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Bilhetes do PCC encontrados em esgoto deram início à investigação que prendeu Deolane Bezerra

Advogada foi detida na manhã desta quinta-feira (21) em operação que ainda envolve Marcola, líder da facção

  • Foto do(a) author(a) Maysa Polcri
  • Maysa Polcri

Publicado em 21 de maio de 2026 às 14:19

Bilhetes foram encontrados há sete anos
Bilhetes foram encontrados há sete anos Crédito: Reprodução

investigação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra, nesta quinta-feira (21), em São Paulo, teve origem na troca de bilhetes ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O material foi apreendido há sete anos na caixa de esgoto de celas em um presídio em Presidente Venceslau, no interior do estado. 

Os bilhetes encontrados levaram à abertura de três inquéritos que revelaram a estrutura financeira do PCC e permitiram a identificação de operadores. O esquema usava uma transportadora de cargas fantasma para lavar dinheiro. Os recursos eram repassados para outras contas com o objetivo de dificultar o rastreio. Segundo divulgado pelo g1, duas dessas contas estão em nome de Deolane.

Entre 2018 e 2021, a influenciadora teria recebido R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. Os comprovantes dos depósitos foram encontrados no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado como operador central do esquema financeiro da facção e homem de confiança de Marcos Herbas Camacho, o Marcola, e de seu irmão, Alejandro Camacho.

Bonecas realistas serão brinde no aniversário da filha de Deolane. por Reprodução/Instagram

De acordo com os investigadores, os valores saíam da empresa Lopes Lemos Transportes, identificada pela polícia como uma transportadora de fachada usada pelo PCC para lavagem de dinheiro. As quantias eram distribuídas para contas indicadas pelos operadores do esquema, incluindo contas pessoais e empresariais ligadas à influenciadora.

As investigações apontam ainda que Everton de Souza, conhecido como “Player”, preso na operação desta quinta-feira, atuava como intermediador das movimentações financeiras e orientava a divisão dos valores. Em mensagens interceptadas, ele indicaria a conta de Deolane para “fechamentos mensais”.

Outro ponto considerado suspeito envolve cerca de 50 depósitos realizados em duas empresas ligadas à influenciadora, totalizando aproximadamente R$ 716 mil. Os valores teriam sido enviados por uma empresa registrada em nome de um homem da Bahia com renda mensal próxima de um salário mínimo.

Segundo o Ministério Público, a análise bancária não encontrou contratos, pagamentos ou prestação de serviços que justificassem os repasses feitos para as contas de Deolane e de suas empresas.

A influenciadora foi presa durante a Operação Vênix, realizada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A ação também teve mandados expedidos contra Marcola, apontado como chefe do PCC, além de familiares e outros investigados ligados ao esquema.

Deolane já havia sido presa em 2024, durante uma investigação da Polícia Civil de Pernambuco sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo jogos ilegais e apostas online.