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SPFW propõe quebra de rótulos no jeito de vestir, consumir e criar

A 42º edição da maior semana de moda do país mostra que está de olho no futuro

  • D
  • Da Redação

Publicado em 31 de outubro de 2016 às 19:27

 - Atualizado há 3 anos

“A ideia do São Paulo Fashion Week ter um tema nunca foi para dizer o que seria uma tendência de roupa, mas para pautar discussões”, afirma Paulo Borges, que encerrou, na sexta-feira (28), a 42ª e mais marcante edição do evento em 20 anos.

Nem Inverno nem Verão, como ainda se costuma classificar, mas com um tema que propõe diversas abordagens, a SPFWTRANSn42 foi, de longe, a temporada que mais discutiu inclusão e rótulos.Ronaldo Fraga no fim do desfile: só modelos trans (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Forte no streetstyle, o evento levou as ruas para ocupar as passarelas. Também brilhou no consumo, ao se tornar a primeira semana de moda no mundo a adotar o conceito see now buy now (veja agora, compre já, em inglês). Por fim, na discussão, ao falar sobre a intolerância. “A moda tem o poder de lançar luz sobre a face da roupa e, nela, encontrar uma forma de libertação”, disse Ronaldo Fraga antes do seu supercomentado desfile.Fachada do artista Kleber Matheus (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Já que é pra tombar...Em uma temporada com 26 marcas, muitas chamaram a atenção para além da roupa, rompendo com a forma e o conteúdo comuns em semanas de moda. Ronaldo Fraga levou para o Theatro São Pedro, palco de marcos da dramaturgia brasileira, 30 mulheres trans para desfilar uma coleção de vestidos. 

Para a estreia da marca LAB no evento, Emicida e o  irmão Fióti transformaram a passarela montada na tenda do evento, no Parque do Ibirapuera, em uma rua por onde passou um casting formado por 80% de negros,   não só modelos, mas “gente comum”. LAB: vem da rua (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Outra estreia que deu o que falar foi a da Just Kids, marca que surgiu da necessidade de Juliana Jabour e Karen Fuke de experimentar. As amigas criaram uma coleção cápsula de 10 moletons gigantes, apresentada na Cartel 011, com público de pé, espremido na loja, colado nos modelos. Um climão underground que tem tudo a ver com as estilistas e com os consumidores da JK.

Compre jáPraticamente todas as marcas adotaram o see now buy now nessa edição do SPFW. “A gente já nasceu nesse sistema. Eu tenho 27 anos, Emicida tem 30 e nossa geração já consome as coisas assim mesmo. Então, para nós, não foi uma grande novidade”, explica Fióti, que já tem loja online há sete anos. “A velocidade da informação gera novas demandas”, ratifica Paulo Borges.As modelos da À La Garçonne(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)ContinuidadeNa SPFW43, marcada para 13 de março de 2017, o público vai conferir os primeiros resultados de uma iniciativa lançada nessa edição que pretende movimentar a economia criativa no Brasil, continuando o processo de mudança.

Idealizado pelo Instituto Nacional de Moda e Design (INMOD), o Projeto Estufa – parceria do SPFW com a C&A - é uma plataforma para revelar novas formas de criar, distribuir e produzir. Novos olhares para tecnologia, design, sustentabilidade, gênero, diversidade e consumo, entre outros temas, serão revelados com apresentações, desfiles, encontros e discussões, numa agenda paralela à do SPFW.

Confira, a seguir, o que mais a gente aqui do Bazar curtiu nessa temporada:

Just Kids

Entre nossas escolhas desta temporada está o desfile da estreante Just Kids. Os moletons oversize, febre no mundo, já faziam parte do dia a dia das estilistas Juliana Jabour e Karen Fuke. Tanto, que quando a primeira chamou a segunda para participar do SPFWTRANSn42, nenhuma das duas teve dúvida sobre o que escolher como peça-chave da coleção-capsula de 10 looks. "Fizemos sem pretensão de ser comercial, se vai vender ou não. Não é esse o ponto. O que queríamos era retratar o universo da rua”, explicou Juliana. A beleza transgressora assinada por Amanda Schon só reforçou o discurso underground das amigas.(Foto: Agência Fotosite/Divulgação) OsklenAs silhuetas fluidas do alto Verão da Osklen são ideais para aproveitar dias de ócio sem abrir mão da elegância despojada, DNA da marca. Para criar as peças em linho, seda, neoprene e tule, Oskar Metsavaht inspirou-se nos balneários com os quais tem uma relação biográfica e que influenciam seu estilo de vida. A cartela de cores traz preto, palha, amarelo, verde folha e telha. Além dos looks monocromáticos, as estampas margarida, palm leaf e listrado rústico ajudam a compor o guarda-roupa. Amamos as peças amplas e o ar oriental de quimonos e pareôs.(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)IódiceEsta foi uma temporada de flats, tênis e sapatos masculinos, principalmente nos desfiles de marcas que buscaram inspiração no apelo das ruas. A ideia é propor conforto e praticidade, mas nem por isso é preciso sair por aí com extremos, como slides (chinelos largos que viraram febre) ou oxfords. Prova disso é a sandália-desejo de Waldemar Iódice para calçar suas indianas punk. Para o estilista, o calçado cheio de tachas e spikes é ideal para a mulher que idealizou. “Ela viaja, vai a festivais, anda pelo mundo”, diz. A peça tem versões em couro e veludo. (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Fernanda YamamotoA relação de Fernanda Yamamoto com a moda não tem nada a ver com a velocidade dos tempos de hoje. Ela parte para um caminho inverso, criando uma coleção enxuta de 20 looks que levaram cerca de três semanas para ficarem prontos, confeccionados manualmente quase em sua totalidade. “Este é um trabalho que fala novamente das questões que considero as mais pertinentes para os dias de hoje: o tempo, o trabalho manual, as relações humanas e o que está por trás da superfície, do aparente". Para criar suas "roupas esculturas", Fernanda buscou o modelista Fernando Jeon, especialista em alfaiataria masculina.(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)LABEm tempos de empoderamento, nada melhor para apresentar uma moda que lida com a diversidade do que levar a variedade das ruas para a passarela. Foi o que fizeram os irmãos Emicida e Fióti, colocando na estreia da marca LAB no SPFW, gente negra (80% do casting), gorda, com vitiligo, artistas e amigos, como a baiana Loo Nascimento, ela mesma dona de uma marca que luta contra o preconceito, a DressCoração. A coleção, assinada por João Pimenta, foi inspirada no samurai negro Yasuke. “Queríamos algo que dialogasse com os valores do LAB, como inclusão e transformação”, explica Fióti. (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Vitorino CamposA arte perturbadora de Gustave Coubert e Louise Bourgeois e poemas de Carlos Drummond de Andrade estavam entre as referências do baiano Vitorino Campos em sua décima temporada de SPFW. O estilista criou looks com modelagens amplas, transparências de tules e texturas criadas a partir do algodão, lã e couro. A escolha da cartela de cores trouxe cinza, rosa, vermelho, amarelo e azul, tonalidades retiradas da obra do impressionista Egon Schiele. Os looks foram arrematados por óculos da Chilli Beans e sandálias Melissa, fruto de parceria do feirense com a marca. Prova de que dá para unir conceitual e comercial numa boa.(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Água de CocoPlateia vipada, com direito a Claudia Leitte e Wanessa Camargo sentadas lado a lado, time de tops internacionais, calorão amenizado com leques oferecidos pela marca e, é claro, água de coco. Foi nesse clima tropical paulistano que a grife cearense comandada por Liana Thomaz apresentou sua coleção de resort. Tem de tudo para todos: biquíni de lacinho, hot pant, maiô elegante... Mas o que encheu os olhos mesmo foram as saias mídi, pantacourts e camisões bem vistosos, com estampas botânicas vibrantes, p&b em maxiprint e mega-abacaxis. (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)À La GarçonneCom desfile realizado no vão interno do Museu de Arte de São Paulo (Masp), a marca de Fábio Souza e Alexandre Herchcovitch chegou com força em sua 2ª temporada de SPFW. Nada menos que 62 looks altamente desejáveis para quem curte  streetwear com pinceladas esportivas e perfume vintage. Moletom com renda? Conjunto floral com jaqueta militar? Por que não? Para além da informação de moda, o legal é o forte apelo para sustentabilidade e reúso de materiais. Muitas peças são feitas com tecidos retirados de roupas antigas. (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)AnimaleFoi bem difícil escolher um look da Animale. A coleção inteira traz tantas referências, que dá para montar um guarda-roupa só com que foi para a passarela. Mérito do baiano Vitorino Campos, que batizou a coleção de Springs, em referência ao reduto artístico dos Hamptons, conhecido como berço do movimento expressionista abstrato. “Traduzi a forma como vejo a mulher Animale, que gosta de conforto mas ao mesmo tempo é sofisticada, o ombro da blusa cai e mostra um pouco da pele. Tem um jogo muito legal”, define Vitorino. O jeans veio forte, numa lavagem bem clara, confirmando sua presença no top list da moda por mais uma temporada. (Foto: Agência Fotosite/Divulgação)RatierRenato Ratier misturou anos 80, sportwear, hip hop e Grace Jones em uma só coleção. Trocou o (quase) total black do passado por uma cartela de cores com branco, p&b e tons cremosos, como verde menta e rosa bebê, e ainda aplicou pinceladas de dourado para ampliar o desejo de consumo tanto delas quanto deles. Tem jaqueta bomber oversized, moletom, pantacourt, top cropped e mais um sem fim de peças hit. Quem duvida que a musa da coleção vai usar um dos looks de Ratier na festa que o também empresário fará, em 18 de novembro, para comemorar os 16 anos da casa noturna D-Edge? Grace Jones é a principal atração da balada.(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)

Beleza assumidaO que mais se ouviu dos profissionais de beleza nesta edição do SPFW foi a palavra respeito. Tons de pele, texturas de cabelo e até a despigmentação provocada pelo vitiligo foram mantidos na hora de produzir os modelos para os desfiles.Brilho com gloss e glitter em Helo Rocha: arte de Fabiana Gomes (M.A.C)(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Marcos Costa, que assinou as belezas de Ronaldo Fraga, Fernanda Yamamoto e LAB, foi um dos profissionais que optaram por makes mais cleans e ainda criticou a moda do contorno. “É cafona. A brasileira tem que entender que a beleza natural é o principal complemento de moda”. Para a LAB, Costa usou base líquida que corrige com naturalidade(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Mas se engana quem acha que é pra sair por aí de cara lavada. Para a LAB, Costa usou uma base líquida que corrige a pele com naturalidade. Celso Kamura também equilibrou a pele das modelos no desfile do Experimento Nohda com uma base mineral de cobertura leve e quatro tons de corretivo.Celso Kamura para Experimento Nohda: base mineral leve e corretivo(Foto: Agência Fotosite/Divulgação)Destaque aos OlhosTeve de tudo: de traços com efeito gráfico ao glitter. A maquiadora sênior da M.A.C Cosmetics, Fabiana Gomes, foi uma das que investiram no efeito. Para Vitorino Campos, usou delineador branco na parte de cima e preta embaixo. Já para a Animale não economizou no brilho: preencheu as pálpebras das modelos com glitter rosa e prata. “Jerry Hall em rendez-vous nos Hamptons”, definiu. Ela também apostou no brilho para Helo Rocha, com gloss e glitter.

* A jornalista viajou a convite da organização do evento