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Carol Neves
Publicado em 27 de maio de 2026 às 10:10
A Justiça condenou um casal de Jales, no interior de São Paulo, a 50 dias de prisão em regime semiaberto por abandono intelectual após os pais retirarem as duas filhas, de 11 e 15 anos, da escola para adotarem o ensino domiciliar, conhecido como homeschooling. A decisão, do final de abril, considerou que as adolescentes ficaram fora do sistema regular de ensino, modalidade que atualmente não é permitida no Brasil. >
A denúncia foi feita pelo colégio onde as meninas estudavam antes da mudança para o ensino em casa. Segundo o processo, a escola acionou o Conselho Tutelar após ser informada de que as estudantes deixariam de frequentar as aulas presenciais.>
Os pais apresentaram cerca de 3 mil páginas de laudos e documentos para demonstrar o desempenho acadêmico das filhas. O material aponta que as adolescentes estudaram latim, canto e piano, além de terem lido milhares de páginas apenas em 2025.>
Os advogados afirmam que a filha mais velha leu cerca de 6 mil páginas neste ano, enquanto a mais nova chegou a 2.500. A defesa sustenta ainda que o rendimento intelectual das jovens melhorou após a saída da escola convencional. Representantes da família disseram que os pais recorreram da decisão e seguem em liberdade.>
Mesmo com pedido de absolvição apresentado pelo Ministério Público, o juiz decidiu pela condenação dos pais por abandono intelectual. “O magistrado possibilitou a suspensão condicional da pena, mas a defesa entende que essa alternativa é ainda mais prejudicial, pois impõe dois anos de obrigações mensais, prestação de serviços por um ano e a matrícula obrigatória das filhas. Se o juiz entender que qualquer regra foi descumprida, os 50 dias de prisão em regime semiaberto voltam a valer”, afirmou ao portal G1 Isabelle Monteiro, advogada da família e coordenadora jurídica da Associação Nacional de Educação Domiciliar.>
Homeschooling da família começou na pandemia>
Segundo a defesa, a decisão de adotar o homeschooling começou durante a pandemia de covid-19, após a mãe notar que as filhas estavam se desenvolvendo menos. No retorno ao presencial, a filha mais nova, com asma e bronquite, recebeu orientação médica para seguir em casa. Ao mesmo tempo, os pais notaram que as duas estariam tendo melhor desempenho em casa do que na escola. >
As duas adolescentes estudam diariamente português, matemática, história, geografia, ciências, artes, inglês e latim, com apoio de psicopedagoga e professores particulares, de acordo com a família. >
Prática é proibida no Brasil>
Atualmente, o homeschooling não é permitido no Brasil. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a prática não é inconstitucional, mas estabeleceu que ela só pode ocorrer após regulamentação por lei federal. Hoje, tramita no Senado o Projeto de Lei nº 1338/2022, que propõe regras para autorizar o ensino domiciliar no país.>
O texto prevê que pelo menos um dos responsáveis tenha ensino superior completo, que o estudante permaneça vinculado a uma escola pública ou privada para acompanhamento pedagógico e que sejam realizadas avaliações periódicas de aprendizagem com base na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A proposta está pronta para votação na Comissão de Educação e Cultura do Senado desde outubro de 2025, após receber parecer favorável da relatora, a senadora Professora Dorinha Seabra.
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