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Troquei Buenos Aires pela Chapada e entendi o que realmente acalma a mente

Psicóloga relata como a vida na natureza e os vínculos simples mudaram sua saúde mental após meses de ansiedade em uma grande cidade

  • Foto do(a) author(a) Moyses Suzart
  • Moyses Suzart

Publicado em 3 de maio de 2026 às 12:49

Do burnout ao chá de sumiço: por que ficar offline virou símbolo de status
Do burnout ao chá de sumiço: por que ficar offline virou símbolo de status Crédito: Divulgação

Quando conquistei a liberdade geográfica, atendendo online como psicóloga, decidi começar a explorar lugares onde eu pudesse gostar de morar. Comecei por Buenos Aires, na Argentina, porque sempre imaginei que adoraria viver em uma cidade grande como aquela. Mas, com o tempo, fui percebendo que ainda faltavam coisas importantes para mim naquele lugar. Eu me sentia agitada e ansiosa, pouco conectada com o que estava à minha volta. Não conhecia muitas pessoas na cidade, e a internet acabou se tornando minha principal via de conexão com o mundo, mas de uma forma cansativa e vazia. Depois de oito meses morando lá, decidi repentinamente que era hora de partir.

Eu já tinha até comprado passagens de ida e volta para passar as férias de fim de ano no Brasil. Mas a viagem agora seria só de ida. No mesmo dia em que decidi me mudar, comecei a escolher para onde iria. Alguns critérios eram muito importantes para mim, entre eles: viver em um lugar onde eu pudesse ter mais contato com a natureza e aonde não fosse tão difícil construir relações profundas com as pessoas. O contato com a natureza se tornou essencial porque, durante os meses em que vivi na Argentina conhecendo diferentes atrações turísticas, o espaço que mais me trazia tranquilidade e paz era um parque perto de casa, aonde eu sempre ia para relaxar. Essa experiência me fez perceber que, naquele momento da minha vida, eu precisava de mais da sensação que encontrava ali.

Do burnout ao chá de sumiço: por que ficar offline virou símbolo de status. Foto de Vitor Patizeiro, com design de Thainá Dayube por Divulgação

Só de estar naquele lugar eu já me sentia mais presente e conectada com a vida. É difícil explicar exatamente o porquê, mas a natureza costuma provocar esse efeito na gente. Acredito que o nosso corpo reconhece algo de familiar no que é natural, especialmente em um mundo onde tantas coisas do cotidiano são artificiais. E, nesse sentido, cultivar relações íntimas e profundas também desperta em mim uma sensação parecida. O vínculo com a comunidade é algo essencial para o ser humano e tem um impacto profundo na nossa saúde mental. É através dele que nos sentimos seguros e pertencentes. Considerando tudo isso, o lugar que escolhi para morar foi o Vale do Capão, na Chapada Diamantina. O mais inusitado é que eu nunca tinha estado lá antes, mas isso não foi um impeditivo para mim.

Conversei com pessoas que moravam no vale, fiz algumas pesquisas, percebi que o lugar atendia a muitos dos meus critérios e senti algo bom… como se o meu corpo estivesse dizendo “sim”. Então bati o martelo: vou para o Capão. No começo, demorei um tempo para realmente chegar ali por inteiro. Quero dizer: minha mente ainda estava tão barulhenta que eu não conseguia me conectar imediatamente com aquele ritmo diferente de vida. Mas, com o passar dos meses, fui criando intimidade com o lugar e só então consegui apreciar de verdade as coisas simples: o tempo lento, o silêncio das árvores, a beleza das serras.

Certo dia, eu havia acabado de fazer pela primeira vez a trilha para a Cachoeira da Ponte Velha. Cheguei lá cansada, mas a paisagem era tão bonita e tranquila… depois, eu e meus amigos entramos na água e ficamos conversando sobre a vida: o som da água correndo ao fundo, o céu bonito no horizonte. Naquele momento, lembro de ter pensado: “Será que é isso que as pessoas chamam de ser milionário? Porque, se não for, deveria ser. Eu me sinto muito rica agora.” Naquele instante de conexão com as pessoas e com a natureza, tudo parecia simples… e nada faltava. Toda essa mudança, sem dúvida, fez muito bem para a minha saúde física e mental.

Embora eu ainda sinta a pressão de viver em um mundo hiper conectado virtualmente, hoje também tenho mais possibilidades reais de descansar. A mente descansa quando não precisa chegar a algum lugar. Quando pode simplesmente permanecer em silêncio, apreciando o momento, sem pressa e sem pretensões. Eu sei que ainda tenho um longo caminho na busca por uma vida mais tranquila, mas, pelo menos agora, sinto que já conheço a direção.