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Donaldson Gomes
Publicado em 4 de junho de 2026 às 05:00
Feira de bilhões >
A 20ª edição da Bahia Farm Show vai deslocar para Luis Eduardo Magalhães (LEM), a 953 quilômetros de Salvador, os holofotes da economia brasileira no próximo ano. Além da intensa movimentação econômica que o evento gera no mercado de máquinas e equipamentos agrícolas, estão previstos anúncios relevantes para a região, mas também para produtores rurais de todo o país. Um dos mais importantes é que o governo federal vai anunciar em um crédito de R$ 14 bilhões, através do Move Brasil, para o financiamento de máquinas agrícolas. O assunto foi antecipado pelo ministro da agricultura, André de Paula, na última terça-feira (dia 2). Um mês atrás, o vice-presidente Geraldo Alckmin, que estará na BFS na próxima segunda (dia 8), tinha anunciado que o valor disponibilizado seria de R$ 10 bilhões. Outro anúncio bilionário previsto para a feira será de um investimento do grupo Iberdrola, proprietário da Neoenergia, que deve ultrapassar os R$ 24 bilhões, de acordo com o presidente da Aiba, Moisés Schimidt. >
Feira cresceu>
Segundo Moisés Schimidt, que também é o presidente da BFS, a feira deste ano foi pensada para ir na contramão do cenário de retração registrado em outros eventos do agro este ano. "Estamos comemorando a nossa 20ª edição e apostamos diferente, vamos mostrar que acreditamos no agro forte e sustentável", destaca. Este ano, a Bahia Farm ampliou em 35% a sua área e registrou um aumento no número de expositores, que ultrapassou a marca dos 600. "A feira está preparada, cresceu, está acolhedora para os expositores e os financiadores. Esperamos que os produtores participem, que todos consigam fazer negócios, ou, pelo menos, conehcer o que está disponível", destaca. >
Presenças confirmadas>
Além do vice-presidente Geraldo Alckmin, já confirmaram presença o ministro da Agricultura, André de Paula, o da Integração e Desenvolvimento Rural, Waldez Goes – que deverá apresentar a lei que regulamenta a irrigação no Brasil – e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que vai participar do anúncio da Iberdrola. Entre os que não confirmaram, mas podem aparecer no dia 8, está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de outros ministros de estado.>
Capital chinês>
Os Estados Unidos vão precisar de muito mais que aumento de tarifas caso queiram realmente fazer frente à influência chinesa na economia brasileira. No ano passado, os investimentos do gigante asiático por aqui cresceram 45%, de acordo com dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), ultrapassando os US$ 6 bilhões – algo equivalente a pouco mais de R$ 30 bilhões. O relatório do CEBC mostra ainda que houve uma diversificação geográfica no aporte dos recursos, que chegaram a 20 estados brasileiros no ano passado. Em 2025, o Brasil se tornou o principal destino dos investimentos chineses, com 10,9% do total, superando os Estados Unidos, que receberam 6,8%. >
Na Bahia>
Em relação à Bahia, os destaques ficaram para os investimentos na BYD – que adquiriu o antigo complexo da Ford, e iniciou a montagem de veículos em Camaçari no ano passado –, à Cmoc, que adquiriu ativos os ativos da Equinox Gold, aqui, em Minas e no Maranhão, em uma operação estimada em US$ 1 bilhão, além de outros anúncios nas áreas de energia, mineração e na indústria de transformação. O CEBC mostra ainda que entre 2007 e 2025, a China anunciou 24 projetos no estado, o que coloca a Bahia como o 4º destino de investimentos chineses no Brasil. >
Silêncio>
O que pode causar estranheza em quem lê o relatório de 47 páginas sobre investimentos chineses no Brasil é que a prometida obra de construção da Ponte Salvador-Itaparica não aparece em nenhuma única linha. Talvez a explicação esteja no fato de o documento focar nos projetos que foram efetivamos em 2025 e a ponte, como todo mundo sabe, na Bahia, no restante do Brasil e até mesmo na China, é, até então, uma obra de papel, planilhas e apresentações de Power Point. >
Respiro>
A produção da indústria química brasileira cresceu 22,8% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados do Relatório de Acompanhamento Conjuntural (RAC) da Abiquim, na comparação com o fim de 2025. As vendas no mercado interno acompanharam esse ritmo e subiram 22,7% no mesmo período. Enquanto o PIB total cresceu 0,9% no trimestre, a química avançou mais de vinte vezes esse ritmo em termos de produção física. A diferença não é apenas de magnitude — é de direção. Essa recuperação tem um vetor claro: a reconquista do mercado doméstico. As importações de produtos químicos recuaram 19,1% no trimestre, e a fatia da produção nacional no abastecimento interno saltou de 42% em dezembro de 2025 para 56% em março de 2026. Em outras palavras, a indústria brasileira voltou a abastecer o próprio país com mais intensidade, reduzindo a dependência de fornecedores externos. >
Rua Chile>
Empreendedores envolvidos no processo de revitalização da Rua Chile lançam, na próxima terça-feira (dia 9) a Arce, entidade que vai reunir de grandes empreendimentos a profissionais autônomos para defender melhorias na segurança, urbanização e conservação do patrimônio. Além disso, a associação vai fomentar um calendário cultural vibrante, assegurando que o icônico território soteropolitano receba atenção condizente com sua importância histórica e econômica. O lançamento será marcado por um coquetel, no Hotel Fasano Salvador. >
Cultura oceânica>
Salvador recebe, nos dias 9 e 10 de junho, o SITUS 2026 – IV Seminário Internacional de Turismo Sustentável, promovido pelo Instituto de Turismo Sustentável (INTUS) e pela Greennova Hub. Entre os participantes está a Fundação Aleixo Belov, instituição que vem se consolidando como uma das principais referências na promoção da cultura oceânica, da mentalidade marítima e da valorização da relação histórica entre Salvador e o mar.>