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Da Redação
Publicado em 8 de fevereiro de 2019 às 04:00
- Atualizado há 3 anos
As contas do Plano de Saúde dos Servidores do Estado da Bahia (Planserv) fecharam no vermelho em 2018. Depois de dois anos com o orçamento folgado, conseguindo equilibrar receitas e despesas, o plano estadual acabou arrecadando menos do que o custo anual para a manutenção dos serviços.>
Segundo dados do Portal da Transparência do Governo da Bahia, no ano passado, a receita somou R$ 1.556.890.000. As despesas, por sua vez, alcançaram R$ 1.577.634.000, num déficit de R$ 20.744.000. Os dados revelam ainda que o estado foi o responsável por apenas 20% da arrecadação do período. A contribuição do Estado para o Planserv é a mais baixa dos últimos quatro anos. Foto: EBC Para o exercício deste ano, o governo estadual já anunciou que vai retirar R$ 200 milhões dos repasses feitos ao Planserv, além de aumentar a contribuição previdenciária do servidor público de 12% para 14%. “Não existe inadimplência no Planserv, porque os valores são descontados diretamente do contracheque, então, se a conta não bate é porque houve falha na administração”, diz o corregedor do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), José Abelardo Meneses.Segundo o presidente da Associação de Hospitais e Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Ahseb), Mauro Duran, ainda existem R$ 100 milhões em dívidas do plano de saúde com os 1.450 estabelecimentos conveniados. “Os hospitais, clínicas e laboratórios mantêm cerca de R$ 100 milhões para receber de repasse do Planserv, em razão do que chamamos de extracota”, afirmou.>
De acordo com ele, mesmo se um hospital já tiver atingido a cota para determinado procedimento, o Planserv continua autorizando a realização do exame e, só ao final do ciclo, quando acontecem os repasses, informa à unidade de saúde que há extracota, deixando de pagar os valores supervenientes.>
O secretário de Administração do estado, Edelvino Góes, no entanto, negou ao afirmar que “como o Planserv está dentro da administração pública, a relação do plano se dá mediante contratos. Então, têm-se valores orçamentários de contratos, que, se dentro daqueles contratualizados, são todos pagos em dia, sem atraso”. Ainda segundo ele, “o que excede o contrato, entra em um processo de verificação, que é uma despesa pendente para reconhecimento”.>
É justamente sobre essa despesa pendente que se queixam os hospitais, clínicas e laboratórios, já que, quando a cota é atingida, muitas vezes as unidades de saúde precisam interromper a prestação dos serviços e, consequentemente, a arrecadação. >
“Evidentemente que essas cotas trazem limitadores para o atendimento dos usuários. Então, houve, sim, uma redução na cobertura, pelo menos na frequência desses atendimentos, principalmente dos eletivos”, disse o presidente da associação.>
Paralisação Nesta quinta-feira (7), o Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia (Sindimed) decidiu suspender todos os atendimentos aos segurados do Planserv, mantendo apenas os de urgência e emergência. O governador Rui Costa (PT) chamou a paralisação de “fake news e politicagem”, além de declarar que “os responsáveis estão interessados nas próximas eleições para vereador”. >
Questionada sobre a declaração de Rui, a presidente do Sindimed, Ana Rita de Luna Freire Peixoto, rebateu: “Quando faltam argumentos, a gente ataca”.>
A declaração do governador aconteceu durante a apresentação dos novos secretários estaduais, nesta quinta. Também presente ao evento, Edelvino Góes garantiu que a greve dos médicos é apenas um mecanismo para assustar os beneficiários.“Eles não podem fazer greve, já que não existe vínculo entre o médicos e o Planserv. O contrato é feito com a pessoa jurídica, não com profissionais autônomos ou pessoa física”, disse o secretário. Edelvino Góes afirmou ainda que a pasta está “fazendo o monitoramento da rede e, por enquanto, a assistência está totalmente regular, sem nenhuma desassistência”. Ele também afirmou que “a paralisação causa instabilidade na rede, quando, na verdade, o Planserv não tem essa relação direta com os profissionais médicos”.>
* Com supervisão do chefe de reportagem Jorge Gauthier>