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Conheça a única empresa atacadista da Bahia entre as gigantes do mercado que mais faturam no Brasil

Ranking com os maiores faturamentos de 2025 foi divulgado pela Abad em parceria com a NielsenIQ

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 8 de junho de 2026 às 17:19

Dados sobre o consumo dos brasileiros foram divulgados durante coletiva de imprensa na Convenção ABAD 2026, em São Paulo
Dados sobre o consumo dos brasileiros foram divulgados durante coletiva de imprensa na Convenção ABAD 2026, em São Paulo Crédito: Divulgação/Luciana Cássia Foto

Importante engrenagem que movimenta o setor econômico brasileiro, o mercado atacadista distribuidor registrou faturamento de R$ 616,6 bilhões em 2025, segundo o Ranking da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad) em parceria com a NielsenIQ. O segmento, que às vezes pode parecer invisível ao consumidor final, é responsável por comprar produtos em grande volume direto da indústria, armazená-los e revendê-los fracionados para o varejo, como supermercados e pequenos negócios. 

O faturamento do ano passado representou crescimento nominal de 17,27% no período. Descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o avanço real foi de 11%. O número é considerado positivo para especialistas do setor, mas, em 2026, os resultados iniciais são vistos com cautela. 

Ranking maiores faturamentos de atacadistas em 2025 no Brasil por Divulgação

Na comparação de abril deste ano e o mesmo mês do ano passado, houve retração de 2,5% no volume de vendas. Apesar disso, o faturamento registrou crescimento de 0,5%. O sinal é de alerta, especialmente devido ao endividamento das famílias. 

"Os dados mostram que 6,5% da renda familiar da população brasileira é para pagar dívidas em atraso. Ou seja, vemos o brasileiro com o poder de compra cada vez mais comprido, o que leva a população a ser mais racional na hora da compra", detalhou Domenico Filho, diretor de Atendimento ao Varejo da NielsenIQ Brasil. A empresa é líder em inteligência sobre o consumidor. Os resultados foram apresentados nesta segunda-feira (8), durante coletiva de imprensa realizada na Convenção Abad 2026, em Atibaia (SP). 

O desempenho positivo no faturamento mesmo diante da diminuição do volume de vendas é explicado pelo aumento do preço médio dos produtos. Dados revelados por Domenico Filho mostram o que muitos brasileiros sentem quando vão às compras: desde a pandemia da covid-19, os preços de itens básicos ficaram mais caros. Para o diretor de Atendimento ao Varejo, não se trata de uma nova inflação vivenciada em 2025, mas um patamar já estabelecido. "Os preços não voltarão mais a ser como antes da pandemia", destacou. 

Entre 2019 e 2025, o preço de café e grãos subiu 248% no Brasil, em média. A alta de preço também é significativa em produtos como óleo e azeite (118%) e arroz (78%), segundo o levantamento. 

As gigantes do setor atacadista 

O estudo divulgado pela Abad releva ainda hábitos de consumo regionais. O Nordeste, por exemplo, lidera em faturamento em modelos como atacado de balcão, distribuidor com entrega e autosserviço. Já na região Sul, o modelo que se destaca é de o agente de serviços, em que as empresas que intermediam transações entre fabricantes, indústrias e varejistas não mantêm estoque físico próprio, atuando por comissão. 

Ranking maiores faturamentos de atacadistas em 2025 no Brasil por Divulgação

Para Leonardo Miguel Severini, presidente da Abad, o crescimento de faturamento real de 11% em 2025 é consequência de dois fatores principais. “Tivemos um ajuste na metodologia do estudo que nos leva a resultados ainda mais próximos da realidade do setor. Porém, é inegável, principalmente ao observar o crescimento da representatividade do canal indireto, que o atacadista distribuidor brasileiro exerce uma função primordial no abastecimento do país”, afirma.

No ranking nacional de faturamento do setor atacadista em 2025, o Atacadão, de São Paulo, lidera com receita de R$ 89,9 bilhões. Em seguida aparecem o Grupo Martins, de Minas Gerais, com R$ 7,55 bilhões; o Atacadão Dia a Dia, do Distrito Federal, com R$ 6,67 bilhões; a Tambasa Atacadista, também de Minas Gerais, com R$ 6,66 bilhões; e a Comercial Zaffari, do Rio Grande do Sul, que registrou faturamento de R$ 6,4 bilhões.

Representando a Bahia, o Atakadão Atakarejo ocupa a sexta posição no levantamento, com faturamento de R$ 6,317 bilhões, consolidando-se como a empresa baiana mais bem colocada entre as maiores distribuidoras e atacadistas do país. 

Atakadão Atakarejo

A história do Atakarejo teve início no final da década de 1970, quando Teobaldo Costa, seu fundador, montou uma barraca de frutas e verduras, logo ampliada para mercearia, padaria, supermercado, atacado, que viria a ser o primeiro Atakarejo, em 1994. De origem simples, criado no Nordeste de Amaralina, em Salvador, e na cidade baiana de Alagoinhas, o empresário cursou Economia na Universidade Católica, na capital baiana. 

"Com o propósito de reduzir o custo de vida da população contribuindo para um Nordeste mais justo e melhor, oferece em suas lojas qualidade e variedade, bom atendimento e produtos frescos, além, é claro, de preços baixos nos serviços de padaria, confeitaria, açougue, salgados e fatiados, e um mix de mais 10 mil produtos", diz a apresentação da empresa em seus canais oficiais. 

Em 2023, o Atakarejo anunciou sua associação com o fundo de investimentos Pátria. A gestora de investimentos se associou à rede de varejo alimentar baiana que tinha, na época, 28 pontos de venda distribuídos entre supermercados, lojas de atacarejo e de conveniência. O valor do negócio não foi revelado, mas o mercado estima que tenha girado entre R$ 700 milhões e R$ 850 milhões.

Modelo de negócio 

O Atakarejo mistura as características do atacado e do varejo, permitindo que tanto pessoas físicas quanto empresas menores comprem produtos. O consumidor pode adquirir desde uma unidade com preço comum, até grandes volumes com descontos progressivos. Para Leonardo Miguel Severini, presidente da Abad, o modelo de negócio é importante, mas não substitui o atacadista tradicional. 

"O atacado distribuidor exerce um processo de curadoria para o pequeno e médio varejo. Ele exerce uma oferta de bens completos e, muitas vezes, quando o varejista se dispõe a ir até o atacarejo, não consegue encontrar aquele determinado nível de serviço que os atacadistas proporcionam", afirma. 

A Abad representa o setor que atende diariamente mais de um 1 milhão de pontos de venda em todos municípios brasileiros, sendo responsável por dar capilaridade à distribuição de produtos industrializados e gerando mais de 524 mil empregos diretos e 5 milhões de empregos indiretos nos estabelecimentos varejistas do país.

A repórter viajou a Atibaia, em São Paulo, para a cobertura da Convenção ABAD 2026 a convite da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).