Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Maria Raquel Brito
Publicado em 15 de maio de 2026 às 21:04
Mais da metade dos presídios na Bahia estão superlotados. Das 29 unidades analisadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 17 operam com taxa de ocupação acima da capacidade. O número equivale a 58,6% do total. >
Entre as unidades com superlotação estão a Cadeia Pública de Salvador e a Penitenciária Lemos Brito, na capital baiana, e conjuntos penais como os de Eunápolis, Feira de Santana, Itabuna e Vitória da Conquista. >
Conjunto prisional de Feira de Santana tem diversos problemas de infraestrutura
Segundo Luz Marina Silva, presidente do Conselho da Comunidade das Varas de Execuções Penais de Salvador e ex-diretora do Conjunto Penal Feminino de Salvador, a superlotação é um dos problemas estruturais históricos e institucionais que fazem a maioria dos presídios na Bahia ser considerada péssima. >
“Muitas unidades operam acima da capacidade, gerando celas insalubres, conflitos, tensões, indo de encontro a qualquer proposta de ressocialização”, diz. Além da superlotação, ela menciona fatores como estrutura física precária, déficit de servidores e capacitação, falta de acesso à saúde e educação, e baixo investimento em ressocialização. >
Em 2025, 55,2% das unidades prisionais na Bahia foram avaliadas péssimas e 3,4% como ruins pelo CNJ. Foi a avaliação recebida por dez dos 17 presídios superlotados no estado. >
Para Luz Marina, melhorar as condições dos presídios exige mudanças estruturais, sociais e políticas. Segundo ela, as prisões não podem funcionar apenas como espaços de punição, mas também criar condições para que aqueles indivíduos retornem à sociedade com menos chances de reincidir no crime.>
Ela defende que segurança pública envolve também discutir dignidade nas prisões, como políticas para reinserir egressos na sociedade, investimento em educação prisional, saúde, assistência social e alternativas penais.>
“Um sistema prisional precário não afeta apenas quem está preso, ele impacta toda a sociedade. Pessoas privadas de liberdade que não têm acesso à qualificação profissional, educação formal e informal encontram maiores dificuldades para reconstruir suas vidas após o cumprimento da pena. Sem oportunidades e marcadas pelo estigma social, retornam à criminalidade e nós, sociedade civil, mantemos com o dinheiro dos nossos impostos as idas e vindas dessas pessoas ao cárcere, aumentando a reincidência em vez de ofertar oportunidades de trabalho, emprego e renda. Para as mulheres as penas são muito mais severas, parece prisão perpétua”, afirma.>
Procurada pela reportagem, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (Seap) afirmou, em nota, que acompanha com atenção os dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e ressaltou que os indicadores “refletem, em parte, um passivo estrutural do sistema prisional brasileiro, marcado pelo crescimento da população carcerária em ritmo superior à expansão da infraestrutura”. >
A pasta disse ainda que, para enfrentar esse cenário, vem intensificando ações estruturais nas unidades, com reformas e requalificação de espaços físicos, além da ampliação e reorganização de vagas. “Parte dessas intervenções é realizada, inclusive, com mão de obra carcerária, aliando melhoria das condições físicas à ressocialização”, disse. Confira a nota completa no fim da matéria.>
Cadeia Pública de Salvador>
Conjunto Penal de Barreiras>
Conjunto Penal de Brumado>
Conjunto Penal de Eunápolis>
Conjunto Penal de Feira de Santana>
Conjunto Penal de Irecê>
Conjunto Penal de Itabuna>
Conjunto Penal de Jequié>
Conjunto Penal de Juazeiro>
Conjunto Penal de Paulo Afonso>
Conjunto Penal de Teixeira de Freitas>
Conjunto Penal de Valença>
Conjunto Penal de Vitória da Conquista>
Penitenciária Lemos Brito>
Penitenciária Lemos Brito - Módulo 3>
Conjunto Penal Advogado Nilton Gonçalves>
Presídio de Salvador >