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Eduardo Athayde: aplicativos e ‘netologia’

  • D
  • Da Redação

Publicado em 9 de julho de 2014 às 07:27

 - Atualizado há 3 anos

Programas de computador, chamados de aplicativos (apps), que permitem o usuário desempenhar tarefas específicas e podem ser baixados pela internet, estão virando um grande negócio. Em 2013, os apps geraram uma receita de 25 bilhões de dólares. Tendências apontam para 70 bilhões de dólares em 2017 e um pulo para 500 bi de dólares em 10 anos.Parques tecnológicos especializados em Tecnologia da Informação (TI) podem ser incentivados em qualquer lugar do mundo. Só para efeito comparativo, o PIB do Estado da Bahia é de 90 bilhões de dólares.A velocidade dos acontecimentos revela tendências. Quando a Apple lançou a sua loja de aplicativos iTunes, em 10 de julho de 2008, haviam apenas 500 aplicativos disponíveis. Três dias depois, mais de 10 milhões de apps tinham sido baixados. Em seis meses, 15 mil apps estavam disponíveis, chegando a 500 milhões de downloads. O primeiro bilionésimo app baixado aconteceu em 23 de abril de 2009, oito meses após o lançamento. No final de 2013, incríveis 102 bilhões de apps haviam sido baixados.Uma crescente parcela da receita de aplicativos vem de organizações que trabalham em rede (network), disponibilizando seus dados através de interfaces, chamados de “APIs gateways” e incentivando a participação de terceiros desenvolvedores, formando uma espiral de inteligência nova e alavancando dados de empresas e serviços.Sustentabilidade exige trabalho de diversas formas em rede.Existem hoje cerca de um milhão de apps para o sistema operacional da Apple, o mesmo numero para Android, e 280 milhões de aplicativos são baixados diariamente em todo o mundo. É como se cada um dos 7.1 habitantes do planeta baixasse 14 aplicativos por dia. Os apps gratuitos mais baixados são, Whatsapp, Facebook, Skype, eBay, Google Earth e Google Search. Os mais vendidos são jogos, como Angry Birds, Doodle Jam, Fruit Ninja.Na reunião que tivemos na semana passada, em Palo Alto, na Califórnia, no chamado Vale do Silício, com representantes da Google, Apple, Linked In, Facebook e algumas startups (empresas embriões) de última geração, onde dinâmicos cenários de frente revelam tendências, fatos pulavam mostrando que a mídia impressa (jornais e revistas) definhará na próxima década. Livros impressos devem demorar um pouco mais.Circulam rumores de ofertas de compra do New York Times - mais importante jornal do mundo - pelo Google.Segundo pesquisa do WWI-Worldwatch Institute, jovens profissionais abaixo de 35 anos não leem mais noticias em papel. Livros, revistas e jornais são acessados de tablets, notebooks e smartphones. Já há casos de doutorados feitos sem contato com livro de papel – PhDs conferidos pela academia sem que o doutorando tenha tocado em papel. Vasculhando meus botões, descobri que tenho 65 apps no meu iphone, abro pouco a maioria deles, mas alguns são indispensáveis no dia a dia como a agenda, email, navegador da internet, jornais, revistas - e whatsapp, o melhor deles até agora. Muitos amigos têm 200-300 apps nos seus celulares. Coitados!?Ligado na “netologia”, observo minha neta Gabriella, de 8 anos, brasileira residente do exterior, fluente em português, espanhol e inglês, me dando dicas no seu iphone; às vezes ao meu lado, na mesma cidade, quando posso sentir o seu cheiro gostoso; outras em diferentes países - mas ainda lado a lado -, via facetime, app do iphone que permite videoconferência gratuita em qualquer lugar do mundo. Arthur, o neto de 2 anos, já tem o seu iPad e não deixa ninguém ligar e ajudar a acessar jogos e vídeos. Sei fazer sozinho, vô,  retruca.Por enquanto, fotos e vídeos dos outros dois netos, Felipe, com 1 ano e meio, e Alice, com 3 meses, circulam durante o dia com fofocas de família no “FiC” (Family in Concert), grupo fechado do whatsapp – app criado numa garagem, em 2009, e vendido 4 anos depois por 19 bilhões de dólares. No meu laboratório de “netologia” intuo, observo tendências e pesquiso novos aplicativos [tecnológicos e antropológicos], enfrentando a inquietante questão: como será o mundo quando os netos estiverem sentados na minha cadeira?

* Eduardo Athayde  é diretor do WWI-Worldwatch Institute no Brasil.eduathayde@gmail.com