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Alunos da Uesb denunciam intoxicação no RU; vídeo mostra larva em comida


 

Pelo menos 16 estudantes se queixam de problemas estomacais após comerem no local e cobram fiscalização da reitoria

  • Mario Bitencourt

Publicado em 08/08/2017 às 00:01:00
Atualizado em 17/04/2023 às 09:55:04
. Crédito: Foto: Reprodução

Ao menos 16 estudantes da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), campus de Vitória da Conquista, Sudoeste baiano, estão se queixando de intoxicação alimentar, depois de terem almoçado no bandejão da instituição. Um vídeo divulgado na internet, na semana passada, mostra uma larva se movendo na comida servida pelo restaurante universitário (RU).

A suposta intoxicação, segundo eles, ocorreu no último dia 28. Os estudantes cobram da reitoria uma investigação sobre os alimentos que são servidos à comunidade acadêmica. A Uesb diz que o caso está sendo apurado.

“Nem tomei café da manhã nesse dia. Almocei no restaurante arroz, feijão, carne de porco e salada. Comi pouco em casa à noite. Na madrugada, tive diarreia, ânsia de vômito e calafrio”, afirmou a estudante do 5º semestre de Jornalismo Leilane Cristina Fuersuti, 22 anos.

“Não tenho dúvidas que foi por causa da comida do restaurante. Ainda fiquei mal no sábado, só melhorei mesmo no domingo”, completou a universitária, cuja colega, Manuela Scipioni, 21, com quem almoçou junto no mesmo dia, passou pela mesma situação.

As duas disseram ter comido no bandejão, que custa R$ 3,75 – alunos beneficiados pelo Programa de Assistência Estudantil pagam R$ 1. Já no quilo, a refeição sai a R$ 10. “Tive uma das piores noites de minha vida e só pode ter sido por causa da comida”, reforçou Manuela. Restaurante universitário da Uesb, em Vitória da Conquista, onde, segundo estudantes, ocorreu intoxicação alimentar (Foto: Mário Bittencourt/CORREIO) Abaixo-assinado As suspeitas de que elas tinham sofrido intoxicação alimentar por conta da comida do RU foram reforçadas na segunda, quando outros alunos começaram a divulgar os casos entre colegas.

Eles fizeram um abaixo-assinado para pedir que providências sejam tomadas e que já conta com mais de 300 assinaturas. A ideia do grupo é se reunir para protestar contra a situação durante esta semana.

O coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) William Martins disse que “há um bom tempo há reclamações [a respeito da má qualidade da comida]”. “Eu, pessoalmente, já passei mal. Fiquei três dias mal e parei de comer lá tem oito meses”, ilustrou.

“Isso vem desde o ano passado. A qualidade da comida é péssima há um bom tempo. Já reclamamos com a reitoria e não foi tomada providência. Por um tempo, melhorou a qualidade da comida, mas piorou. Já foi encontrada aranha, caco de vidro”, afirmou Martins.“Isso vem desde o ano passado. A qualidade da comida é péssima há um bom tempo. (...) Já foi encontrada aranha, caco de vidro.” (William Martins, coordenador geral do DCE)Há quem elogie No restaurante são servidas mais de 700 refeições, diariamente. Alguns estudantes ouvidos pelo CORREIO nesta segunda-feira (7) elogiaram o alimento, outros criticaram não só a comida, como o atendimento.

“Como aqui quase todos os dias e nunca tive problemas. Acho as refeições muito satisfatórias, tanto no que se refere ao preço quanto ao sabor e à diversidade”, comentou o estudante Ciro Aguiar, 18, da Escola Agrotécnica Sérgio de Carvalho, que funciona dentro do campus da Uesb.“Como aqui quase todos os dias e nunca tive problemas. Acho as refeições muito satisfatórias, tanto no que se refere ao preço quanto ao sabor.” (Ciro Aguiar, aluno da Escola Agrotécnica)Tamiles Lopes, 30, do 1º semestre de Pedagogia, disse que acha “ótima a comida”, sobretudo a variedade. “Esse preço é muito atrativo. Vem até gente de fora comer aqui”, acrescentou.

Uma estudante de Psicologia que não quis ter o nome divulgado afirmou que “percebe má vontade dos funcionários em servir a comida”. “Elas ficam economizando, colocando pouco”, reclamou.

Na manhã desta segunda-feira, a empresa que administra o restaurante informou que enviariam nota ao CORREIO no final da tarde, comentando sobre o assunto, mas isto não ocorreu.

Nesta terça-feira (8), a Uesb divulgou nota pública, afirmando que “passou por fiscalização da Vigilância Sanitária em junho de 2017 e tem alvará sanitário com validade até outubro de 2018". 

“A Universidade esclarece que todas as denúncias feitas em relação à prestação do serviço no espaço, assim como qualquer outra, serão devidamente investigadas pela Instituição, que preza sempre pelo bem-estar e segurança de sua comunidade”, informa instituição. 

A Vigilância Sanitária de Vitória da Conquista informou que não foi acionada para averiguar o caso.

Uesc sofreu interdição Um dos registros mais graves de intoxicação alimentar em restaurantes universitários ocorreu na Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), no Sul da Bahia, em julho de 2016. Os alunos tiveram diarreia, vômito e enjoo.

Mais de 100 pessoas se queixaram de terem passado mal depois de se alimentar no restaurante. Dias depois, a Vigilância Sanitária de Ilhéus interditou o local, que voltou a funcionar cerca de um mês depois, com a realização de reformas estruturais.

“Hoje, está indo bem, mas ano passado foi um Deus nos acuda. Por dois dias, houve gente reclamando. Depois, vimos que foi uma situação pontual, mas que não pode ocorrer. Atualmente, está 60% melhor que era antes”, declarou o coordenador de Comunicação do DCE Wiqui Souza, do 6º semestre de Administração.

Procurada para informar sobre quais obras foram feitas no restaurante, após o caso, a Uesc disse que precisaria de mais tempo para atender à demanda do CORREIO.

No restaurante da Uesc, o aluno paga R$ 7 pelo quilo da comida, R$ 5,50 café e janta e são distribuídas 1.500 senhas por dia que dão direito a alimentação de graça.

A Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) também possui restaurante universitário, o qual, inclusive, já foi alvo de ocupação por parte de estudantes que cobravam melhorias na qualidade da comida.

A ocupação, ocorrida em 2012, durou quase 100 dias. Atualmente, comem de graça no restaurante os 228 estudantes residentes na Uefs. No café, pagam R$ 0,50 e R$ 0,80 na janta. Outros alunos pagam R$ 1,00 no bandejão.

Para quem não tem direito ao benefício, o almoço custa R$ 8,20 o quilo e R$ 4,00 o café e janta. A Coordenação de Assuntos Estudantis da Uefs informou que atualmente o DCE da instituição está sem gestão.