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Moyses Suzart
Publicado em 30 de maio de 2026 às 11:00
O corpo também precisa falar. Tirar tensões, descarregar excessos e responder ao peso da rotina acelerada que não mexe apenas com a mente, mas também com o físico. Um divã corporal, para ser bem direto. É justamente dessa ideia que parte a massoterapia, conjunto de técnicas terapêuticas que utiliza o toque para promover relaxamento, aliviar desconfortos e estimular o autocuidado nesta rotina do caos. Mais do que um momento de descanso, a proposta é criar uma pausa para perceber sinais do corpo que, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia. E podem trazer consequências no futuro, inclusive. >
“A massoterapia é autocuidado. Não é um cuidado só físico, é um cuidado com o corpo para a vida inteira. A massoterapia entra como prevenção, não é apenas relaxamento. A gente vive num cotidiano em que se fala muito da mente, da mente, da mente, enquanto o corpo acaba ficando associado apenas à saúde, ao esporte, ao corpo ideal. Mas a massoterapia é uma terapia para o corpo. É um convite para olhar para si”, explica a massoterapeuta Priscila Adorno. >
E, se o corpo está ligado diretamente à mente, a massoterapia acaba, de alguma forma, mexendo com o psicológico também, um bem-estar completo. Um artigo do Touch Research Institute, que compilou diversas pesquisas sobre os benefícios da massoterapia no cotidiano, apontou que hormônios responsáveis pelo estresse diminuem cerca de 31% após uma massagem, enquanto outros responsáveis pelo bem-estar, como a dopamina, aumentam 30%. É uma troca justa, principalmente para um trabalhador brasileiro que mal tem tempo de respirar por conta da rotina. Por isso a massoterapia tem sido utilizada no ambiente de trabalho com mais frequência.>
“Quem quer trabalhar com dor? Ninguém suporta. A pessoa não chega ao trabalho só com a carga profissional. Ela traz família, preocupações, problemas, histórico emocional. Tudo isso vai sobrecarregando o corpo. E quem paga a conta é o corpo que adoece. Por isso a massoterapia também entra como prevenção laboral. A empresa só tem a ganhar quando olha para o cuidado com o colaborador. Menos afastamento, menos estresse e mais rendimento. Às vezes quinze minutos já fazem diferença”, conta Adorno.>
Talvez por isso minha editora chefe pediu uma matéria que vai além de uma reportagem convencional. Como todo trabalhador convencional, este jornalista que vos escreve também deposita toda carga diária no seu corpinho de 45 anos. “Você vai tomar uma massagem com Priscila Adorno e vai descrever como você se sente, é aquele jornalismo experiência, tá? Vá com Sora (fotógrafa)”, determinou Linda Bezerra. E foi assim que descobri, na prática, que terapia também pode acontecer fora do consultório.>
Até então, confesso que olhava para esse universo com certo estranhamento. Nunca tinha entrado nesse “divã corporal”. Como seria me deitar numa maca, receber óleo, pedras quentes, agulhas e permitir que alguém mexesse nesse pacote flácido chamado corpo com uma intimidade que hoje em dia poucas pessoas têm acesso? Percebi que, além da técnica da massoterapia ainda não atingir pessoas suficientes que buscam o bem-estar, também gera muito desconhecimento e preconceito também. Durante anos a massagem foi confundida, de forma equivocada, com o cunho sexual. >
Massoterapia
“Sim, já tive experiências bem ruins, mas tem mudado essa visão, cada vez mais raro. Faço massoterapia desde 2006 e diminuiu bastante, cada vez mais raro. Mas o preconceito ainda existe, infelizmente”, aponta Adorno. >
Voltemos à experiência. Pesquisando sobre o tema, para não chegar voando na consulta, constatei que a técnica nasceu de um atleta sueco, Peter Lind. Pesquisas revelam que a massoterapia elimina células mortas e resíduos das secreções das glândulas cutâneas. É como uma substituição, renovação da estrutura celular. Ou seja: quanto mais faz, melhor para esta limpeza em duas camadas da pele: epiderme e derme. >
A primeira técnica que recebi foi a auriculoterapia. Esta prática terapêutica estimula pontos específicos da orelha, geralmente com pequenas agulhas, como na acupuntura. Ela é baseada na ideia de que a orelha funciona como um mapa do corpo e utilizada como abordagem complementar para auxiliar no relaxamento, no manejo do estresse, na melhora da qualidade do sono e no alívio de dores e desconfortos. Depois de retiradas, são colocadas pequenas sementes, que podemos apertar quando estamos em picos elevados de estresse. E na primeira agulhada, senti que a dor precede o relaxamento. De alguma forma, o corpo começou a falar. >
“O corpo responde ao toque. Tem lugares em que o cliente nem percebe que existe dor até o momento do contato. A gente toca e ele diz: ‘Nossa, aqui doeu’. O corpo vai mostrando sinais o tempo inteiro. Na textura da pele, na coloração, em reações que observamos durante a avaliação. O corpo é fofoqueiro, ele conta muita coisa. Mas nosso papel não é diagnosticar doença, é perceber sinais e orientar quando é necessário procurar um médico”, disse Priscila Adorno.>
Vale pontuar que nem sempre é relaxante, mas extremamente necessário. Senti muitas dores, como se o corpo todo estivesse reclamando da minha negligência com ele. Minhas costas pareciam ter caroços, uma coleção de quebra-molas que Adorno tentava quebrar. Doía, mas aliviava depois. Como uma confissão no divã, um choro diante da psicóloga, minha carcaça desabafou como podia. Aos poucos, a dor foi criando aspectos de alívio e a técnica da massoterapia, antes dolorosa, ganhava finalmente o aspecto de bem-estar. Precisava doer para aliviar.>
Minha terapia corporal foi satisfatória. Senti dor, ouvi meu corpo e relaxei no final. A massagem envolveu tronco, membros e até a zona facial. Mas não adianta ir apenas uma vez. Não existe receita pronta. Quando o corpo está inflamado ou muito tensionado, exige mais cuidado e mais frequência nas sessões. Depois isso vai sendo ajustado e espaçando os atendimentos. É um trabalho contínuo. Apesar de ser minha primeira vez na massoterapia, minha situação não foi das piores. >
“No seu caso, eu não vi nada grave, mas vi muita tensão, principalmente nas costas. E sua preocupação não deve ser com o hoje. É quem vai ser você daqui a dez anos. Como vai estar esse corpo se não houver prevenção e autocuidado hoje?”, completa Priscila. >
O que será de mim daqui a alguns anos eu realmente não sei. Mas saí dali entendendo uma coisa: autocuidado não é prêmio, luxo ou intervalo ocasional. É manutenção. A gente fala muito sobre cuidar da mente e esquece que o corpo também acumula rotina, preocupação e excesso. Talvez terapia para o corpo não resolva tudo. Mas pode ser um começo para escutar aquilo que ele já vem dizendo há muito tempo.>
Priscilla Adôrno >
Massoterapeuta>
Local: Centro Empresarial Itaigara Sul, Sala 110, Itaigara, Salvador>
Especialidades: Massagem relaxante, drenagem linfática, ventosaterapia, auriculoterapia, massagens com pedras quentes e bambu, além de massagem modeladora.>
Instagram: @priterapias21>
Contato: (71) 99122-7441>