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Setor da cachaça critica reforma tributária e teme perda de competitividade

Manifesto de entidades do segmento aponta distorções no Imposto Seletivo e cobra critérios técnicos para tributação das bebidas alcoólicas

  • Foto do(a) author(a) Donaldson Gomes
  • Donaldson Gomes

Publicado em 28 de maio de 2026 às 05:00

Cadeia produtiva da cachaça movimenta mais de 600 mil votos Crédito: Paula Fróes/Arquivo CORREIO

Ressaca da reforma

Representantes de 17 entidades do setor de cachaça no Brasil lançaram esta semana o Manifesto da Cachaça, um documento que defende a adoção de critérios técnicos para a tributação da bebida na reforma tributária. A preocupação está na forma de cobrança do Imposto Seletivo (IS), popularmente chamado de “imposto do pecado”. Para os representantes da cadeia produtiva da cachaça, o modelo originalmente proposto garante maior equilíbrio tributário entre as diferentes bebidas alcoólicas e preserva proporcionalidade em relação ao volume de álcool puro. O problema é que o Congresso Nacional alterou a regra, trazendo a incidência do IS progressivamente, de acordo com o teor alcoólico. Isso, segundo o manifesto, pode fazer um pequeno produtor da bebida destilada pagar mais imposto que um fabricante de cerveja, ainda que os dois tenham exatamente o mesmo faturamento anual. “Se o objetivo do Imposto Seletivo é reduzir o consumo nocivo de álcool, a regulamentação precisa seguir critérios técnicos e equilibrados entre as diferentes bebidas”, questiona Carlos Lima, presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), entidade representativa do setor. Segundo o manifesto, o brasileiro consome mais de 80 litros per capita de cerveja por ano, enquanto o consumo de todos os destilados, incluindo a cachaça, é de 4,1 litros per capita. O documento ressalta ainda que a cerveja representa mais de 90% do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. O álcool presente em todas as bebidas é o mesmo, destaca o documento.

Presença econômica

O setor da Cachaça movimenta mais de 600 mil empregos diretos e indiretos e impacta toda a cadeia produtiva, da produção da cana-de-açúcar até bares, restaurantes, distribuidores e varejistas. Dados do Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária, mostram que o Brasil possui 1.266 estabelecimentos produtores registrados em 735 municípios. Desde 2021, o número de cachaçarias cresceu 35,4%. O país também conta com 7.223 produtos de Cachaça registrados e 9.532 marcas cadastradas. Em 2024, a produção declarada alcançou cerca de 292,5 milhões de litros. Segundo o IBRAC, em 2025, as exportações brasileiras de Cachaça movimentaram cerca de US$ 17,1 milhões, com presença em 77 países.

E a cerveja?

O Nordeste brasileiro consolidou em 2025 sua relevância estratégica para a indústria cervejeira nacional. Segundo o Anuário da Cerveja 2026, a região respondeu por 24,2% de toda a produção brasileira de cerveja, posicionando-se como a segunda maior produtora do país. Embora ocupe a terceira posição em número de cervejarias registradas, com 130 estabelecimentos, a região apresentou a maior produtividade média do Brasil, com mais de 29 milhões de litros produzidos por cervejaria. A região também acompanhou a desaceleração observada nacionalmente. Em 2025, registrou redução de 8,5% no número de cervejarias e produção de 3,8 bilhões de litros, retração de 8,07% em relação ao ano anterior. A nível nacional, o setor cervejeiro alcançou, em 2025, um novo marco de expansão e diversificação, com o maior número de cervejarias da série histórica, 1.954 unidades distribuídas em 794 municípios. Atualmente, a indústria está presente em quase 800 municípios brasileiros, gera mais de 2,5 milhões de empregos ao longo da cadeia produtiva, responde por mais de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Conta de luz

O cenário de atenção com o custo da energia está ampliando as buscas por serviços de empresas como a Prime Energy, comercializadora e fornecedora das soluções de energia renovável da Shell Energy no Brasil para consumidores empresariais. Na Bahia, a base de consorciados atendidos pela companhia passou de 73 em dezembro de 2025 para 131 atualmente, o que representa um crescimento de cerca de 80%. O avanço reflete a maior adesão de pequenos e médios negócios a modelos mais flexíveis, como energia por assinatura, que permite acesso à energia renovável sem necessidade de investimento inicial, manutenção ou gestão operacional por parte do cliente. O movimento ocorre no momento em que a energia volta a pressionar o planejamento financeiro de empresas dos mais diferentes portes. Em maio, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acionou a bandeira tarifária amarela, o que representa cobrança adicional na conta de luz. Embora o impacto varie conforme o perfil de consumo, o cenário reforça a importância de alternativas que tragam previsibilidade e redução de exposição às oscilações tarifárias. “Para muitas empresas, a energia deixou de ser vista apenas como uma despesa fixa e passou a ser tratada como uma variável estratégica de gestão”, avalia Ana Lia Ferrero, CEO da Prime Energy.

Perfil dos clientes

Na Bahia, o perfil médio dos consorciados atendidos pela Prime Energy é de aproximadamente 4.400 kWh por mês, equivalente a uma fatura média em torno de R$ 4,4 mil. Entre os segmentos com maior presença na carteira estão restaurantes, condomínios residenciais, mercados, lojas de conveniência, varejo de menor porte e atividades ligadas à agricultura e cultivo. Do ponto de vista geográfico, a capital baiana concentra a maior parte dos consorciados no estado, seguida por municípios como Jequié, Lauro de Freitas, Camaçari, Simões Filho, Feira de Santana e Ipiaú, inclusive pela busca de energia por assinatura, conforme completa a executiva da empresa.

Made in Bahia

Mimmo, marca de higiene e cuidados pessoais da Suzano, apresenta ao mercado brasileiro uma iniciativa inédita na categoria: Mimmo Colorido, o primeiro papel higiênico com gofragem colorida do país – técnica que cria relevos e texturas no papel, contribuindo para maior maciez, absorção e melhor união entre as folhas. A novidade traz o ursinho com a cor roxa característica da marca ao longo de todo o rolo, propondo uma nova forma de interação com um item essencial do dia a dia. Fabricado exclusivamente na Unidade da Suzano em Mucuri, no Extremo Sul da Bahia, a novidade é mais que uma evolução estética, reposiciona o papel higiênico dentro da rotina ao incorporar elementos de design e ludicidade à experiência de uso. Inspirado por movimentos já disseminados em mercados internacionais, o produto combina funcionalidade com uma proposta mais envolvente, especialmente voltada ao universo infantil. Dados da Worldpanel by Numerator reforçam a relevância de lares com crianças para o crescimento da categoria em 2026, especialmente em segmentos ligados à praticidade e ao cuidado diário. Famílias com apenas um filho já representam 32% do faturamento da cesta, um avanço de 4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, praticamente empatando com lares de dois a três filhos, o que indica uma dinâmica de menos filhos e maior investimento por criança. Ao mesmo tempo, o autocuidado se consolida como parte essencial da rotina dos brasileiros: o uso médio de seis categorias semanais de higiene e beleza e o crescimento de 15% em perfumes evidenciam que esses produtos deixaram de ser ocasionais para se tornarem recorrentes.

Odebrecht na Rota

A Novonor, grupo que controla a construtora Odebrecht, faz parte de um dos três consórcios que disputa, nesta quinta-feira, às 14h, na B3, a concessão da Rota dos Sertões. O conjunto de rodovias envolve trechos das BRs 116 e 324, entre Feira de Santana, aqui na Bahia, e Salgueiro, em Pernambuco. A Rota dos Sertões tem um total de 502 quilômetros e é apontada pelo Ministério dos Transportes como uma concessão fundamental para a integração regional e o fortalecimento da logística na região Nordeste. A expectativa é de um investimento de R$ 4,13 bilhões em obras e R$ 4,4 bilhões em custos de operação, para um contrato com 30 anos de duração. O critério de julgamento do leilão será o de maior desconto sobre a tarifa de pedágio.