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Da Redação
Publicado em 9 de janeiro de 2018 às 18:13
- Atualizado há 3 anos
Phyllodytes amadoi, nova espécie de perereca descoberta na Bahia (Foto: Mirco Solé/Divulgação) As espécies de anfíbios existentes no planeta são inúmeras - cerca de seis mil ao redor do mundo, sendo um sexto delas no Brasil, onde é encontrada a maior diversidade de sapos e pererecas, de acordo com o ICMBio. >
E em meio a tantas pesquisas sobre esses animais, volta e meia aparece uma nova espécie, enriquecendo ainda mais o conhecimento sobre a fauna brasileira. >
Na Bahia, uma nova espécie de perereca foi encontrada. É a Phyllodytes amadoi - em latim, como determinam as regras de registro de espécies -, descoberta em 2015 no município de Una, na região cacaueira da Bahia, mas registrada no último ano, e que foi batizada em homenagem ao escritor baiano de Jorge Amado, um admirador confesso de espécies anfíbias como essa. Jorge Amado adorava animais; na praia, com o cachorro de estimação Fadul (Foto: Otto Stupakoff) Com dois centímetros de comprimento, a perereca é considerada pequena, se comparada a outras espécies do mesmo gênero (Phyllodytes). Na verdade, de acordo com o pesquisador Iuri Dias, do Laboratório de Herpetologia Tropical da Universidade Estadual da Santa Cruz (Uesc), um dos respensáveis pela descoberta, o novo animal é um dos menores do grupo em que está inserido.>
No entanto, a característica principal do anfíbio é o canto mais agudo, que foi o que chamou a atenção dos pesquisadores durante a pesquisa realizada desde 2015, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. "Cada espécie tem um canto diferente para atrair a fêmea. E, no caso dessa, é um canto mais agudo. Ela também tem uma faixa lateral que vai desde o olho. Tem várias características que a gente usa para diferenciar das outras espécies", explica Iuri, que é biólogo.>
Ainda segundo Iuri, a descoberta de novas espécies de anfíbios não é rara na região Sul da Bahia. No último ano, o mesmo laboratório publicou três novas espécies, além das que estão sendo estudadas. "Surpreendentemente, é relativamente comum. E no Sul da Bahia, é bastante comum a gente encontrar novas espécies não catalogadas", diz. Por enquanto, a perereca que homenageia Jorge Amado é endêmica - ou seja, ou seja, só consta nessa região. Mas novos estudos serão feitos para descobrir se o animal é encontrado em outros locais e até se é ameaçado de extinção.>
Homenagem Mas com tantas descobertas, há um motivo especial para que esta homenageie o escritor baiano. Segundo Iuri Dias, um dos pesquisadores que vieram para a Bahia trabalhar na espécie é natural da Hungria. Ao chegar à Bahia, o estudioso decidiu visitar a Casa de Jorge Amado e Zélia Gattai, no Rio Vermelho, em Salvador, e descobriu a admiração do escritor pelos animais. "Isso impulsionou mais ainda a equipe a querer homenagear Jorge Amado", diz. Além disso, encontrada na região cacaueira, a perereca é praticamente uma 'conterrânea' de Jorge.“Fizemos a homenagem ao escritor Jorge Amado, principalmente pelo grande carinho que ele tinha por esses animais. Quem visitar o Memorial Jorge Amado, em Salvador, irá encontrar vários objetos relacionados a anfíbios que ele colecionava e que serviram de inspiração para essa homenagem”, conta o pesquisador e responsável técnico do projeto, Mirco Solé.Embora a admiração do escritor por sapos seja conhecida, os pesquisadores contam que não chegaram a conultar a família de Jorge Amado sobre a homenagem.>
Hábitos A Phyllodytes amadoi tem como hábito viver no meio das bromélias, planta abundante na região onde foi descoberta e propícia para a reprodução dessas pererecas por apresentar a capacidade de segurar água da chuva. Além do seu tamanho pequeno e do canto característico, outras particularidades da espécie são o focinho arredondado e uma listra que vai dos olhos aos flancos. Esta é a segunda nova espécie de perereca de bromélia encontrada pela equipe do professor Mirco Solé, que já descreveu outras três no Sul da Bahia. Perereca tem apenas dois centímetros de comprimento (Foto: Mirco Solé/Divulgação) “A espécie é parente da Phyllodytes megatympanum e foi encontrada na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Ararauna, localizada no município de Una, na Bahia. Desde 2015, quando foi descoberta, estivemos analisando e comparando ela com outras espécies, e, no ano passado, ela foi reconhecida e publicada na revista científica neozelandesa Zootaxa, a mais importante do mundo na descrição de novas espécies”, conta Solé.>
Para a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, Malu Nunes, são conquistas como essa que incentivam o apoio a projetos por todo o Brasil. “Sabemos o quanto nossa natureza encontra-se ameaçada por diversos fatores, por isso, a cada descoberta assim é uma alegria, pois temos a certeza de estar no caminho certo na conservação da nossa natureza”, comemora. As informações são da assessoria da Fundação Grupo Boticário.>