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Donaldson Gomes
Publicado em 9 de abril de 2026 às 05:00
Guerra na construção >
A indústria da construção civil está em alerta com os recentes aumentos nos custos de insumos. Impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, a alta já impacta contratos em andamento e coloca em xeque projeções de crescimento para 2026. O segmento projetava uma expansão de 2% este ano, mas o movimento é de revisão com a alta nos custos, que pressionam o valor final das obras e dos imóveis, além de impactar projetos de infraestrutura, que podem sofrer atrasos, revisões orçamentárias e até inviabilização. Para representantes da construção civil na Bahia, o que mais chama atenção é a velocidade e a amplitude dos reajustes aplicados. Além de impactar obras privadas, empresas que prestam serviços ao setor público também estão sofrendo com o cenário. É o caso de quem opera o programa Minha Casa Minha Vida, atua com pavimentação, obras rodoviárias e na coleta e transporte de resíduos.>
Alta de insumos>
Eduardo Passos, presidente do Sinduscon-BA, lembra que a atividade enfrenta alta de insumos desde a pandemia. Além da crise sanitária, houve uma escalada nos preços praticados também em 2022, quando estourou a guerra na Ucrânia. Entre os principais aumentos registrados, ele destaca preços de combustível, fretes, produtos à base de petróleo, como o PVC e até o cimento. No caso do PVC, diz, há relatos de aumentos acima de 35%. “É um patamar injustificável”, acredita. O concreto, essencial para a construção civil, já foi reajustado em até 16%, para algumas empresas. “Imagine uma empresa que possui um contrato para prestação de um serviço que recebeu um reajuste de 5% em janeiro e está vendo os seus custos aumentarem 15%”, analisa. >
Todo mundo perde>
Angelo Simões, presidente da Coopercon-BA, acredita que os aumentos não se explicam apenas por recomposição de custos. “Certamente veremos no final do ano, quando os balanços de muitas empresas forem publicados, que estes reajustes são aumentos de margens”, diz. A construção civil depende de previsibilidade, lembra. Segundo ele, a situação já causa prejuízos. Simões cita um exemplo particular. Apresentou um orçamento recentemente e o cliente pediu um desconto de 5% no valor final. Uma semana depois, a proposta final, impactada pela alta dos insumos, era 5% mais cara que a inicial. “O cliente preferiu esperar. Todo mundo perdeu”, lamenta. Eram cerca de 150 empregos diretos, calcula. >
Nova queda>
O ano de 2026 vem se desenhando negativo para o comércio exterior baiano. As exportações do estado atingiram US$ 801,7 milhões em março, menor valor para o mês desde 2021, representando uma queda de 20% em comparação com o mesmo período do ano passado, aponta análise realizada pela Sei, a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O fator que puxou para baixo as receitas foi o volume de embarques, com um recuo de 26,4%, já que os preços médios aumentaram 8,6% no comparativo interanual. A redução nas vendas externas de derivados de petróleo foi de 84,6%, graças ao imposto de exportação estabelecido pelo governo para compensar o subsídio ao diesel internamente. Já as importações tiveram aumento de 20,7%, motivada pelo nível da atividade econômica e o aumento dos preços internacionais. Houve alta de 1.278,6% na chegada de bens de consumo, essencialmente de carros chineses, apesar da fábrica em Camaçari. >
Casa no CT>
O City Football Group vai construir o primeiro empreendimento residencial integrado a um centro de treinamento no Brasil. O condomínio será ligado ao novo CFA – City Football Academy Bahia (Centro de Treinamento do Bahia), em parceria com a QPC Incorporadora e o Grupo Terere. O projeto propõe um conceito inédito no Brasil ao integrar moradia, esporte de alto rendimento, saúde, tecnologia e lazer em um exclusivo condomínio, com lotes entre 700 m² a 1.500 m² para construção de casas, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. Inspirado em modelos internacionais ligados ao esporte de elite, o empreendimento será planejado para funcionar de forma integrada ao CFA, aproximando o cotidiano dos moradores da mesma estrutura e metodologias de padrão global de esporte e saúde utilizadas por atletas profissionais.>
Bahia Export>
Hoje e amanhã, o Bahia Export 2026 reúne empresários, autoridades e especialistas para discutir caminhos para o desenvolvimento da Bahia na sede da Fieb. Em um momento de forte debate nacional sobre investimentos e transição energética, o encontro se posiciona como um espaço de articulação entre poder público, iniciativa privada e entidades representativas, reunindo autoridades e lideranças estratégicas para discutir caminhos que impactam o desenvolvimento da Bahia. A pauta inclui temas sensíveis e prioritários, como concessões, investimentos em logística, expansão energética, mineração sustentável e diretrizes ESG, todos com forte interface com a formulação de políticas públicas.>