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Gil Santos
Publicado em 4 de novembro de 2015 às 18:06
- Atualizado há 3 anos
Três irmãos, a ex-mulher de um deles e uma amiga do grupo estão sendo investigados por fraude em dois concursos públicos em Brumado, no Centro-sul da Bahia. Dois dos suspeitos são servidores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), na mesma cidade. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.>
O grupo foi descoberto durante a realização de um concurso público para técnico administrativo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Segundo o delegado da Polícia Federal de Vitória da Conquista, Marcelo Siqueira, alguns candidatos que faziam a prova na mesma sala que os suspeitos desconfiaram que eles fraudaram a inscrição e denunciaram o caso ao Ministério Público Federal (MPF).Família é suspeita de fraudar concursos da UFRB e do Ifba em Brumado(Foto: Divulgação)"No momento da inscrição, eles colocaram a sílaba 'NI' na frente de cada um dos nomes. Por isso, mesmo com nomes diferentes, eles foram selecionados para fazer a prova na mesma sala. O caso foi denunciado ao Ministério Público e há cerca de cinco meses começamos a investigar", contou o delegado.>
O grupo usou a mesma tática para fazer o concurso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (Ifba), alguns meses depois. No concurso da UFRB, eles chegaram a ser classificados, mas foram eliminados após a descoberta da fraude. No Ifba, os suspeitos ainda estão na lista dos classificados, mas, segundo a polícia, uma representação foi encaminhada à Justiça pedindo a exclusão dos cinco candidatos.FraudeDe acordo com o delegado, um dos irmãos tinha acesso ao gabarito da prova e passava as respostas para os demais durante a aplicação do exame. A polícia investiga a participação de outras pessoas no golpe. "Sabemos que um deles (suspeitos), conhecido como Piloto, tinha acesso ao gabarito e era o responsável por passar as repostas para o restante do grupo. Ainda não sabemos como ele tinha acesso ao gabarito, mas não descartamos a participação de outras pessoas. Os fiscais da prova também serão investigados", afirmou.A polícia trabalha com duas hipóteses sobre a atuação do grupo. "Eles precisavam ficar na mesma sala para o golpe dar certo. Estamos investigando se as respostas eram transmitidas através de ponto eletrônico, que tem alcance limitado, ou do banheiro, que só pode ser usado pelos candidatos que fazem prova no mesmo andar do prédio", afirmou Siqueira.>
Outros casosOs dois servidores da Uneb também serão investigados sobre o concurso que deu a eles o cargo. Um dos servidores investigados prestou outro concurso na Uneb este ano e foi aprovado para a vaga de professor, mas ainda não foi nomeado. "Não sabemos até onde vai a contaminação, por isso vamos investigar todos os concursos que eles fizeram", contou Siqueira.Nesta quarta-feira (4), os cinco suspeitos foram ouvidos pela Polícia Federal. De acordo com o delegado, alguns dos suspeitos assumiram o crime, mas não deram detalhes de como a fraude era realizada. Os investigadores cumpriram também mandados de busca e apreensão na casa dos investigados. Documentos e computadores foram apreendidos.Se a fraude for comprovada, eles responderão pelos crimes de fraude em certames de interesse público, falsidade ideológica e de constituição e participação em organização criminosa. Os dois servidores da Uneb podem responder também por corrupção. Os cinco suspeitos respondem ao processo em liberdade.>
Procurada, a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência à Escola de Medicina e Cirurgia e ao Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (Funrio), responsável pela aplicação das provas da UFRB e do Ifba, não foi localizada para comentar o assunto. >
DenúnciaO MPF recebeu a denúncia em maio deste ano, em Jequié, mas como as provas foram aplicadas em Brumado e na região do Recôncavo da Bahia, o caso foi transferido para o MPF em Vitória da Conquistas. >
"Recebemos a denúncia e acionamos a Polícia Federal. Os envolvidos foram identificados, mas acreditamos que existem mais pessoas envolviddas nesse caso. O foco agora é apurar a extensão dessas fraudes", afirmou o promotor responsável pelo caso, que pediu para não ser identificado.>
Ele destacou a participação do cidadão e pediu para que quem tiver informações sobre ações fraudulentas entre em contato com o MPF. "Se as pessoas não tivessem denunciado a ação, a fraude não teria sido descoberta. A participação do cidadão é importante", disse.>
É possível fazer uma denúncia no MPF indo até uma das unidades do órgão ou através do site do Ministério. O anonimato é garantido. >