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O teatro incompleto, os respiradores de Rui Costa na mira da PGR e as nomeações travadas

Leia a coluna na íntegra

  • Foto do(a) author(a) Pombo Correio
  • Pombo Correio

Publicado em 5 de junho de 2026 às 05:30

Artistas avaliam que Jerônimo antecipou a entrega do TCA por causa das eleições
Artistas avaliam que Jerônimo antecipou a entrega do TCA por causa das eleições Crédito: Imagem gerada por IA

Prometida como uma das grandes entregas da gestão estadual na área da cultura, a reinauguração do Teatro Castro Alves (TCA), prevista para o início de julho, já provoca mais preocupação do que entusiasmo nos bastidores do meio artístico. Após uma visita recente ao equipamento, artistas, produtores e profissionais do setor saíram com a impressão de que o teatro será entregue “oco”. Segundo relatos ouvidos pela coluna, o espaço deve ser reaberto com a estrutura física concluída, mas sem sistemas definitivos de iluminação cênica e sonorização. Na prática, produtores teriam que levar equipamentos próprios para realizar espetáculos, elevando significativamente os custos de montagem e operação.

De olho na eleição

Entre artistas e produtores, cresce o comentário de que a reabertura teria forte componente eleitoral. A avaliação é que o governo Jerônimo (PT) corre para fazer a entrega apenas por causa das eleições, não por já ter concluído o equipamento. O resultado é uma inauguração que corre o risco de render alguns aplausos no discurso oficial e muitas vaias nos bastidores.

Fôlego comprometido

A notícia de que a Procuradoria-Geral da República pediu o envio do caso dos respiradores ao Supremo Tribunal Federal voltou a assombrar os planos eleitorais de Rui Costa (PT). Em nova manifestação, a PGR sustenta que as suspeitas de crime na compra dos aparelhos podem ter envolvido também operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos enquanto Rui estava sentado na cadeira de ministro da Casa Civil do governo Lula (PT). Os respiradores, que poderiam salvar vidas durante a pandemia, nunca chegaram e os R$ 48 milhões pagos antecipadamente não foram recuperados aos cofres públicos. A quatro meses das eleições, não se sabe se o ex-ministro terá fôlego para dar explicações e pedir voto ao mesmo tempo.

Na geladeira

O secretário de Relações Institucionais do governo Jerônimo, Adolpho Loyola, já recebeu uma extensa lista de lideranças políticas do interior indicadas pelo ex-ministro Rui Costa para serem nomeadas na estrutura estadual. Entre eles estão ex-prefeitos que ficaram esquecidos por três anos e, recentemente, foram atrás de Rui. Contudo, até agora, as nomeações não saíram. Não se sabe se por pirraça de Adolpho ou se por confusão entre a Serin e o gabinete paralelo de onde seriam as vagas. Se comenta que a Embasa vai ficar mais pesada com 60 cargos especiais.

Confissão do fracasso

A ida de ACM Neto (União Brasil) à Travessa Ubatã, em Narandiba, onde dezenas de famílias foram obrigadas a abandonar suas casas por causa da atuação de uma facção criminosa, gerou uma forte repercussão entre os aliados do governador Jerônimo. Mas em vez de manifestarem solidariedade às famílias ou de pedirem reação das forças de segurança na região, muitos preferiram questionar como o ex-prefeito conseguiu chegar ao local - o que, em certa medida, acabou produzindo um efeito colateral constrangedor para o próprio governo. É que, junto com a curiosidade, os petistas acabaram admitindo se tratar de uma área onde nem o governo consegue acessar. Ou seja, uma confissão pública de fracasso na segurança pública.

Lonjura

Menos de 15 minutos separam o gabinete onde despacha o governador Jerônimo Rodrigues, no Centro Administrativo da Bahia, da Travessa Ubatã. A curta distância geográfica, todavia, é inversamente proporcional à lonjura política que ele mantém do tema da segurança pública. O cenário visto em Narandiba lança por terra o slogan de “governo presente” da propaganda de Jerônimo.

Contorcionismo

Mas de todas, a reação do líder de Jerônimo na Assembleia Legislativa, deputado Rosemberg Pinto (PT), merece uma atenção especial, diante do contorcionismo. Em resposta à imprensa, ele primeiro disse que aquele não era um problema da Bahia, e sim do Brasil. Depois, falou que para resolver a questão era preciso “distribuir renda”. Em seguida, imputou responsabilidade “às milícias” e, como não podia faltar, culpou Bolsonaro.

Humor caro

O comediante Matheus Buente foi condenado a pagar R$ 4 mil por danos morais ao advogado Mateus Nogueira da Silva. Buente chamou o autor da ação de “advogado burro do satanás”. A decisão ocorreu após a Justiça concluir que publicações e manifestações feitas pelo réu extrapolaram os limites da crítica e do humor, atingindo a honra do autor da ação. A sentença destacou que o influenciador utilizou múltiplas plataformas digitais para ampliar o alcance do conteúdo considerado ofensivo. Bom, depois de tudo, é preciso reconhecer que Buente provocou uma risada... Desta vez do advogado.

Queda livre

A ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho (MDB) anda com dificuldades para alavancar sua pré-candidatura a deputada federal. A grande festa de lançamento que fez na semana passada foi um fiasco de público e já acendeu um alerta para Moema, que deixou a prefeitura da cidade com elevado índice de rejeição. Há quem diga que, hoje, a deputada Ivoneide Caetano (PT) tem mais votos em Lauro do que Moema, que foi prefeita da cidade por quatro mandatos.

Espuma de chopp

Ao que parece, o PT resolveu repensar as críticas que durante anos direcionou à Prefeitura de Salvador pelos contratos de exclusividade com marcas de cerveja em grandes eventos, como o Carnaval. Agora, foi a vez de Camaçari, principal cidade administrada pelo partido na Bahia, adotar a mesma fórmula para o Camaforró. Por força de contrato, apenas uma única marca poderá ser comercializada nos espaços oficiais da festa, entre os dias 20 e 23 de junho. Pelo visto, o que antes era tratado como símbolo de concentração de mercado ganhou novos contornos quando a caneta tem tinta vermelha. Há certas convicções que parecem evaporar mais rápido do que espuma de chopp.

Vale lembrar

Jerônimo deve completar os quatro anos de mandato sem conseguir ter tirado do papel uma das primeiras promessas feitas logo após ser eleito, ainda em 2022: renovar a frota do sistema ferry-boat. Nada mais oportuno que um novo feriadão para retomar a cobrança. A lembrança veio do líder da oposição na Assembleia, Tiago Correia (PSDB), que à época chegou a elogiar a iniciativa, mas que agora chama a atenção que a promessa permaneceu atracada. A movimentação mais recente ocorreu no mês passado, quando, após sucessivas licitações fracassadas, uma empresa foi finalmente escolhida. Na prática, entretanto, ninguém consegue ver no horizonte quando, e se, os ferries c