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Maiara Baloni
Publicado em 4 de junho de 2026 às 11:11
O cenário lembra destinos turísticos distantes, mas fica a cerca de 50 quilômetros do Plano Piloto de Brasília. Localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) de Cafuringa, em Brazlândia, o Poço Azul é um dos refúgios naturais do Distrito Federal que atrai visitantes em busca de ecoturismo. >
Com águas em tons de esmeralda e azul-turquesa, o local registra um fenômeno curioso: embora seja muito compartilhado em redes sociais, ainda é desconhecido por parte dos próprios moradores da capital federal. >
Cerrado secreto e os caminhos que levam ao complexo do Poço Azul
O poço principal é apenas a parte inicial do circuito. Dados do Museu do Cerrado indicam que a propriedade abriga mais de 15 quedas d’água e poços formados ao longo do curso do Rio da Palma. Entre os pontos mapeados estão as cachoeiras do Véu de Noiva, da Mãe, da Árvore e da Paz. O complexo divide-se em duas vertentes principais a partir do mesmo acesso, o circuito do Poço Azul e uma segunda cachoeira mais isolada, procurada por quem tenta evitar aglomerações.>
A coloração da água ocorre devido a fatores geológicos da região. A pureza das nascentes combina-se com o fundo rochoso composto por quartzito e calcário. Esse leito de pedra clara reflete a luz solar e atua como um filtro, destacando os tons de azul. Para observar o efeito em sua intensidade máxima, a recomendação é visitar o local pela manhã, a partir das 7h, quando a posição do sol atinge diretamente o fundo do poço. >
A formação rochosa de Cafuringa também possui relevância paleontológica. Por ser rica em cavernas e sistemas de águas subterrâneas, a região compartilha características com complexos inundados do Brasil Central. Nesses ambientes, pesquisadores e mergulhadores já localizaram fósseis da megafauna pré-histórica, como preguiças-gigantes e tigres-dentes-de-sabre, preservados pela composição mineral da água>
O histórico de visitação da área começou na década de 1970. Nos anos 1980, o fluxo sem controle gerou desgaste ambiental na vegetação local. A situação mudou a partir de 1990, quando o espaço foi reconhecido como monumento natural e passou a ter acesso monitorado pelos proprietários da terra, o que permitiu a regeneração da fauna e da flora nativas. >
Para os visitantes, o nível de esforço varia conforme o trajeto escolhido. O acesso ao Poço Azul principal exige uma caminhada de aproximadamente um quilômetro a partir da sede. Já o circuito completo pelas demais quedas d'água chega a 5 quilômetros de extensão em terreno irregular, com cascalho e subidas íngremes. A descida final até a água apresenta um desnível de cerca de 7 metros entre as pedras, exigindo atenção e calçados adequados.>
A melhor época para a visitação vai de maio a setembro, período que compreende a estação seca no Centro-Oeste. Nesses meses, a água atinge maior nível de transparência e o risco de trombas d’água é nulo. Em dias de chuva forte, as trilhas ficam escorregadias e a água costuma ficar turva devido à lama. >
O trajeto a partir de Brasília segue na direção de Sobradinho. No Balão do Colorado, o motorista deve virar à esquerda no sentido Brazlândia e acessar a DF-001 (região do Lago Oeste). Após o fim do asfalto, são 10 quilômetros de estrada de terra batida até a portaria.>
A infraestrutura local é básica, composta por estacionamento e guarita. Não há lanchonetes ou restaurantes na propriedade, sendo necessário levar água e alimentos. >
Como o sinal de celular e internet é fraco na região, transações via PIX ou cartão de crédito encontram dificuldades. O valor da taxa de entrada varia entre R$ 20 e R$ 40 por pessoa, e os administradores recomendam levar dinheiro em espécie. A portaria encerra a entrada de novos visitantes às 17h, e o encerramento das atividades ocorre às 18h.>