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Donaldson Gomes
Publicado em 25 de abril de 2026 às 05:00
A pergunta que serve de título para este texto é incômoda para uma parte da elite política baiana, ainda que desta vez a Bahia sequer tenha sido considerada no enunciado. O ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o mais conceituado centro de formação tecnológica do Brasil, sonho de boa parte dos jovens que querem desenvolver carreiras na área de exatas, escolheu o estado nordestino do Ceará para sediar a sua primeira unidade fora do estado de São Paulo – e existem boas razões para isso. >
O campus de Fortaleza, que teve a sua criação formalizada em 2024, recebeu um investimento de aproximadamente R$ 445 milhões na primeira etapa de obras, que foi inaugurada no dia 1º de abril, com 14 laboratórios, 40 quartos, sala de estar e cozinha, com capacidade para 80 alunos. A partir de 2027, ele abrigará dois novos cursos estratégicos e inovadores, que não são lecionados na sede, em São José dos Campos: engenharia de energia e engenharia de sistemas.>
Para atender à nova sede do Instituto, na Base Aérea de Fortaleza, 99 servidores foram aprovados em concurso público, incluindo professores, pesquisadores, técnicos e tecnologistas. Desses, 33 já tomaram posse e estão trabalhando.>
A instalação do ITA no Ceará faz muito sentido, em primeiro lugar, por conta da ligação que o estado tem com o instituto. No comentário de uma notícia sobre a inauguração do prédio nas redes sociais, uma seguidora disse que a escolha do estado era muito justa porque “40% dos alunos que passam em primeiro lugar são cearenses”. Outro lembrou a brincadeira que o professor de um cursinho preparatório para o ITA costumava dizer: “o ITA é um instituto de cearenses lá em São José dos Campos”.>
Uma reportagem do Antagonista indica que 45% dos candidatos ao ITA são nordestinos, enquanto 40% dos aprovados são cearenses ou estudaram no estado. >
Mas além de se destacar nos processos seletivos do ITA, o Ceará consegue ter um destaque na educação que é de fazer inveja a uma Bahia que anda sempre na rabeira dos índices. O estado nordestino tem a melhor rede pública do Brasil no ensino fundamental e a terceira melhor nota no ensino médio, de acordo com os dados mais recentes do Ideb. O mesmo índice coloca o Ceará como sede das dez melhores escolas públicas do país. Um outro índice, o Ioeb (Índice de Oportunidades da Educação Brasileira), mostra que 31 dos 50 municípios brasileiros que mais avançaram na educação estão lá. E a Bahia? Lá embaixo… >
Outro fator está na conexão do estado com as energias renováveis e a transição energética, mas a cereja do bolo é certamente o fato de o ex-governador do Ceará, Camilo Santana, ter sido até o final do mês passado o ministro da Educação. Merecidamente, diga-se de passagem, direcionou para o seu estado um investimento que faz todo o sentido lá e que deverá trazer grandes benefícios para a população cearense. Tudo certo. >
O que não faz nenhum sentido é o caso de um outro ex-governador e ex-ministro. O nosso Rui Costa ocupou até o início deste mês um dos postos mais importantes em Brasília, como chefe da Casa Civil. Por aqui, esperava-se, no mínimo, a conclusão do primeiro trecho da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), entre Caetité e Ilhéus. Não fez. Também deixou a Bahia à míngua na renovação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) e no caso da ViaBahia – cuja solução deve ficar para a próxima gestão federal. Podia ter sentado com Camilo e aprendido com ele como o pessoal faz lá no Ceará.>
Olho nas passagens>
Embora o Estreito de Ormuz seja a mais falada passagem de navegação do momento, o ambiente de tensão geopolítica em torno do domínio do comércio internacional deu a estes locais papéis estratégicos. Assim que retomou o poder como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, partiu para cima do Panamá e avisou que não aceitaria o canal sendo usado para favorecer a China. Agora, as atenções do magnata se voltam também para uma outra passagem, o Estreito de Malaca, no sudeste asiático. A Indonésia confirmou nesta semana que os Estados Unidos pediram autorização militar para sobrevoar o território. Malaca é o caminho mais curto e seguro entre os oceanos Índico e Pacífico. Por lá, além de passarem 23,2 milhões de barris de petróleo e 260 milhões de metros cúbicos diários de gás natural liquefeito (GNL) por dia, passa 25% do comércio mundial de automóveis e um mundo de componentes eletrônicos e outros bens industriais. A passagem é tão importante que levou o ex-presidente chinês Hu Jintao a cunhar a expressão "dilema de Malaca". >
Não brigue com o papa>
Brigar com religiosos é sempre um péssimo negócio, como mostram os mais recentes índices de rejeição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que se envolveu numa intensa troca de farpas com o Papa Leão XIV recentemente. Claro que a alta de preços com a guerra no Oriente Médio também ajudou o norte-americano a ser rejeitado por 62% da população de seu país, de acordo com um levantamento da Reuters/Ipsos. O sociólogo Pierre Bourdieu explica que existe um tipo de poder que é simbólico, não depende de força e é invisível, parecendo ser "natural". Esta é a força que um líder religioso como o papa costuma ter. Bater boca com um homem destes sempre será um péssimo negócio. >
Tempos de guerra>
Na última terça-feira (dia 21), o Japão aprovou uma alteração nas regras para a exportação do setor de defesa, encerrando a proibição à venda de armas letais no exterior. Com isso, o país passará a ser capaz de fornecer equipamentos como caças, mísseis e navios de guerra para seus parceiros externos. Entusiasta do fortalecimento militar do Japão, a primeira‑ministra japonesa Sanae Takaichi comemorou a mudança numa publicação no X. "Hoje, nenhum país consegue proteger sozinho sua própria paz e segurança. Por isso, são necessários parceiros que se apoiem mutuamente também em termos de equipamentos de defesa", afirmou. O Japão utilizou a sua indústria armamentista para movimentar a sua economia na década de 1950, durante a Guerra da Coreia. Depois, em 1976, proibiu o comércio.>
Uma resposta>
Pode ser mera coincidência? Pode, mas pouco depois de o governo brasileiro colocar a BYD, uma das joias da indústria chinesa, na lista suja do trabalho escravo, a Embaixada da China no Brasil divulgou um post nas redes sociais mostrando como o país é seguro. A jovem "esquece" a chave na ignição da sua moto e ninguém toca no veículo. Depois, "esquece" o celular e outro brasileiro pede a ele que vá correndo buscar. Ela vai placidamente e encontra o aparelho. Por fim, vai para casa a pé, às 3h da manhã, e nada de ruim lhe acontece. No fim, ela defende as câmeras de segurança e diz que lá ela se sente bastante segura.>
meme da semana>
O meu querido Bahia está virando freguês do Remo. Léo Condé colocou Rogério Ceni no bolso, de novo. Desta vez, na Fonte Nova. Como não resta muito mais a fazer, o negócio é rir da situação e torcer para dias melhores nos próximos confrontos do brioso Tricolor de Aço.>
(Viu algum meme interessante? Encaminha para donaldson.gomes@redebahia.com.br)>