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Pombo Correio
Publicado em 29 de maio de 2026 às 06:00
A chegada de um navio supostamente com materiais destinados à ponte Salvador-Itaparica, tratada pelo governo Jerônimo Rodrigues (PT) como um marco histórico na semana passada, virou motivo de chacota nos bastidores do setor portuário baiano. Segundo pessoas que atuam no porto e conhecem detalhadamente a operação dos navios, a embarcação celebrada pelos petistas não tinha nem 50 contêineres destinados à ponte, volume considerado irrisório pelos especialistas. Para se ter uma ideia, um navio daquela proporção tem capacidade para cerca de 8 mil contêineres. Inclusive, mensalmente, a própria BYD costuma trazer muito mais contêineres do que os que chegaram para a ponte. >
Vexame>
Ou seja: o governo vendeu a imagem de que o navio inteiro teria vindo carregado de materiais para a ponte, criando um grande espetáculo político em torno da operação, mas tudo não passou de enganação. Jerônimo foi pessoalmente acompanhar a chegada da embarcação, enquanto lideranças petistas transformaram o episódio numa espécie de celebração antecipada da obra. Convenhamos: depois de 20 anos de promessas, comemorar a chegada de um navio em que menos de 10% da capacidade é material para a ponte é um grande vexame. >
Guerra fria>
A relação entre o ex-ministro Rui Costa e o secretário de Relações Institucionais, Adolpho Loyola, ambos do PT, anda de mal a pior. Interlocutores com trânsito no Palácio de Ondina afirmam que o secretário começou a adotar medidas internas para tentar frear o avanço de Rui Costa sobre o governo, inclusive na própria Serin, por temer as investidas do ex-ministro. Além da autoproteção, Loyola também sustenta, nos bastidores, que Rui acaba enfraquecendo o próprio Jerônimo ao assumir negociações, interferir em acordos e concentrar decisões que deveriam partir do governador e de sua articulação oficial. No fim das contas, virou uma guerra silenciosa por poder dentro do coração do governo petista.>
Pegou emprestado?>
Um prefeito de primeiro mandato do norte da Bahia entrou no radar de órgãos de fiscalização após denúncias de retirada irregular de materiais de uma grande obra federal na região. Segundo informações obtidas pela coluna, resíduos da chamada “banca”, entre eles paralelepípedos e pedras, teriam sido levados para uma chácara ligada ao gestor. A legislação, é claro, proíbe a prática. A chácara pertence a um bem-sucedido empresário juazeirense, que detém o monopólio de alguns serviços de uma prefeitura da região (manutenção de prédios e aparelhos de ar condicionado, iluminação pública e outros). Amigo e doador da campanha do atual prefeito, ele é construtor de casas a serem financiadas pela Caixa.>
O boletim do PT na Bahia>
A divulgação do Atlas da Violência nesta semana não trouxe novidades para a Bahia. Pelo décimo ano consecutivo, o estado lidera o ranking nacional de homicídios, com 6.061 mortes violentas, 71,5% a mais do que Pernambuco, o segundo colocado, que registrou 3.534. Para se ter a dimensão do absurdo, a Bahia sozinha matou mais do que toda a região Sul do Brasil somada, e mais do que todos os quatro estados do Centro-Oeste juntos. A taxa baiana é de 40,9 homicídios por 100 mil habitantes, maior que o dobro da média nacional, o dobro do Rio de Janeiro e seis vezes maior do que a de São Paulo, estado que tem uma população três vezes superior à da Bahia.>
Os responsáveis >
Os números do Atlas da Violência carregam um dado que deveria constranger qualquer defensor do ciclo petista na Bahia. Em 2006, antes do início dos governos do PT, o estado registrava 3.311 homicídios e uma taxa de 23,7 por 100 mil habitantes. Em 2024, último ano do levantamento, foram mais de 6 mil ocorrências. É o carimbo público de que o PT nunca tratou segurança como prioridade. E pior, cruzou os braços enquanto a Bahia se tornava o principal reduto de facções criminosas do país e a violência se normalizava no cotidiano da população. Jaques Wagner, Rui Costa e Jerônimo Rodrigues, a trinca petista responsável por essa calamidade permanente, estão juntos numa chapa puro-sangue querendo continuar, mesmo com esse saldo. Talvez para eles, como diz Jerônimo, está tudo bem.>
Procura-se ambientalistas>
Chega a ser ensurdecedor o silêncio dos ambientalistas de araque diante da notícia de que a Bahia é o terceiro estado brasileiro com a maior área de vegetação nativa desmatada em 2025, segundo o MapBiomas. Aliás, é ensurdecedor e até constrangedor. Estes grupos, que costumam transformar qualquer intervenção urbana em Salvador num escândalo ambiental de proporções apocalípticas, novamente se calam quando o tema se relacionam ao governo do PT. Não se ouviu nada nem mesmo do Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia, que frequentemente entra em modo militância quando o alvo é a Prefeitura de Salvador. Enquanto isso, especialistas apontam que a política ambiental do estado segue dando sinais claros de enfraquecimento. E os ambientalistas sorrindo à toa!>
Delírio e tapete>
Soou como delírio a declaração do ex-governador e senador Jaques Wagner, durante uma edição do Programa de Governo Participativo (PGP) no interior da Bahia, de que as estradas do estado são um “tapete” e que as pessoas reconhecem quando chegam à Bahia justamente pela qualidade das vias. Nas redes sociais, todavia, pipocam relatos, fotos e vídeos de estradas em condições exatamente opostas: esburacadas, intransitáveis e abandonadas. Dizem, a propósito, que o PGP virou um mundo paralelo onde o governo petista edita sua versão própria e dá as costas para vida real.>
PGP: Programa de Governo Perdido>
Por falar em PGP, ele ganhou esta semana um novo conceito: Programa de Governo Perdido. A definição, dada pelo senador Angelo Coronel (Republicanos), dispensa explicação e resume bem o esgotamento e a falta de direção que abateu o ciclo de 20 anos de gestões petistas na Bahia. Reservadamente, até os aliados governistas comprovaram a precisão do diagnóstico, uma vez que as ideias já não correspondem aos fatos, que o discurso foi ficando para trás da realidade e que o grupo que governa o estado há duas décadas perdeu, antes de tudo, o fio da própria narrativa.>
Censura popular>
Por outro lado, o governo Jerônimo decidiu atacar o programa de escuta popular lançado esta semana por ACM Neto (União Brasil), pré-candidato da oposição. A iniciativa vai ouvir, coletar e propor soluções concretas aos principais problemas da Bahia apontados pela população em eventos regionais e através de canais digitais. A reação do PT, no entanto, pareceu uma tentativa de impedir que as pessoas falem e denunciem pontos sensíveis que desnudam a narrativa de que o estado vai bem, obrigado. E numa perspectiva mais rigorosa, é quase uma espécie de censura popular.>
Na ponta>
Flui pelo interior da Bahia um movimento ainda silencioso de um exército de vereadores que já admitem a dominância do sentimento de mudança. Por estarem na ponta do sistema político, em contato direto e cotidiano com a população, esses parlamentares têm uma aferição da realidade nua e crua, e menos contaminada das discussões ideológicas. De uma só vez, no último domingo, em Catu, o pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto, recebeu o apoio declarado do presidente da Câmara Municipal e de mais sete dos 13 vereadores da cidade.>
Cacau em alerta>
As denúncias de possível contaminação de mudas de cacau pelo Vírus do Mosaico na Biofábrica de Ilhéus abriram um debate no mínimo atípico. Em vez de se apurar para confirmar ou derrubar as suspeitas, o que se viu foi um movimento para atacar quem alertou sobre o risco. Em qualquer ângulo, é um debate inócuo e negligente, particularmente em uma região que ainda carrega cicatrizes na memória e no bolso do efeito devastador da Vassoura de Bruxa.>