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Agência Einstein
Publicado em 4 de abril de 2026 às 09:26
Olhos vermelhos, irritados e lacrimejando são sinais clássicos da conjuntivite, condição caracterizada pela inflamação da conjuntiva, membrana que reveste a parte branca dos olhos e o interior das pálpebras. Embora seja comum e, na maioria das vezes, benigna, a doença pode ter causas distintas e exigir tratamentos diferentes. >
O problema pode ocorrer ao longo de todo o ano, mas tende a ser mais frequente em períodos de calor intenso. As altas temperaturas favorecem a proliferação de microrganismos, e a baixa umidade do ar reduz a lubrificação ocular. Além disso, o aumento das aglomerações em determinadas épocas facilita a transmissão da doença.>
Nos últimos anos, diversos municípios brasileiros registraram surtos de conjuntivite. Na cidade de São Paulo, por exemplo, foram notificados 71 surtos e 180 casos em 2024, segundo levantamento da Secretaria Municipal da Saúde. Em 2025, esse número subiu para 102 surtos e 250 casos. Estados como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro também registraram aumento nas ocorrências.>
Cuidados importantes >
Medidas simples de higiene ajudam a reduzir o risco de transmissão. Evitar coçar os olhos, lavar as mãos com frequência e higienizar corretamente objetos de uso pessoal — como toalhas, travesseiros, lentes de contato e maquiagens — são cuidados importantes para conter a disseminação.>
Crianças têm maior probabilidade de desenvolver conjuntivite viral ou bacteriana. “Esses germes se espalham facilmente em superfícies infectadas e mãos não lavadas, especialmente em áreas de contato próximo, como escolas e creches”, afirma a oftalmologista Claudia Faria, do Einstein Hospital Israelita. >
Acontece que outras condições médicas possivelmente mais graves podem provocar o chamado “olho vermelho”, como glaucoma, uveíte (inflamação da camada vascular do olho), ceratite (inflamação da córnea), toxicidade ocular e infecções intraoculares. Daí a importância de uma avaliação médica, que permite identificar a causa do problema e orientar o tratamento mais adequado. >
“Os pacientes devem ser advertidos a não se automedicarem, uma vez que o uso incorreto e indiscriminado de medicações oculares, como esteroides e antibióticos, pode levar a efeitos colaterais deletérios e, em alguns casos, graves”, alerta a oftalmologista Maria Auxiliadora Monteiro Frazão, presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). >
Os principais tipos de conjuntivite:>
Conjuntivite viral>
É o tipo mais comum da doença. Geralmente provoca ardência, vermelhidão, fotofobia e secreção aquosa. Também pode causar aumento dos linfonodos localizados à frente das orelhas. Na maioria das vezes, o quadro é provocado pelo adenovírus, microrganismo responsável por infecções respiratórias, como o resfriado. “Menos frequentemente, a conjuntivite viral pode ser causada por vírus mais graves, como os da Covid e do sarampo”, relata Faria. >
A forma viral é altamente contagiosa, sobretudo nos primeiros cinco a sete dias, período em que os sintomas costumam ser mais intensos. A transmissão ocorre pelo contato direto com secreções oculares ou por meio de superfícies contaminadas, como mãos, toalhas, travesseiros e objetos compartilhados. Por isso, a higiene pessoal, especialmente das mãos, deve ser rigorosa e frequente.>
O quadro pode durar até 15 dias e, em geral, se resolve espontaneamente. Não existe medicamento específico para eliminar o vírus; o tratamento é voltado ao alívio dos sintomas e geralmente inclui compressas frias e lubrificantes oculares.>
Conjuntivite bacteriana>
Menos frequente que a forma viral, também é contagiosa. Caracteriza-se por vermelhidão, dor ocular e secreção espessa de coloração amarela ou esverdeada, além de pálpebras que podem ficar grudadas ao despertar. Embora possa afetar os dois olhos, muitas vezes começa em apenas um deles. >
“Pacientes com conjuntivites bacterianas costumam apresentar algum fator predisponente, como obstrução crônica das vias lacrimais, uso frequente de colírios derivados de esteroides ou antibióticos e olho seco”, explica o oftalmologista Sérgio Felberg, chefe do setor de córnea e doenças externas da Santa Casa de São Paulo. O tratamento inclui colírios ou pomadas antibióticas, que devem ser prescritos por um médico especialista. Após o início da medicação, a transmissão tende a diminuir.>
Conjuntivite alérgica>
Afeta pessoas com histórico de outras condições alérgicas, como rinite, dermatite ou asma. Não é contagiosa e surge como reação a substâncias presentes no ambiente, como pólen, pelos de animais, fumaça de cigarro, cloro de piscina e gases de escapamento de veículos. Os sintomas mais comuns são coceira intensa, vermelhidão, lacrimejamento e inchaço nas pálpebras, frequentemente acompanhados de espirros.>
O quadro pode persistir enquanto houver exposição ao agente desencadeador, podendo durar semanas ou até meses sem tratamento adequado. O controle envolve evitar o contato com o fator de origem da alergia, além do uso de colírios antialérgicos e, em alguns casos, corticoides prescritos por oftalmologista.>