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'Exterminador de moradores de rua' é preso por série de homicídios na Bahia

Marcelo Campos de Jesus foi localizado no Espírito Santo, onde já tinha matado mais dois

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 8 de maio de 2026 às 12:50

Marcelo Campos de Jesus é acusado de matar, entre outros, Vanilson Pereira
Marcelo Campos de Jesus é acusado de matar, entre outros, Vanilson Pereira Crédito: Reprodução

A prisão de Marcelo Campos de Jesus, de 37 anos, abriu uma investigação que aponta para uma possível sequência de homicídios cometidos contra pessoas em situação de rua na Bahia entre novembro de 2025 e abril de 2026. O homem é suspeito de ao menos seis assassinatos no período, além do crime que motivou sua detenção na Grande Vitória, no Espírito Santo. "Marcelo agia como uma espécie de exterminador de moradores de rua", diz o delegado Rodrigo Sandi Mori, segundo o portal G1.

De acordo com a Polícia Civil, o caso mais recente ocorreu em 27 de abril, no bairro Planalto Serrano, na Serra (ES). A vítima, Vanilson Pereira, de 50 anos, foi atacada enquanto dormia na calçada. Ele foi atingido na cabeça com uma placa de concreto e chegou a ser socorrido, permanecendo internado por alguns dias, mas morreu na noite de terça-feira (5).

Último homicídio foi captado em câmera por Reprodução

Imagens de câmera de segurança registraram a ação. Segundo a investigação, o suspeito observa o local antes do ataque e aguarda um momento em que não há movimentação de testemunhas. Em seguida, retira um bloco de concreto de um bueiro próximo e atinge a vítima.

“O Marcelo, a todo instante, olha ao seu redor para verificar se não tinha alguma pessoa passando que pudesse ver a sua ação. Ao ver que estava sozinho com a vítima vulnerável, impossibilitada de qualquer defesa, ele retira esse bloco de concreto do chão e arremessa violentamente contra a cabeça de Vanilson”, afirmou o delegado-adjunto Pedro Henrique, que também participou da investigação.

Após a agressão, Marcelo teria revistado a vítima e levado uma carteira com R$ 12. Em seguida, deixou o local caminhando normalmente. “como se nada tivesse acontecido”, disse o delegado.

A investigação também aponta que, antes de sair, ele teria recolocado o bloco de concreto no bueiro para tentar dificultar a identificação da dinâmica do crime. “É importante também mencionar que, antes de retirar essa carteira, para deixar uma cena de crime bem limpa, ele pega o bloco de concreto utilizado para arremessar na cabeça de Vanilson e o reposiciona no bueiro, para evitar qualquer suspeita das pessoas que pudessem passar por ali”, completou o delegado.

No interrogatório, o suspeito afirmou ter usado o dinheiro roubado para comprar bala e chips de celular. Para a Polícia Civil, o relato reforça o desprezo pelas vítimas. “O que mostra total desprezo pela vida alheia”, afirmou o adjunto da Delegacia de Homicídios da Serra.

Com a prisão, os investigadores passaram a relacionar Marcelo a outros homicídios registrados na Bahia, onde ele já era procurado. A maioria das vítimas identificadas é formada por pessoas em situação de rua.

Entre os casos apurados estão mortes ocorridas em novembro de 2025, com vítimas encontradas com ferimentos na cabeça em áreas de vegetação ou após agressões físicas; um duplo homicídio registrado em fevereiro de 2026, quando dois homens foram achados com lesões provocadas por objeto contundente; além de outros episódios em abril de 2026, incluindo vítimas não identificadas localizadas em borracharia e em abrigo de ponto de ônibus às margens de rodovia.

Mãe diz que "fez o que pode" para tirar filho da rua

A mãe de Vanilson, Eva Pereira, de 80 anos, relatou que o filho havia deixado a casa onde morava há cerca de 30 anos e enfrentava um quadro de depressão após a morte do irmão em um acidente de trânsito. Segundo ela, ele passou a fazer uso de drogas e não voltou mais para casa. “O que eu pude fazer para tirar ele da rua e ajudar, eu fiz. Até a última hora. Portanto, estou aqui acompanhando o último passo”, disse, no Instituto Médico Legal de Vitória.

Ela contou ainda que soube do crime pela televisão. “Eu tava assistindo ao jornal. Eu vi e ainda pensei: 'Será que é o Vanilson?'. Eu falei: 'Não, não é'. Ele estava virado para o lado do muro e o rapaz veio pelas costas. Aí, na hora que deu a pedrada nele, ele só esticou as pernas, acho que de tanta dor. Aí, no outro dia, foi que eu fiquei sabendo que era ele”, relatou.

A Polícia Civil confirmou a prisão de Marcelo no dia seguinte ao ataque, em 28 de abril, mas não divulgou mais detalhes sobre a identificação formal do suspeito nem a motivação dos demais crimes investigados.