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Publicado em 31 de maio de 2026 às 16:10
Enquanto a maioria das pessoas evita falar sobre a própria morte, o advogado, turismólogo e produtor cultural Tiago Martins Pitthan, 49 anos, decidiu fazer justamente o contrário. Diagnosticado com câncer em estágio avançado e convivendo com a progressão da doença, ele organizou o próprio velório ainda em vida e reuniu amigos, familiares e desconhecidos em uma grande celebração marcada por música, abraços, risadas e despedidas emocionantes. O evento aconteceu nesse sábado (30), em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e rapidamente ganhou repercussão nacional após viralizar nas redes sociais>
Batizada de “Velório em Vida – A Despedida do Bom Sujeito”, a iniciativa foi criada para transformar um momento tradicionalmente associado ao luto em uma celebração da existência. A ideia de participar do próprio velório surgiu há alguns anos, durante uma despedida familiar. >
Advogado com câncer terminal faz o próprio velório; veja fotos
Na época, Tiago observava pessoas contando histórias, compartilhando lembranças e celebrando a trajetória de seu pai. Em meio à emoção daquele momento, uma reflexão ficou marcada em sua memória: a única pessoa que não podia ouvir todas aquelas homenagens era justamente quem estava sendo homenageado. “Foi lindo o velório. As pessoas contando histórias, lembrando momentos felizes e celebrando a vida dele. E eu pensava: só faltou meu pai aqui. Naquele momento eu decidi que não ia faltar ao meu velório”, contou.>
A partir daquela experiência, Tiago tomou uma decisão incomum. Quando chegasse sua hora, ele não queria estar ausente da própria despedida. O plano, que parecia distante, ganhou outro significado em 2024, quando ele recebeu o diagnóstico de um câncer agressivo. Inicialmente, passou por cirurgia e iniciou tratamento, mas descobriu posteriormente que a doença já havia se espalhado pelo organismo. Desde então, passou a conviver com a perspectiva da finitude e decidiu encarar o processo de forma diferente.>
Segundo Tiago, o diagnóstico de câncer foi um divisor de águas. Diante da realidade imposta pela doença, o advogado afirma que precisou escolher entre viver exclusivamente em função do medo da morte ou aproveitar o tempo que ainda tinha ao lado das pessoas que ama. “Só se morre uma vez. Quando eu tive o diagnóstico, decidi que não ia morrer todos os dias. Eu ia morrer uma vez só”, afirmou Tiago em entrevista.>
O que poderia ser um ambiente marcado pela tristeza se transformou em uma festa repleta de apresentações musicais, encontros e homenagens. Em vez de concentrar sua rotina apenas na doença, resolveu realizar sonhos, fortalecer vínculos afetivos e criar experiências ao lado das pessoas que ama. “Eu não estou morrendo, eu estou vivendo. E eu quero que as pessoas entendam isso”, afirmou.>
A programação contou com artistas locais, rodas de samba, MPB, bandas de rock e DJs convidados e também foi organizada para que o próprio homenageado pudesse ouvir cada relato, rir das lembranças e agradecer pessoalmente pelas demonstrações de carinho. Também houve venda de chope, comidas e contribuições voluntárias destinadas a ajudar nos custos da celebração e do tratamento médico. Inicialmente planejado apenas para amigos próximos, o encontro ganhou proporções maiores após a repercussão do convite nas redes sociais e acabou sendo aberto ao público. Pessoas de diferentes cidades demonstraram interesse em participar do momento.>
“Se eu vou embora antes da hora, eu quero celebrar a minha vida”, afirmou. Mesmo enfrentando uma doença sem perspectiva de cura, Tiago afirma que não quer ser lembrado pelo câncer, mas pela forma como escolheu viver. Ao final da celebração, deixou uma reflexão que resume o espírito do evento e que acabou sendo amplamente compartilhada pelos participantes: “A morte acontece uma única vez. Em todos os outros dias existe a vida. E a vida merece ser celebrada.”>