Acesse sua conta
Ainda não é assinante?
Ao continuar, você concorda com a nossa Política de Privacidade
ou
Entre com o Google
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Recuperar senha
Preencha o campo abaixo com seu email.

Já tem uma conta? Entre
Alterar senha
Preencha os campos abaixo, e clique em "Confirma alteração" para confirmar a mudança.
Dados não encontrados!
Você ainda não é nosso assinante!
Mas é facil resolver isso, clique abaixo e veja como fazer parte da comunidade Correio *
ASSINE

BR-319 volta ao centro do debate com nova obra e reacende impasse na Amazônia

Autorização para intervenções em trecho crítico expõe dilema entre integração logística e risco de avanço do desmatamento

  • Foto do(a) author(a) Amanda Cristina de Souza
  • Amanda Cristina de Souza

Publicado em 1 de abril de 2026 às 18:01

BR-319: entre a floresta e o asfalto, o desafio de integrar a Amazônia sem destruir o verde
BR-319: entre a floresta e o asfalto, o desafio de integrar a Amazônia sem destruir o verde Crédito: Valor Econômico, Yan Boechat

O governo brasileiro publicou, nesta terça-feira (31), uma autorização para intervenções no chamado trecho do meio da BR-319, a estrada que liga Manaus a Porto Velho. A ação faz parte do Novo PAC e prevê obras justamente em um dos pontos mais críticos da rodovia.

Segundo o Ministério dos Transportes, essa iniciativa integra um pacote de medidas voltadas à melhoria das condições de tráfego e à recuperação de uma estrada frequentemente considerada estratégica para a integração da região Norte.

Décadas de promessas e recuos na BR-319

A BR-319 se consolidou ao longo dos anos como um dos maiores desafios da infraestrutura brasileira. Inaugurada na década de 1970, a estrada rapidamente perdeu suas condições adequadas de uso e, desde então, acumula tentativas de reconstrução que avançam pouco ou nada.

Especialistas e registros históricos mostram que os projetos esbarraram repetidamente em obstáculos técnicos, ambientais e legais, transformando a rodovia em um símbolo do debate entre desenvolvimento e preservação no país.

O recho do meio e o desafio de pavimentar 400 km no coração da Amazônia

O maior desafio continua sendo o impacto ambiental. A BR-319 corta áreas sensíveis da Amazônia, incluindo unidades de conservação e terras indígenas.

Estudos indicam que reabrir a estrada sem planejamento adequado pode aumentar a grilagem de terras e acelerar o desmatamento, além de afetar o regime de chuvas na região , tudo ligado à ocupação desordenada da floresta.

Por isso, análises ambientais detalhadas são essenciais para qualquer avanço. Também cresce a discussão sobre a necessidade de fortalecer a proteção de territórios indígenas próximos à rodovia, especialmente por serem mais vulneráveis à pressão fundiária.

O plano do Governo para destravar o novo edital

Nos últimos anos, o governo do Brasil criou grupos de trabalho e instâncias técnicas para discutir a recuperação da BR-319.

Segundo o Ministério dos Transportes, a ideia é integrar diferentes órgãos públicos para aprofundar as análises e buscar soluções que equilibrem infraestrutura e preservação ambiental.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou que vem autorizando serviços de manutenção e preparando novos editais para garantir condições mínimas de tráfego, enquanto etapas mais complexas seguem em análise.

A inclusão da rodovia no Novo PAC indica que ela é prioridade dentro do programa. Com a autorização das intervenções o governo sinaliza a intenção de avançar de forma gradual, dando atenção a obras estruturais e manutenção, sem descuidar das exigências ambientais que historicamente condicionam o andamento do projeto.

O futuro da integração na maior floresta do mundo

Essa nova fase coloca novamente um dilema antigo: como melhorar a logística na Amazônia sem aumentar os riscos ambientais?

Especialistas e órgãos públicos concordam que o desafio é encontrar um modelo de desenvolvimento que não repita padrões do passado, marcados por desmatamento e conflitos fundiários.

A autorização para obras estruturais representa, portanto, mais um capítulo de um processo longo e complexo, em que qualquer avanço depende do equilíbrio entre infraestrutura, base técnica e proteção ambiental.