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CNH de idosos: saiba quais condições de saúde podem atrapalhar renovação

Doenças do coração, do cérebro ou da visão podem definir se a carteira será liberada ou terá limitações

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 7 de abril de 2026 às 07:00

idosos
Visão, reflexos e doenças crônicas entram na conta: após os 70, renovar a CNH exige mais do que documentos; entenda o que pode pesar na avaliação médica Crédito: Pexels

A renovação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas idosos segue regras mais rigorosas em 2026. O processo está previsto no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e em normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), que determinam prazos menores de validade e avaliações médicas mais criteriosas, especialmente a partir dos 70 anos.

Nessa faixa etária, não existe renovação automática: é obrigatório comparecer presencialmente ao Detran e passar por exames a cada três anos, conforme regulamentação vigente.

Curitiba (PR) por Divulgação

Validade menor e prazos que podem encurtar

A validade da CNH muda conforme a idade e muita gente ainda não sabe disso. Pelas regras atuais, o prazo pode chegar a até 10 anos para motoristas com menos de 50 anos. Entre 50 e 69, cai para até 5 anos. Já a partir dos 70, a renovação precisa ser feita, no máximo, a cada 3 anos.

Mas esse tempo não é igual para todo mundo. Se o exame médico indicar alguma condição que afete a direção, o prazo pode ser reduzido, seguindo as regras do Contran.

Outro ponto que costuma passar batido é que alguns estados brasileiros oferecem benefícios para motoristas mais velhos.Reportagens da Agência Pará apontam isenção ou descontos nas taxas de renovação para quem tem 65 anos ou mais, embora as regras variem de uma unidade da federação para outra.

O que o médico vai checar

A renovação exige exame de aptidão física e mental, conforme a Resolução 927/2022 do Contran. A avaliação é bastante completa e vai além de um simples check-up.

De acordo com orientações de órgãos de trânsito, são analisados a visão e a audição, o sistema cardiovascular, possíveis condições neurológicas, a coordenação motora e a capacidade cognitiva do motorista.

Para algumas categorias de CNH, também pode ser exigido exame psicológico.

Caso seja identificado algum comprometimento relevante, o motorista pode ser considerado inapto, seja de forma temporária ou definitiva, o que impede a renovação até que haja nova avaliação ou tratamento, seguindo os procedimentos dos Detrans.

Doenças que podem impedir você de renovar a CNH

Não existe uma lista oficial de doenças que automaticamente impedem a renovação. O que vale é o laudo médico individual. Com base em orientações de especialistas e órgãos de trânsito, indicam alguns quadros que costumam pesar na avaliação:

doenças neurológicas: como Alzheimer, Parkinson, epilepsia sem controle e sequelas de AVC

problemas de visão ou audição: catarata avançada, glaucoma, retinopatia diabética ou perdas não corrigíveis

doenças cardíacas: arritmias graves, insuficiência cardíaca ou infarto recente

transtornos cognitivos: demência ou alterações que afetem julgamento e atenção

diabetes e hipertensão descontroladas, com complicações

apneia do sono em estágio grave, com sonolência diurna

Nesses casos, o médico pode liberar com restrições, reduzir o prazo da CNH ou, em situações mais críticas, negar a renovação, sempre com base em critérios técnicos, conforme normas vigentes.

Reprovado? Ainda dá para recorrer

Se for considerado inapto,o motorista pode pedir nova avaliação Se o resultado não mudar, é possível recorrer ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), seguindo os procedimentos administrativos.

Equilibrando segurança no trânsito e autonomia do idoso

O endurecimento das regras não tem caráter punitivo, uma vez que lógica é preventiva.

O objetivo é preservar a autonomia do motorista idoso e assegurar a segurança no trânsito, considerando os impactos naturais do envelhecimento, como redução de reflexos, alterações na visão e mudanças cognitivas.

A idade por si só não impede nenhum motorista de dirigir, mas exige um acompanhamento mais frequente para garantir que essa condução continue sendo segura, para quem está ao volante e para todos ao redor.