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Mariana Rios
Publicado em 10 de junho de 2026 às 14:49
Um dos grupos empresariais mais tradicionais de Feira de Santana, com mais de três décadas de atuação no mercado baiano, entrou em recuperação judicial. O Grupo 2 de Julho, conhecido pela atuação no atacado de alimentos e pela produção e comercialização de café, busca reorganizar uma dívida que ultrapassa R$ 137 milhões. >
O pedido, já aceito pela Justiça baiana, envolve as empresas que compõem o grupo familiar. Segundo os documentos do processo, o endividamento consolidado chega a R$ 137,2 milhões, dos quais cerca de R$ 77,7 milhões estão sujeitos ao processo de recuperação judicial.>
Em decisão assinada em 25 de maio, a juíza Carla Santa Bárbara Vitório, da 6ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais de Feira de Santana, deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo 2 de Julho e concedeu proteção contra cobranças e medidas de constrição patrimonial por 180 dias. A medida suspende bloqueios de contas, penhoras, arrestos e buscas e apreensões contra as empresas do grupo enquanto avança a negociação com credores.>
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A magistrada também proibiu a retirada de bens considerados essenciais à atividade da empresa, entre eles veículos de distribuição, tratores e equipamentos utilizados na produção e torrefação de café. Além disso, nomeou uma administradora judicial para acompanhar o caso e determinou que o grupo apresente um plano de recuperação em até 60 dias.>
O processo reúne, em uma única recuperação, o Atacado 2 de Julho, a indústria Café 2 de Julho, os produtores rurais José Avelino Borges da Silva e Jullyana Almeida Borges, além da Patrimonial Borges Silva Ltda.>
A trajetória do Grupo 2 de Julho começou há mais de 30 anos, a partir da atuação do empresário José Avelino Borges da Silva, conhecido como "Zé Grande". O negócio nasceu da comercialização de café produzido na Chapada Diamantina e evoluiu para uma operação que reúne produção rural, torrefação industrial e distribuição atacadista. O Atacado 2 de Julho foi formalizado em 1995 e se tornou uma referência no comércio de Feira de Santana.>
Ao longo de sua história, o grupo chegou a gerar cerca de 190 empregos diretos e consolidou a marca Café 2 de Julho no mercado baiano. A indústria responsável pela torrefação e moagem do produto foi criada em 2017, ampliando a verticalização dos negócios da família.>
Na ação judicial, os empresários atribuem a crise a uma combinação de fatores acumulados nos últimos anos. Entre eles estão a retração do consumo entre 2015 e 2019, os impactos da pandemia de covid-19, o aumento dos juros a partir de 2021, os prejuízos causados por secas e geadas nas lavouras de café entre 2021 e 2023 e o crescimento da concorrência com a chegada de grandes redes nacionais de atacarejo a Feira de Santana.>
Outro desafio apontado pelo grupo é a mudança nos hábitos de consumo, com a expansão dos marketplaces e do comércio digital, que teria reduzido o volume de compras presenciais e pressionado as margens de lucro.>
O processo de recuperação judicial do Grupo 2 de Julho não corre integralmente em segredo de Justiça. A juíza responsável pelo caso determinou sigilo apenas para documentos que contêm dados pessoais e financeiros, como a relação de empregados, os bens particulares dos sócios e extratos bancários.>
O CORREIO procurou o Grupo 2 de Julho e aguarda manifestação. O espaço segue aberto.>