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Saudade de 'soprar' uma fita? Saiba onde comprar Super Nintendo, Atari, outros consoles e acessórios no coração de Salvador

Em pleno Relógio de São Pedro, Rene Games vende todos os consoles e jogos antigos, resgatando memórias do gamer raiz

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 29 de novembro de 2025 às 05:00

Loja de games retrô, Rene Games, no Relógio de São Pedro Crédito: Moysés Suzart

Lembra daquela assoprada bonita num cartucho do Super Nintendo para ver se o diabo da fita pegava? Se esta memória afetiva dos gamers te reporta a uma nostalgia quase física de esfolar os dedos de calo para zerar Street Fighter com Zangief, saiba que encontramos o Santo Graal dos jogos e consoles clássicos, em pleno Relógio de São Pedro, na Bahia. Quer um Super Nintendo? Lá tem. Um Atari? Também. Um Playstation 1? É lógico! Sem contar as inúmeras fitas de todos os consoles que já fizeram sucesso aqui no Brasil. Estamos falando da loja Rene Games (@renegames), um reduto para gamer nenhum botar defeito.

No coração de Salvador, em meio ao vai e vem efervescente do camelô, o Edifício Barão do Rio Branco esconde um templo dedicado à nostalgia eletrônica dos jogos. Quem entra na loja costuma reagir sempre do mesmo jeito: primeiro um silêncio prolongado e o olho perdido na paisagem quase caótica, depois um sorriso amplo de surpresa e, por fim, o encantamento absoluto de quem parece ter reencontrado um amigo antigo. “Um amigo mandou eu aqui para consertar meu PS3. Saí com um PS2 e vários jogos. Isso aqui, sem dúvida, é um templo para qualquer amante de jogos eletrônicos”, disse Alison, que não abre mão de bater ponto na loja de Rene.

“Sou freguês. Todo mundo que vem uma vez vira admirador do lugar. Jogar é minha distração nesse mundo de problemas. Acaba meu stress, aqui é uma sala de terapia”, brinca Alison.

Reinaldo Bastos, guardião e proprietário do lugar, construiu o negócio literalmente com as próprias mãos e com a teimosia de quem acredita em paixão antes de lucro. Ele conta que a Rene Games nasceu de maneira inesperada, fruto de uma guinada profissional radical, quando decidiu abandonar o comércio de CDs musicais e mergulhar no universo dos videogames, após sugestão de um amigo.

“Pois é, meu amigo, eu trabalhava num ramo totalmente diferente. Eu vendia CD de música pirata, totalmente errado. Essa loja aqui, na realidade, tem uns quatro, cinco anos que a gente colocou, ainda durante a pandemia”, lembra. Contudo, sua relação com jogos vem de 2005, quando vez a mudança dos musicais para jogos. Antes de ter loja física, ele trabalhava na rua, montando e desmontando seu ponto diariamente. “Eu trabalhava na rua e já fazia isso há um bom tempo. Aí um amigo meu falou: rapaz, coloque jogos. Porque a gente trabalhava com pirataria e rolava muita perseguição, né? A polícia vinha e pegava os CDs. Aí ele falou: migre para os jogos. Aí eu comecei e é o que sustenta a casa”, conta.

Loja de games retrô, Rene Games, no Relógio de São Pedro
Loja de games retrô, Rene Games, no Relógio de São Pedro Crédito: Moysés Suzart

Rene recorda que o início coincidiu com o auge da época das locadoras, símbolo de uma era em que os videogames eram ponto de encontro e convivência entre vizinhos e amigos. Ele viu ali uma oportunidade. “Foi no tempo do PlayStation 1, quando o PlayStation estava em alta. Vendia muito PlayStation 1. Nesse tempo, o pessoal vinha comprar jogo de manhã cedo, era muita gente que tinha locadora”, diz. Ou seja: lembra aquela locadora de bairro que você pagava R$ 1 real para jogar uma hora? Estas locadoras compravam com Rene, que hoje faz o caminho contrário. Recupera consoles para revender e, fatalmente, traz nostalgia para a turma mais antiga. Com a loja, o público cresceu significativamente.

“Inaugurei aqui na pandemia e quando a galera descobriu isso aqui, foi uma surpresa. Tem muita gente que fica impressionada com o que encontra aqui, principalmente a galera retrô. Ficam doidos mesmo, pedem para garimpar, ficam horas procurando aquele jogo da infância ou aquele console que tinha quando criança”, conta, sempre sorrindo.

A Renê Games logo se tornou um ponto de encontro para os caçadores de games retrô. Ali, apaixonados por videogame revivem experiências, resgatam memórias e reencontram consoles que fizeram história. Entre as prateleiras, é possível encontrar relíquias como o Mega Drive original de 16 bits, lançado em 1988 no Japão e 1989 nos Estados Unidos, e que vendeu mais de 30 milhões de unidades no mundo. Também é presença garantida o Super Nintendo, companheiro inseparável da infância de milhões de brasileiros nos anos 1990, com mais de 49 milhões de unidades comercializadas. Além deles, há Atari, Nintendo 64, Sega Saturn, Dreamcast, GameCube, Master System, PlayStation 1 e 2, Xbox clássico e até portáteis como Game Boy e Nintendo DS. Tudo testado, restaurado e colocado para funcionar.

O serviço oferecido, no entanto, vai muito além da compra e venda. Renê faz manutenção, troca peças, limpa cartuchos, restaura placas, troca conectores, instala jogos, desbloqueia consoles antigos e coloca software novo em hardwares aposentados, como o PS3. Ele conta que esse processo de restauração gera grande satisfação pessoal. “A gente atende e fica feliz também de atender as pessoas e consertar. Esses dias veio um casal trazendo um Atari pra consertar. E aí vários games a gente consegue resolver e o cliente sai feliz, satisfeito”, relata.

O preço varia. Uma fita de Atari ou Super Nintendo pode chegar a R$ 30 e um console como o Mega Saturno pode custar entre R$ 300 e R$ 400. No precinho, viu. No Mercado Livre, games raros como estes podem chegar a R$ 900 ou mais. Tem controle de todos os consoles também e melhor: os mais antigos, ele consegue adaptar os cabos para que seja possível jogar nas TVs mais novas.

O público que visita a loja também é extremamente diverso: colecionadores, jovens curiosos, pais querendo introduzir os filhos ao universo retrô e, principalmente, adultos que buscam um reencontro com a própria infância. “Tem muita gente que ainda gosta dos games antigos e não troca pelos novos. Tem pessoas aqui que têm PS5, mas dizem: eu tenho só por ter. O que eu jogo mais é o videogame do meu tempo”, afirma Rene. Segundo ele, esse apego está ligado à essência afetiva dos jogos clássicos: “Os games antigos são onde a gente consegue se divertir mais.”

O processo de garimpo também faz parte da atmosfera mágica do lugar. Muitos clientes voltam várias vezes em busca de um título específico. Outros chegam até do interior. “Vem pessoas de Alagoinhas só pra comprar cartucho, meu amigo. Chega aqui e começa a cutucar tudo. Descobrir coisas. Aí separa, leva um monte. É um negócio sério”, conta. Os títulos nem sempre vêm identificados. Às vezes, é preciso abrir, limpar, testar e pesquisar para descobrir o jogo ou a raridade que está ali.

Rene destaca que, além de comércio, a loja virou uma espécie de museu afetivo. “A gente acaba perpetuando também, né? Eu já deixei muita gente feliz, muita gente realizada de ter conseguido encontrar aqui um game que estava procurando há bastante tempo. Ou um cartucho que significava muito.”

Os consoles mais novos não são esquecidos em Rene. Um controle de PS5 está R$ 350, cem reais mais barato que no Mercado Livre e Amazon. Também vendem jogos dos consoles mais novos, além de acessórios. Mas o gostoso mesmo é ver os jogos cheirando a história. A Renê Games é mais do que uma loja de videogames. É um monumento à memória afetiva de quem filava aula para jogar Mega Drive ou Super Nintendo na casa do amigo.

Loja de games retrô, Rene Games, no Relógio de São Pedro por Moysés Suzart

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Games