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O segredo de Pirenópolis e o mistério por trás das cachoeiras e da mulher que desafiou a fé no coração de Goiás

Conheça a história de Santa Dica e entenda como a famosa cidade das cachoeiras e casarões coloniais virou palco de milagres e romarias muito antes da era digital

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 30 de maio de 2026 às 17:43

Santa Dica se tornou uma das figuras mais misteriosas e populares da história de Goiás após relatos de curas, visões e fenômenos espirituais nos anos 1920
Santa Dica se tornou uma das figuras mais misteriosas e populares da história de Goiás após relatos de curas, visões e fenômenos espirituais nos anos 1920 Crédito: Divulgação, Prefeitura de Pirenópolis

Hoje conhecida pelas cachoeiras, casarões coloniais e ruas de pedra, Pirenópolis guarda histórias pouco conhecidas que ajudam a explicar por que a cidade se tornou um dos destinos culturais mais simbólicos do Centro-Oeste brasileiro. Entre elas, nenhuma atravessou tantas gerações quanto a trajetória de Santa Dica, líder espiritual que mobilizou multidões no interior de Goiás e virou personagem do imaginário popular.

Cachoeira do Dragão por Reprodução, Agita Pirenópolis

Da corrida do ouro ao turismo histórico

Fundada por volta de 1727, durante o ciclo do ouro em Goiás, Pirenópolis nasceu como um arraial minerador impulsionado pela chegada de bandeirantes em busca de metais preciosos. O nome da cidade foi inspirado na Serra dos Pireneus, formação montanhosa que domina a paisagem da região e se transformou em um dos principais cartões-postais do município.

Com o declínio da mineração, a antiga vila passou por uma transformação gradual. O que antes era rota de garimpo virou polo turístico, gastronômico e cultural. Igrejas centenárias, construções coloniais e tradições populares ajudaram a preservar a identidade histórica da cidade ao longo dos séculos.

A mulher que virou símbolo de fé popular em Goiás

Foi nesse cenário que, nos anos 1920, surgiu uma das figuras mais misteriosas da história goiana. Benedita Cipriano Gomes, conhecida como Santa Dica, passou a atrair atenção após relatos de curas espirituais, visões e fenômenos considerados milagrosos por moradores da região.

Filha de uma família simples do interior, Dica ganhou fama ainda jovem, quando seguidores começaram a afirmar que ela possuía dons espirituais capazes de curar doenças e aconselhar pessoas em sofrimento. Em pouco tempo, a notícia se espalhou por diferentes estados brasileiros.

O movimento religioso cresceu rapidamente e transformou Pirenópolis em destino de romarias e peregrinações. Centenas de pessoas viajavam até a cidade em busca de proteção espiritual, bênçãos e tratamentos considerados milagrosos.

Influência ultrapassou a religião

O fenômeno em torno de Santa Dica não ficou restrito à fé popular. A líder espiritual também passou a exercer forte influência social e política sobre seus seguidores, formando uma comunidade própria e despertando preocupação entre autoridades civis e setores da Igreja Católica.

A repercussão ultrapassou Goiás e ganhou dimensão nacional. O caso chamou atenção de intelectuais e artistas da época. A pintora modernista Tarsila do Amaral chegou a retratar Santa Dica em uma de suas obras, ajudando a eternizar sua imagem na cultura brasileira.

Fé, lenda e memória viva em Pirenópolis

Mesmo décadas após sua morte, Santa Dica continua cercada por relatos de fé e mistério. Em Pirenópolis, moradores ainda afirmam ter alcançado graças atribuídas à líder espiritual, mantendo viva uma devoção que atravessa gerações.

Hoje, a história de Benedita Cipriano Gomes faz parte do patrimônio cultural e oral da cidade. Entre cachoeiras, igrejas coloniais e festividades tradicionais, Pirenópolis também preserva narrativas que misturam espiritualidade, política, cultura popular e lenda.