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Donaldson Gomes
Publicado em 15 de abril de 2026 às 16:48
Cada um em seu lugar >
Pablo Cesário, novo presidente do IBRAM, demonstrou a preocupação do setor mineral brasileiro com a possibilidade da criação de uma estatal para a exploração de minerais críticos e terras raras. A ideia de uma "Terrabras", ou algo equivalente, pode até render no discurso da soberania, mas o histórico mostra que não é o caminho mais eficiente. Acredite, o país já teve uma empresa privada que atuava com areias monazíticas (fonte de terras raras), na década de 1960. Sabe o que aconteceu com ela? Foi estatizada, sucateada e extinta. "A participação do estado é fundamental no desenvolvimento desta indústria, mas a melhor forma de fazer isso é se dedicando ao que faz melhor e deixando a iniciativa privada fazer a sua parte", defende Cesário. "Como em todo investimento em inovação, é preciso ter participação pública. O estado pode ter vários papéis, mas o que importa é que cada um tenha o seu espaço", frisa.>
Interesse externo>
Um destes papéis certamente será o de definir como o potencial brasileiro para a produção de minerais do futuro vai se reverter em riqueza e desenvolvimento do país. Segundo Pablo Cesário, o Ibram tem sido convidado a falar com representantes de diversos países a respeito do assunto. "Estamos conversando com todos os agentes envolvidos, mas neste momento o destaque fica para o governo e o parlamento. A gente não substitui o governo nas conversas com outros países", diz. Segundo ele, agentes dos Estados Unidos, China e da União Europeia, através da Alemanha, são os mais entusiasmados. "Temos noção do nosso papel e clareza da nossa oportunidade", destaca. >
Setor mineral>
O Ibram apresentou nesta quarta-feira (dia 15) o desempenho do setor mineral brasileiro nos três primeiros meses deste ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, a atividade cresceu 6%, chegando a um faturamento de R$ 77,9 bilhões. No intervalo de 12 meses, encerrado em fevereiro deste ano, foram gerados pouco mais de 9 mil empregos na mineração brasileira. A Bahia continua entre os três principais estados mineradores do país, com 6% do faturamento total, atrás apenas de Minas Gerais e PArá, com 38% e 35%, respectivamente. O setor projeta receber pouco mais de US$ 76,9 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030 – 15,2% do total está previsto para a Bahia, que, mais uma vez, perde apenas para Minas e Pará, com 25,6% e 19,1%, respectivamente. >
Boas notícias>
Com cerca de 60% do volume de cargas previsto para 2026 já contratado, a CS Portos começa a capturar os efeitos comerciais da operação plena, com expectativa de receber navios Panamax ao longo do segundo trimestre deste ano. A companhia, responsável pelos investimentos nos terminais ATU 12 e ATU 18, no Porto de Aratu, participa da Intermodal South America, em São Paulo, onde apresenta sua nova etapa de expansão comercial. Nesse cenário, a CS Portos projeta que os terminais movimentem 6 milhões de toneladas em 2026, refletindo os ganhos de capacidade, escala e eficiência após os investimentos realizados. Na feira, a CS Portos destaca dois marcos recentes no ATU 18: o embarque, em março, de um navio com 35 mil toneladas de sorgo e, no início de abril, de outro com 57 mil toneladas de soja. Oriundas do oeste baiano, as cargas reforçam o papel do Porto de Aratu como porta de saída da produção estadual para o mercado externo e marcam o início da movimentação de granéis sólidos vegetais no complexo após 51 anos de atividades.>
Presença no Nordeste>
A Valence Massey Ferguson, concessionária do Grupo Valence, expandiu a atuação no Nordeste, assumindo operações na Bahia, Sergipe e Pernambuco. Na região, a empresa investiu cerca de R$ 35 milhões em infraestrutura, estoques de peças, equipamentos, oficinas e profissionais especializados. Com atuação em 363 cidades baianas, a empresa apresenta um portfólio completo de plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e diversos implementos, além da venda de peças e suporte técnico em campo com soluções tecnológicas inovadoras. Guilherme Fonseca, diretor-executivo, destaca que a Valence investe na região para ser parceira do produtor nordestino, com foco em produtividade e um pós-venda de alta qualidade. A chegada da empresa coincide com o fortalecimento do agronegócio na região. A produção de grãos, por exemplo, deve alcançar 28,2 milhões de toneladas em 2026, alta de 2,2% em relação a 2025, segundo projeção do IBGE.>
Urgências do presente>
O ex-senador Waldeck Ornélas reuniu mais de uma centena de artigos sobre os desafios da infraestrutura na Bahia em um livro. Bahia Urgências do Presente, publicado pelo Instituto Desenvolve Bahia, será lançado na próxima quinta-feira (dia 23), às 17h30, na Livraria Leitura do Salvador Shopping. A tese central da publicação é simples e incômoda: a Bahia não tem como crescer enquanto não resolver sua desconexão física com o resto do país. Não é uma crise de conjuntura, é uma questão de obras que não foram feitas, de decisões que foram adiadas, de projetos que foram paralisados antes de sair do papel. Ornélas organiza os textos por tema em ordem cronológica invertida, o que cria um efeito perturbador: o leitor vê que as perguntas de 2015 são as mesmas de 2025. >
Marco em Camaçari>
A Continental comemora 20 anos de atividade da sua fábrica de pneus em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), agora em abril. Desde a inauguração da planta, em 2006, a fábrica produziu aproximadamente 136 milhões de pneus. Com investimentos de aproximadamente R$ 1,2 bilhão nos últimos dez anos, a Continental vem fortalecendo continuamente a competitividade da planta, com foco claro em eficiência, qualidade de produto e evolução das necessidades dos clientes. Hoje, com pouco mais de 2 mil colaboradores, a fábrica se mantém como uma das principais empregadoras da RMS.>
Novas lojas>
A TIM anuncia um plano de expansão na Bahia com a inauguração de sete novas revendas em polos estratégicos para a economia do estado. As novas unidades estão distribuídas pelas cidades de Alagoinhas, Eunápolis, Feira de Santana, Itamaraju, Paulo Afonso, Santo Antônio de Jesus e Teixeira de Freitas, reforçando a capilaridade da marca em praças que lideram os índices de crescimento fora da capital. A escolha das localidades reflete a estratégia da companhia em descentralizar o atendimento e apostar no potencial de consumo do interior baiano. Além disso, a expansão ocorre em um momento de ressignificação do varejo físico, acompanhando uma tendência global onde, embora o comércio eletrônico avance, a grande maioria do consumo se concretiza em espaços presenciais. Levantamento global da consultoria Kyndryl aponta que 80% das compras ainda ocorre em lojas físicas, enquanto o comércio eletrônico responde por cerca de 20% das vendas.>