Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

David Rios: incentivo ao parto normal

  • D
  • Da Redação

Publicado em 24 de junho de 2015 às 07:34

 - Atualizado há 3 anos

O Brasil tem, hoje, o mais alto índice de cesarianas do mundo, uma cirurgia que deveria ser de emergência e não uma prática rotineira, como acontece no país, pois, apesar de sua rapidez e praticidade, ela  eleva em até 120 vezes as chances de problemas respiratórios para o recém-nascido e  representa um risco de morte materna dez maior do que em partos normais, segundo a American Journal of Obstetrics and Ginecology.  As taxas de cesarianas, no Brasil, chegam  a 84% na rede privada de saúde e 40% no SUS e configuram o que o Ministério da Saúde já considera uma epidemia, pois, o  percentual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 15%.Nos Estados Unidos , que também se esforçam para baixar o patamar, o índice de partos cesarianos é de 32,8%, mais que o dobro recomendado pela OMS. Na França, 21%, na Finlândia e Holanda, 17%, na Bolívia, 19%, no Peru, 25%, Colômbia, 43%. México, 39%, e Chile, 32%.  A cesariana deveria ser indicada apenas quando o parto normal fosse impedido por complicações como gravidez de risco ou problemas de saúde, como a placenta que impede a passagem do bebê pelo canal do parto, ruptura uterina, e deslocamento precoce da placenta, situações raras no quadro clínico geral das parturientes.Ainda a favor do parto normal, deve se levar em conta que bebês nascidos por este procedimento, além de terem menos chances de contrair doenças respiratórias, estão mais protegidos contra as doenças autoimunes, como lúpus, psioríase e vitiligo,  e   até obesidade, sem contar que a mortalidade infantil é 11 vezes maior para os nascidos em cesarianas. Portanto, antes de se efetuar um corte, muitas vezes desnecessário, nas mães submetidas ao parto cesariano, é preciso também pensar na saúde do bebê.  Como também na Medicina vigora o lema “tempo e dinheiro”, muitos médicos e maternidades optam pele cesariana porque o parto normal pode demandar  muitas, tempo que daria para agendar duas ou mais cesáreas.  O abuso das cesarianas levou  a Agência Nacional de Saúde (ANS) a estabelecer novas regras para a realização de partos no país, com o objetivo de estimular os partos normais e reduzir o número de cesáreas. Para isso, reforçou a importância do partograma, espécie de relatório detalhado de como foi o parto. Obrigatório no SUS, o documento não vinha sendo tratado com o rigor necessário pelos planos de saúde. Com a medida, as operadoras dos planos de saúde só poderão efetuar o pagamento dos procedimentos com a apresentação do partograma. O descumprimento da exigência estará sujeito à multa de R$ 25 mil para a operadora do convênio. Com isso, a ANS espera desestimular os nascimentos agendados, já que os profissionais de saúde vão ter que aguardar a gestante entrar em trabalho de parto. A medida tornará mais evidente o excesso de cesarianas no Brasil e reforçará o argumento das mulheres que desejem um parto normal pelo plano de saúde. Um dos mitos que alimentam as cesarianas é o de que  a gestante não deve se submeter a um parto normal, se já fez uma cesariana antes, o chamado  VBAC (sigla em inglês para parto vaginal após uma cesárea). Esse tabu leva, muitas vezes, a novos partos cesarianos desnecessários, não obstante as comprovações  que se pode fazer  o VBAC com segurança.   Diante da prática abusiva de cesáreas no Brasil e, por extensão também na Bahia,  propus (como deputado e também médico),  projeto de lei que institui, no âmbito do estado da Bahia, a Campanha de Incentivo ao Parto Normal e Humanizado, justamente para oferecer mais informações às gestantes e  a seus familiares sobre as vantagens do parto normal e necessidade real da cesariana.  A futura mamãe precisa conhecer melhor as opções de que dispõe antes de escolher como deseja ter o seu bebê, respeitando, quando houver, os  possíveis impedimentos médicos. Para isso, a campanha contará com a distribuição de cartazes, folders, palestras, entre outros incentivos que contribuirão com os esclarecimentos sobre a importância do parto normal e do parto humanizado, que oferecem  muitas vantagens para a mãe e filho, como o maior conforto,  pois, não há necessidade de recuperação da anestesia, nem de uso de medicamentos, nem da episiotomia (o corte cirúrgico feito na vagina - região denominada de períneo durante o parto vaginal para ampliar o canal de parto).Por fim, um último alerta: a cesariana deve ser uma opção somente quando forem esgotados todos os meios de se realizar o parto normal.

* David Rios  é médico e deputado estadual pelo PROS