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Perla Ribeiro
Publicado em 4 de abril de 2026 às 07:57
Alunas da Universidade de Brasília (UnB) registraram uma ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal, nesta semana, para denunciar uma sequência de atos de importunação sexual praticados por um aluno de 19 anos da graduação a distância do curso de História, do Centro Universitário IESB. Segundo os relatos, o acusado enviava mensagens de cunho sexual, ofensas e até "nudes" não solicitados a estudantes da UnB e de outras universidades. As informações são do G1 DF.>
As vítimas conseguiram colher dezenas de relatos sobre as abordagens do suspeito após pedirem informações em grupos de mensagens e perfis em redes sociais. Nos depoimentos, constataram que, além das abordagens "esquisitas", havia casos de importunação, perseguição e até violência física. Uma estudante, que pediu para não ser identificada, contou ao G1 que o suspeito começava a abordagem pelo Instagram em mensagens "normais". Porém, ao longo da conversa, o tom e o conteúdo iam "piorando".>
"Eu fiquei chocada, achei estranho isso ter acontecido comigo. Estranho e terrível. Mas foi piorando, e eu fui vendo todo mundo que tinha sido vítima também", relatou a jovem. Três das vítimas foram à Delegacia Especial de Atendimento à Mulher na Asa Sul (DEAM I), no começo da semana, e registraram um boletim de ocorrência pelos crimes de importunação sexual, lesão corporal e homotransfobia. A Polícia Civil investiga o caso.>
As estudantes alvos das importunações sexuais criaram um grupo em uma rede social para compartilhar relatos, discutir estratégias de apoio e alertar outras estudantes para evitar novos casos. Uma dessas jovens disse ao G1 que chegou a cortar contato com o homem e mesmo assim ele continuou com uma abordagem agressiva. "Eu parei de seguir ele [no Instagram]. No meu aniversário, eu estava viajando para São Paulo, cheguei cansada e abri o celular. E ele tinha mandado um vídeo de visualização única se masturbando, falando que era meu presente".>
Nas conversas divulgadas pelas vítimas, o acusado usa termos vulgares – diz que deixaria a vítima "desacordada" e que ela teria que "gemer seu nome", entre outras frases do tipo. Uma das vítimas relatou ter sido agredida fisicamente pelo jovem durante uma viagem ao Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizada em julho de 2025. O suspeito teria se irritado após ser alertado sobre comentários inapropriados feitos a uma das congressistas.>
"Na espera da fila para o jantar, de repente ele perguntou para o grupo se alguém fazia sexo. Uma menina estranhou a pergunta, riu sem jeito, ele começou a xingar ela apontando o dedo na cara. [...] No último dia, tentei conversar com ele de manhã, mas ele foi extremamente rude e partiu para cima de mim com um soco na cara. Meu dedo ficou torto, desde então", diz o relato.>
O Centro Universitário Iesb informou que o caso não chegou ao conhecimento da faculdade e que dispõe de estrutura para apurar "condutas incompatíveis com as normas acadêmicas", observando os princípios do contraditório e da ampla defesa. Também por meio de nota, a UnB afirmou que oferece "serviços de atendimento e acompanhamento psicológico por meio de sua Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária".>