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Luan Santos
Publicado em 10 de abril de 2018 às 03:44
- Atualizado há 3 anos
Dezenove deputados estaduais aproveitaram o período que foi 7 de março até 7 de abril para mudar de partido. Isso significa que 30% dos 63 integrantes da Assembleia Legislativa da Bahia trocaram de legenda durante a chamada “janela partidária”. Nesse período, tanto os parlamentares estaduais como os federais podem migrar para novas agremiações sem o risco de perder os mandatos ou sofrer qualquer outro tipo de sanção de infidelidade partidária imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). >
Com as mudanças, cinco legendas deixaram de existir na Alba, enquanto uma delas – o PR – voltou a ter representação no parlamento baiano. Quem mais perdeu deputados foi o MDB, que tinha cinco deputados e ficou sem nenhum em função do desgaste provocado pela prisão do ex-ministro Geddel Vieira Lima. >
A composição entre as bancadas de governo e oposição teve apenas uma mudança. O deputado Samuel Júnior deixou o PSC, do bloco oposicionista, e se filiou ao PDT, aliado do governador Rui Costa (PT). CLIQUE PARA AMPLIAR Os ex-integrantes do MDB se dividiram entre três partidos. Pedro Tavares, que presidia a sigla, Luciano Simões Filho e Leur Lomanto Júnior seguiram para o DEM, que saltou de seis para dez deputados. Já David Rios seguiu para o PSDB e Hildécio Meireles foi para o PSC, partido que dobrou de tamanho na Assembleia, passando de dois para quatro parlamentares. Além de Hildécio, o PSC filiou Soldado Prisco (ex-PPS) e Sidelvan Nóbrega (ex-PRB). >
Os tucanos, por sua vez, tiveram ainda o ingresso de Marcell Moraes, que saiu do PV, outra legenda que deixou de ter representação na Alba. >
Atrás do MDB, o PSL foi o segundo que mais perdeu e também ficou sem bancada. O ex-presidente do partido Marcelo Nilo seguiu para o PSB, enquanto Nelson Leal foi para o PP e Reinaldo Braga, para o PR. Os republicanos também tiveram a entrada de Marquinho Viana, ex-PSB, Vitor Bonfim e Paulo Câmara, que deixaram o PDT. >
Outro que perdeu representação foi o Pros, partido que era controlado pelo deputado federal Ronaldo Carletto (PP), que articulava para disputar o Senado, mas desistiu. A legenda perdeu os deputados Manassés e Alan Castro, que seguiram para o PSD, sigla que elevou sua bancada de sete para nove parlamentares. >
O PPS também deixou de existir na Alba. Além de Prisco, Targino Machado saiu do partido e voltou para o DEM, sigla pela qual foi eleito em 2014. O Podemos, por sua vez, tinha dois parlamentares e ficou com apenas um após a saída de Alex Lima, que migrou para o PSB e compensou o desembarque de Marquinho Viana. >
Reta Final De todas as 19 mudanças, 15 ocorreram na reta final da janela partidária, entre as últimas quinta e sexta-feira. Dentre elas, sete não eram esperadas antes da abertura da janela partidária. Prisco e Targino, por exemplo. Os parlamentares deixaram o PPS após a mudança no comando estadual da legenda. Já Vitor Bonfim deixou o PDT por insatisfações internas na reta final, e ainda levou com ele Paulo Câmera. >
Alex Lima foi outro que, descontente com a direção do partido, preferiu mudar para o PSB. Ele chegou a ser especulado no PDT e no PP. Samuel Júnior, que viu o PSC ganhar três novos integrantes, optou por uma legenda com “melhor viabilidade política para sua reeleição”. A mudança de Marquinho Viana também foi encarada como surpresa. >
DEM e PR foram partidos que mais cresceram O Democratas foi o partido que mais cresceu durante a janela, ao lado do PR. Ambos ganharam quatro parlamentares. Com isso, o DEM ultrapassou o PSD e ficou com a segunda maior bancada da Casa, com dez integrantes. O PT segue líder, com 12 parlamentares. O PSD, por sua vez, caiu para a terceira posição, com nove deputados, mesmo elevando a bancada de sete para nove. O PP, que ganhou um parlamentar, aparece na quarta posição, com seis integrantes. Depois vem o PSDB, que tinha três e terminou a janela com cinco representantes. Somente PT (12), PCdoB (3), PRP (1) e Avante (1) não tiveram alterações. O PDT, mesmo com duas baixas, manteve a bancada de três integrantes. PRB e Podemos tinham dois e perderam um cada, ficando com apenas um parlamentar na bancada. Antes da janela partidária, 18 agremiações tinham representação no legislativo baiano. Com a saída de MDB, PPS, PSL, PV e Pros e a volta do PR, agora são 14 siglas com bancada na Alba.>
Três federais baianos mudaram Três deputados federais também mudaram de partido. O primeiro foi Arthur Maia, que presidia o PPS na Bahia e seguiu para o DEM. Por outro lado, os democratas perderam Cláudio Cajado, que migrou para o PP, partido que integra a base do governador Rui Costa. As articulações para a chegada de Cajado no PP foram conduzidas pelo próprio presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira. >
A terceira mudança foi do ex-presidente do PV na Bahia Uldurico Júnior. No apagar das luzes, o parlamentar ingressou no PPL, partido que vai comandar no estado. A mudança se deu pelo fato de que o PV deve coligar com partidos maiores, o que exigiria dele uma quantidade maior de votos para conseguir a reeleição. >
Em todo o Brasil, 59 deputados federais trocaram de agremiação. DEM e PSL foram as siglas que mais cresceram na Câmara: cada uma ganhou sete membros. O DEM subiu de 33 para 40, enquanto o PSL, de 3 para 10. O Pros vem em seguida, com seis filiações. Assim como na Alba, o MDB foi o que mais teve a bancada reduzida no Congresso com a saída de 11 deputados. Por outro lado, a sigla filiou oito parlamentares e terminou com saldo negativo de três.>
Balanço O número de mudanças pode ser ainda maior, pois a comunicação sobre a troca de agremiações é feita diretamente à Justiça Eleitoral, sem a necessidade de que sejam passadas à Câmara. O balanço total da janela partidária somente será divulgado pelo TSE no dia 18 deste mês. A janela não permite a mudança de vereadores, uma vez que não haverá eleições municipais.>
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