no Uruguai. "Nós conhecemos toda a família, não imaginávamos que ele, um cara tranquilo, pudesse fazer isso com ela", completa.

Luana foi perseguida e morta pelo (Foto: Reprodução)

No sábado (8), José Carlos esteve na casa de Luana. "Eles conversaram por um tempo, mas não brigaram. No final, ele se despediu da minha mãe e chamou ela de sogra", lembra o irmão. Ele conta ainda, que três dias antes do crime, Luana chegou a alertar a mãe sobre o comportamento do ex-namorado. "Até então ela não tinha se queixando dele. Só no sábado, ela conversou com minha mãe sobre o ciúmes, mas não chegou a dizer que estava sendo ameaçada".

A mãe do motorista também havia alertado ao filho sobre o ciúmes que ele tinha com a nora. "Ela dizia que o filho iria acabar perdendo Luana de vez. A mãe chamou atenção dele várias vezes para a forma como ele vinha tratando minha irmã", conta o irmão.

O crime aconteceu na mesma rua onde os dois teriam engatado o relacionamento, em frente à casa da tia do acusado. Luana conversava com Janaína no momento da abordagem. De acordo com os familiares da vítima, José Carlos desceu da moto ameaçando a jovem, foi quando um primo viu a confusão e tentou intervir. 

"Ele gritava: 'Saia da frente, saia da frente'", conta o irmão da jovem. Luana tentou se esconder na garagem da residência para ligar para a mãe do motorista. "Foi aí que ele puxou ela e efetuou o primeiro disparo. Depois do primeiro tiro, a amiga tomou a frente e também ficou ferida". Segundo a Polícia Civil, foram três disparos. 

Luana foi baleada no braço e no tórax, chegou a ser levada por familiares para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de San Martin, mas acabou morrendo. Ela deixa uma filha de 2 anos, fruto de outro relacionamento - a criança ainda não sabe da morte da mãe. "Já pensei em mil e uma formas de contar que mãe dela não está mais aqui. Minha irmã, apesar da pouca idade, era madura e matava e morria pela filha", lembra o irmão.