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Bruno Wendel
Publicado em 22 de dezembro de 2018 às 11:55
- Atualizado há 3 anos
A recomendação em um assalto é nunca reagir e foi o que fez o comerciante Euclides da Silva Moura, 34 anos, na tarde de sexta-feira (21), na Ceasa de Simões Filho, local de trabalho. Euclides foi surpreendido por um homem armado. Sem titubear, a vítima entregou ao assaltante um pacote contendo pelo menos R$ 15 mil em espécie. Ainda assim, mesmo sem esboçar qualquer reação, o comerciante foi baleado no tórax e acabou morrendo instantes depois. >
Segundo testemunhas, o criminoso chegou ao local do crime sozinho, em uma moto. O corpo de Euclides foi levado para o Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, mas já foi liberado para ser enterrado em Petrolina, em Pernambuco, onde a vítima nasceu. Euclides foi morto mesmo sem reagir a assalto (Foto: Reprodução/Bruno Wendel) Euclides trazia de Petrolina num caminhão frutas diversas para serem vendidas a outros comerciantes da Ceasa e também aos seus clientes, em um boxe no galpão II, que herdou de um irmão. Nesta sexta, descarregou do caminhão mais de 700 caixas com acerolas, mangas, cajás e outras frutas. >
No início da tarde, por volta das 13h, o irmão de Euclides tinha acabado de recolher o que faltava referente ao pagamemto das mercadorias - aproximadamente R$ 15 mil, segundo os próprios permissionários do local. Comerciante tinha acabado de receber o dinheiro das frutas que vendeu na sexta-feira, quando foi abordado (Foto: Bruno Wendel) Ao mesmo tempo que caminhava em direção a Euclides, o irmão dele era seguido pelo ladrão. " Ele (ladrão) já estava parado a uns dez metros numa moto, esperando o irmão dele chegar com o pacote da coleta. Foi canal dado, com certeza", contou um feirante, que não revelou o nome por questão de segurança. >
O irmão de Euclides tinha acabado de entregar o dinheiro a ele, quando o ladrão apontou a arma para o comerciante e gritou: "perdeu, perdeu!". Testemunhas relataram ao CORREIO que Euclides não esboçou reação e calmamente entregou o pacote com a coleta."Mesmo já com o pacote na mão, o ladrão atirou nele à curta distância e saiu correndo, fugindo na moto", contou outro feirante. Euclides foi socorrido pelos próprios feirantes para a Unidade de Pronto Atendimento do Centro Industrial de Aratu (CIA), mas não resistiu e morreu. Ele trabalhava na Ceasa havia mais de dez anos, era casado e deixou filhos.>
Insegurança A morte do comerciante trouxe à tona a insegurança na Ceasa. Os relatos dão conta de que os assaltos são constantes. "Não tem dia, nem hora, a vagabundagem age aqui de moto, carro, até a pé, e a polícia aqui sequer vem", declarou um comerciante. >
As vítimas não são só quem trabalha no centro de distribuição. Quem compra também sofre com os assaltos. "Outro dia, um cliente meu teve R$ 12 mil levado quando chegava aqui. Ele foi abordado por dois homens numa moto. Esse meu cliente compra aqui para revender em Cajazeiras. Depois disso, nunca mais veio", contou outro feirante.>
Segundo o superintendente de Mercado da Ceasa, Eugênio Burgos, a segurança da Ceasa é feita por uma empresa privada. Os profissionais usam motocicletas para fazer as rondas. >
“Nós temos uma empresa privada com 16 seguranças que fazem rondas com moto. O grande problema é que a Ceasa não é murada é de arame farpado, o que facilita o acesso por outras entradas fora do portão principal e, consequentemente, dificulta o trabalho da segurança”, afirmou. >
Ele informou que em dias de feira (segunda, quarta e sexta-feira), de 8 a 10 mil pessoas circulam pela Ceasa de Simões Filho, comprando os produtos dos cerca de 800 permissionários que trabalham no local. >
Em nota, a Polícia Militar informou que não foi acionada para atender a esta ocorrência. A corporação disse que o policiamento é realizado na região pela 49ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ São Cristóvão), através de viaturas e motociclistas. >
"Além de abordagens a transeuntes e veículos em atitude suspeita, a Unidade também conta com o apoio da Companhia Independente de Policiamento Tático (CIPT)/ Rondesp Atlântico". >
A PM frisou a necessidade de que o cidadão colabore com o policiamento passando informação para o Disque Denúncia 3235-0000, informando a polícia sobre qualquer crime que aconteça no bairro ou acionando a Polícia Militar através do 190.>